A iniciativa para a criação do Dia Nacional do Choro partiu do bandolinista Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola Brasileira de Choro Rafhael Rabello, em Brasília.

O Decreto foi proposto pelo então senador Ártur da Távora, falecido em 2008, e aprovado pelo Presidente da República, em 04/09/2002, instituindo o Dia Nacional do Choro, comemorado na data de nascimento de Pixinguinha, 23 de abril.

Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha é o maior chorão de todos os tempos. Compositor de música popular brasileira, era também tenor, pianista, saxofonista, além de arranjador, e contribuiu diretamente para edificar o Choro como um gênero musical. Com ele o Choro adquiriu mais leveza, ritmo, graça e também a hábito do improviso.




O surpreendente no Choro, que é genuinamente carioca, é a sua capacidade de renovar-se, sempre.
Já são quase 150 anos de História do Choro e um dos fatores determinantes para essa história de sucesso foi o alto nível artístico dos seus pioneiros, como Joaquim Antônio da Silva Callado - considerado o Pai dos Chorões -, Anacleto de Medeiros, Patápio Silva, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Luperce Miranda, Irineu de Almeida, Bonfíglio de Oliveira, Garoto, Jacob do Bandolim, e de inúmeros chorões que, com competência, seguiram as trilhas desses pioneiros.


Confiram, a seguir, alguns dos maiores solistas da atualidade interpretando clássicos dos principais pioneiros do Choro.

"Flor Amorosa" (Joaquim Callado - 1848-1880/Adap. Henrique Cazes).
A mais famosa polca de Callado atravessa o tempo, indo do trio flauta, cavaquinho e violão até a roda de choro dos dias de hoje.


- Leonardo Miranda: Fauta
- Marcello Gonçalves: Violão 7 de Cordas
- Henrique Cazes: Cavaquinho
- Bruno Rian: Bandolim
- Alexandre Maionese: Flauta
- Zé da Velha: Trombone
- Silvério Pontes: Trompete
- Márcio Almeida: Violão
- Carlinhos: Violão 7 de Cordas
- Beto Cazes: Percussão


"Sultana" (Chiquinha Gonzaga - 1847-1937/Adap. Henrique Cazes) e "Trem de Klezmer" (Anônimo/Adap. H. Cazes).
A polca de Chiquinha recebe a visita de um tema tocado pelos judeus nômades, músicos que ajudaram a espalhar o gênero no mundo.


- Joana Queiroz: Clarinete
- Ricardo Amado: violino
- Marcello Gonçalves: Violão 7 de Cordas
- Henrique Cazes: Cavaquinho


"Digo" (Ernesto Nazareth - 1863-1934)
Exemplo do que há de melhor na obra de Nazareth.


- Maria Teresa Madeira: Piano


"Zinha" (Patápio Silva - 1880-1907)
O autor, de origem humilde, queria que sua música se parecesse com a dos salões aristocráticos.


- Andréia Ernest Dias: Flauta
- Maria Teresa Madeira: Piano


"Santinha" (Anacleto de Medeiros - 1866-1907/Adap. Henrique Cazes).
Anacleto colocou acento brasileiro e muita inspiração nas suas "schottisches".


- Nelson Oliveira: Trompete
- Rui Alvin: Clarinete
- Dirceu Leite: Clarinete e Flauta
- Sérgio de Jesus: Trombone
- Eliézer Rodrigues: Tuba
- Oscar Bolão: Caixa, Bumbo e Pratos


"Qualquer Coisa" (Irineu de Almeida 1873(?)-1914/Adap. Henrique Cazes).
Já que não temos mais oficleide, o fagote foi escilhido por ter timbre e tessitura próximos.


- Aloysio Fagerlande: Fagote
- Henrique Cazes: Cavaquinho
- Márcio Almeida: Violão
- Carlinhos: Violão 7 de Cordas


"Flamengo" (Bonfíglio Oliveira - 1891-1940)
Clássico que atravessou décadas e continua na roda de choro.


- Silvério Pontes: Trompete
- Zé da Velha: Trombone
- Henique Cazes: Cavaquinho
- Márcio Almeida: Violão
- Carlinhos: Violão de 7 Cordas


"Picadinho à Baiana" (Luperce Miranda - 1904-1977).
Os músicos do Nordeste trouxeram melodias cheias de notas, diversificando o choro da década de 1920.


- Bruno Rian: Bambolim
- Henrique Cazes: Cavaquinho
- Márcio Almeida: Violão
- Carlinhos: Violão de 7 Cordas
- Beto Cazes: Percussão


"Dinorah" (Benedito Lacerda - 1900-1960/José Ferreira Ramos).
O casamento entre a fluta solista, baixarias de violão e base rítmica de cavaquinho e pandeiro: o regional perfeito.


- Alexandre Maionese: Flauta
- Henrique Cazes: Cavaquinho
- Márcio Almeida: Violão
- Carlinhos: Violão de 7 Cordas
- Beto Cazes: Percussão


"Benny Goodman no Choro" (Garoto - 1915-1955).
O violão-tenor dinâmico típico do autor aparece acompanhado de um clarinete ao estilo do homenageado.


