Brasil: Desenvolvimento do Desenvolvimentismo

Caros geonautas,

Para os interessados em saber sobre as vertentes do pensamento econômico brasileiro do último meio século, ou pouco mais, de direita, esquerda ou independentes, até os debates atuais, esse texto do Fernando N. da Costa, trás uma abordagem muito interessante, de forma simples e resumida sobre os principais personagens das correntes que se formou no período e as revistas de economia, ISEB, ..., como Celso Furtado, Ignácio Rangel, Maria Conceição Tavares, Antônio Barros de Castro, Luiz  Gonzaga Belluzzo, João Manuel Cardoso de Mello, CEPAL (Raúl Prebisch, ...), ....., inclusive os conservadores de antes, até a "casa da garça".
Por exemplo, ajuda a entender o que é buraco pequeno, tipo "buraco de queijo mineiro", e buraco grande, tipo, "buraco de queijo suíço", e como faz falta ao país um projeto de desenvolvimento para a nação. A pergunta que formulei a alguns dias: Como a 'Era Lula' criou o 'Rockefeller' brasileiro?,não é, claramente, barbeiragem tipo "buraco de queijo mineiro", e sim, "buraco de queijo suíço", além da brilhante visão e mente de Eliezer Batista, e como se diz, do "enigma" Eike.
Pincei do texto algumas partes, como:
“A economia hoje virou uma batalha ideológica que, primeiro, envolve as relações de Poder. A Economia não é um saber qualquer, é um saber muito relacionado com o Poder, com a constituição de certas convicções que são importantes para a reprodução do sistema. Se você começa a pensar ao contrário do sistema, torna-se uma pessoa perigosíssima”. (Belluzzo, Luiz Gonzaga. Cadernos do Desenvolvimento. CICEF. Rio de Janeiro, v.6 n.9, jul.-dez.. 2011, p. 441).

RESUMO

A Ideologia Desenvolvimentista se origina quando se critica o atraso histórico do capitalismo brasileiro e se inicia a defesa de salto das etapas já percorridas por países industrializados de capitalismo avançada. No primeiro tópico deste artigo-resenha, esse hipótese será analisada focalizando as raízes intelectuais da Ideologia Desenvolvimentista. No segundo e terceiro tópicos, serão sintetizadas, respectivamente, a evolução das idéias da CEPAL e as correntes do pensamento econômico brasileiro nos anos 50, inclusive destacando o pensamento independente de Ignácio Rangel. O quarto resumirá o debate dos anos 60 sobre estagnação do desenvolvimento capitalista e subconsumo. O quinto será sobre as idéias-chave da Geração Fundadora da Escola de Campinas (G1) nos anos 70-80. O sexto dirá respeito ao Novo-Desenvolvimentismo, desenvolvido na era neoliberal, principalmente, por alguns professores da FGV-SP. O sétimo tópico resumirá a visão sistêmica do “Desenvolvimento de Esquerda” ou “segunda Geração da UNICAMP” (G2), após a criação do Instituto de Economia em 1985. O oitavo analisará o financiamento do desenvolvimento. A conclusão exporá, brevemente, os assuntos estratégicos para o sovcial-desenvolvimentismo brasileiro contemporâneo. (p. 1).

1.3 List

            “Há passagens na principal obra de List (1983) que assombram pela semelhança de argumentos e até linguagem com os principais economistas cepalinos. A industrialização como questão nacional, nos moldes da Cepal, vem à tona com a mesma divisão internacional do trabalho perversa às nações agrícolas dependentes: ‘A história demonstra que os dispositivos protecionistas se originam do esforço natural das nações para atingirem sua prosperidade: independência e poder, ou das guerras e da legislação comercial hostil das nações manufaturadas predominantes’ (1983, p. 127). E daí List concluía pela defesa intransigente do mercado interno: ‘O comércio exterior só pode prosperar nas nações que desenvolver sua indústria interna em alto grau’ (1983, p. 130). (p. 7).

(...) “Furtado (1983, p. 113) alertou para os aspectos políticos do desenvolvimento. “É no controle das estruturas de poder – assim como na apropriação e utilização do excedente – por grupos cujas motivações não se relacionam de forma principal com a atividade produtiva e na aliança desses grupos com elementos estrangeiros cujos objetivos não são compatíveis com os interesses da coletividade que se encontram os principais obstáculos ao desenvolvimento dos atuais países subdesenvolvidos”.” (p. 8).

(...) “O método histórico-estruturalista, baseado no argumento da “condição periférica”, se desenvolveu como escola de pensamento especializada no exame das tendências econômicas e sociais em médio e longo prazo dos países latino-americanos. Eles evoluíram do modelo de crescimnto primário-exportador “hacia fuera” ao modelo urbano-industrial “hacia adenro”.”  p. 10

(...) “Foram eles (Maria da Conceição Tavares e Ignácio Rangel), os primeiros a atentar para o lado financeiro do capitalismo. Até então, seja nacional-desenvolvimentistas, seja marxistas, todos os militantes destacavam apenas a exploração dos trabalhadores na “órbita produtiva”. Achavam que falar da moeda era coisa de monetarista. Curiosamente, foi o próprio Milton Friedman que alertou aos (futuros) pós-keynesianos que,” (p. 12).

“para Keynes, “a moeda importa”, isto é, não é neutra. Foi realizada, então, a releitura de sua obra de maneira diferente da que faziam os fiscalistas da síntese neoclássica.” (p. 13).

(...) “com nosso professor Antônio Barros de Castro aprendemos o que ele relembra em depoimento pessoal mais adiante (Conversas com Economistas Brasileiros II, 1999, p. 172) “o pensamento latino-americano começou muito bem (...). Mas, a partir do início dos anos 60, vai crescendo um tendência de acordo com a qual a função do intelectual, especialmente quando politicamente de esquerda, é explicar o fracasso (do capitalismo). (p. 14).

 

            “Em sua intervenção durante a III Conferência Internacional Celso Furtado, em maio de 2004, o homenageado lançou pequeno texto intitulado Os Desafios da Nova Geração. Demonstrando sua capacidade de síntese de toda a sabedoria acumulada, ele distingue dois programas. “O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, vem se fundando na preservação dos privilégios das elites que satisfazem seu afã de modernização; já o desenvolvimento se caracteriza pelo projeto social subjacente. Dispor de recursos para investir está longe de ser condição suficiente para preparar um melhor futuro para a massa da população. Mas quando o projeto social prioriza a efetiva melhoria das condições de vida dessa população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento." (p. 32).

Encontra-se disponível para download, o TDIE-UNICAMP descrito abaixo:

Pode ser feito download, também aqui: TD%20205_Maio_12_Desenvvto%20do%20Desenvvmtismo..pdf

Sds,

Exibições: 106

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço