De Elfos, Fadas, Silfos & outros Duendes

De Elfos, Fadas, Silfos 

e outros Duendes

 

 

Sabe o que é uma cidade refúgio?

Parece um conto de fadas, tudo em perfeita ordem, a energia diáfana, uma cidade feita de matéria sutil, em dimensão paralela.

Muitos dos que ali vi, que não sabia se instalados ou de passagem, se assemelhavam a elfos, duendes e demais seres elementais. Tudo organizado, linha reta no modo de caminhar. Tudo limpo, silêncio.

Para um bicho de cidade, acostumada ao fervilhar do purgatório de cimento que é São Paulo, mais do que 3 dias começa a incomodar. São Paulo é vida pulsante, diversidade biológica e de pensamentos caóticos, mas sente-se o corpo vivo, nem que seja pela tremedeira das calçadas e vibração dos carros, luzes e ônibus.

Em “Fairyland”, não há relação, contato efetivo. Há belos bares e restaurantes, pessoas coloridas, que sorriem, mas não se beijam, não se tocam, quase orientais estes ectoplasmas coloridos.

Os jardins arrumados, músicos ótimos, ainda que muitos deles nem soubessem onde estavam.

Paisagens, fazemos parte da paisagem, parados. A vida não pulsa, é quase estática, na velocidade das seivas, não dá pra sentir.

Local de passagem, entre a vida e o céu, ou como imaginamos que seria o céu, algo frio nesta harmonia e ordem toda.

Lá, os não visitantes, os que decidiram permanecer, encontram o refúgio de seus carmas passados e fingem para si que tudo é perfeito.  Eventos culturais, sex shops quase tântricos, “Fairyland” é uma cidade de faz de conta.

Quem são os 20 mil habitantes? Três tipos mais típicos:

- Estudantes de arte, muito bem, jovens em aprendizado, de passagem.

- Aposentados, avant première do céu que esperam

- Seres que se refugiam do passado e mascaram suas mágoas e traumas travestidos de elementais.  Às vezes, ficava curiosa em observar a planta dos pés destas pessoas, ver se já tinham nascido raízes (orgânicas, claro).

O restante do estado me pareceu mais normal, mesmo as paisagens. A força da natureza se concentrou na costa, com muitas pedras de variados tamanhos, algumas gigantescas, o Lago da Cratera, com a força e a beleza do vulcão adormecido, e quedas d’água e rios, belíssimos. Mas isto era na floresta de verdade, não no conto de fadas.

Quanto à montanha, tédio total. Pinheiros e mais pinheiros, frio e um pouco de neve, Depois mais pinheiros (e um frio do cacilda).

Havia um lugar encantado, oásis neste deserto gelado e tedioso, uma nascente de rio de belíssimo verde claro– musgo cor de abacate luminoso, muito vivo, cortado pelos riachinhos onde haviam elementais de verdade.  Era Harmonia, não a simetria do raciocínio humano.

Mas voltava para a cabana, o tempo era cinza, tudo era tédio. E o Johnny lia.

                                                                   Erica Lorenz/2013

                                                                   ericalorenzcontos2.blogspot.com

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