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Desequilíbrio na gestão pública e privada

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


Atualmente o Brasil conta com 420 mil leitos para uma população de 190 milhões, portanto, 2,2 leitos por mil habitantes. Cerca de 30% desses espaços estão em clínicas e hospitais públicos, enquanto o restante, em estabelecimentos privados, sendo metade com finalidade lucrativa.

O Superintendente Administrativo do Hospital Sírio Libanês, Gonçalo Vecina, explica que a quantidade de leitos por mil brasileiros, apesar de parecer pouco, está muito acima do encontrado em estabelecimentos qualificados nos Estados Unidos, que trabalham com a proporção de meio leito por mil habitantes.

Segundo Vecina, o resultado em tais grupos hospitalares norte-americanos acaba sendo tão, ou mais, eficiente do que no Brasil – em termos de custos e atendimentos – porque optam pelo uso de tecnologias menos complexas (como cirurgias minimamente evasiva), atenção ambulatorial em maior escala e estímulos a comportamentos saudáveis por parte dos associados do plano.

“Se o paciente tem uma alimentação adequada, toma cuidado com a pressão, tem aderência aos tratamentos – principalmente em doenças crônicas – os planos o premiam diminuindo o valor da mensalidade, como forma de incentivar comportamentos saudáveis”, explica.

Além do excesso de leitos, a proporção de quartos preparados para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) é menor do que a proporção adequada. Dos 420 mil leitos do país, 3% são de UTI – no Sírio Libanês, trabalha-se com uma proporção de 30% do total de quartos do hospital.

O setor de saúde recebe anualmente cerca de R$ 900 bilhões – juntando todos os recursos da União, Estados e Municípios. Considerando que o sistema público cobre até 140 milhões de brasileiros, esse montante resulta na aplicação de R$ 530 reais per capita/ano. Já a iniciativa privada aloca cerca R$ 50 bilhões para atender 40 milhões de brasileiros – portanto, mais de R$ 1 mil per capita/ano.

“A iniciativa privada gasta mais que o dobro visto no Sistema Único de Saúde (SUS), não oferece medicamentos de alta complexidade e mantém carências para o tratamento de certas doenças”, coloca Vecina. Ao mesmo tempo, se por um lado, o setor privado responde por 20% da população, por outro, realiza apenas 4% das sessões de hemodiálises do país – o restante é coberto pelo SUS.

A iniciativa privada interna entre 14% e 15% de cada 100 pessoas que cobre, oferecendo 5 consultas/ano. Já o SUS interna entre 8% a 9% da população dependente, dando no máximo 3 consultas por habitante/ano.

“Você tem duas situações extremas. Nenhuma está correta. No SUS temos filas de repressão de demanda e na iniciativa privada sobreconsumo, estimulo a medicação excessiva e a ‘coisificação’ da medicina”, conclui.

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