- Henrique Cazes: Violão-Tenor
- Dirceu Leite: Clarinete
- Marcello Gonçalves: Violão de 7 Cordas
- Omar Cavalheiro: Contrabaixo
- Beto Cazes: Percussão


"Remexendo" (Radamés Gnattali - 1906-1988)
Choro composto para naipe de sax, alcança todo seu potencial quando tocado no original.


- Humberto Araújo: Sax-Alto e Sax-Tenor
- Marcos Nimrichter: Piano
- Omar Cavalheiro: Contrabaixo
- Henquique Cazes: Violão-tenor
- Oscar Bolão: Bateria


"Biruta" (Jacob do Bandolim - 1918-1969).
Arranjo escrito por Radamés na Rádio Nacional, ainda na década de 1950. O Novo Quinteto reconstitui a sonoridade original do Quinteto Radamés. Uma Delícia!


- Marcos Nimrichter: Acordeom
- Maria Teresa Madeira: Piano
- Henrique Cazes: Guitarra
- Omar Cavalheiro: Contrabaixo
- Oscar Bolão: Bateria


"Lamentos" (Pixinguinha - 1897-1973/Vinicius de Moraes - 1913-1980)
Responsável por dar forma ao choro como gênero, Pixinguinha foi também o primeiro a modernizá-lo.


- Alexandre Maioneze: Flauta
- Joana Queiroz: Clarinete
- Silvério Pontes: Trompete
- Henrique Cazes: Cavaquinho
- Márcio Almeida: Violão
- Carlinhos: Violão de 7 Cordas
- Eliézer Rodrigues: Tuba
- Beto Cazes: Percussão






Pixinguinha, entre inúmeras pérolas, nos deixou clássicos do gênero como "Sofres porque queres", "Um a zero", "Carinhoso", "Rosa", "Cochichando", "Ingênuo".



Não sem razão, pois, recebeu dos amigos e admiradores o epíteto de "Santo Pixinguinha". E, ironicamente, foi no lugar que são colocados as imagens dos santos de devoção (uma Igreja, mais precisamente a de Nossa Senhora da Paz, no bairro de Ipanema, Rio de Janeiro) que ele faleceu, numa segunda-feira de carnaval, no momento em que a famosa "Banda de Ipanema" passava desfilando na rua em frente.





Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro dispensam apresentações. Ambos são amantes do Rio de Janeiro e fizeram juntos com Aldir Blanc um hino á cidade: “Saudades da Guanabara”.
Ambos, também, amantes de Pixinguinha , compuseram a música “Som de Prata”.

Nas palavras do próprio Moacyr a história dessa composição começou assim em uma mesa de bar:

- "Um santo, o Pixinguinha. E ainda foi morrer numa igreja. Um santo…
Olhei pro Paulinho com cara de parceria nova e ele sorriu. Eu fiquei com a incumbência de fazer a melodia. Dos versos, só o Paulinho.

O samba ficou pronto no carnaval. Fui buscar a letra no Recreio dos Bandeirantes junto com dois amigos de São Paulo: Ricardo Garrido e Zé Luiz.
Os versos, manuscritos, estão emoldurados e pendurados na parede do Pirajá.

Na gravação desse samba um agradecimento à Carlos Malta.
Esperamos ele voltar de uma temporada na Europa pra nos emprestar sua flauta, o som de prata, nesse registro.

Ficou maravilhoso, cada contra-canto, cada incidental que reverenciasse o motivo dessa história, meu santo Pixinguinha".


Abaixo o próprio Moacyr Luz interpreta "Som de Prata". (Acompanhem com a letra abaixo).




SOM DE PRATA

Nasceu no Rio de Janeiro
Dia do santo guerreiro
Naquele tempo que passou
Foi o maior mestre do choro
Tinha um coração de ouro
E que bom compositor
Foi carinhoso e foi ingênuo
E na roda dos boêmios
Sua flauta era rainha
E em samba, choro e serenata
Como era doce o som de prata, doutor
Que a flauta tinha
O embaixador dessa cidade
Meu Deus do céu, ai que saudade que dá
Do velho Pixinguinha
Filho da terra de sangue
Sangue de Malê
De uma falange do reinado
Filho de Ogum, de São Jorge, no Batuquegê
De Benguelê, de Iaô
Rainha Ginga
É que sua avó era africana
A rezadeira de Aruanda, vovó
Vovó Cambinda
Só quem morre dentro de uma igreja
Virá orixá, louvado seja Senhor
Meu santo Pixinguinha
E em samba, choro e serenata
Como era doce o som de prata, doutor
Que a flauta tinha
O embaixador dessa cidade
Meu Deus do céu, ai que saudade que dá
Do velho Pixinguinha
Ele é de Benguelê
Ele é de Iaô
É do Batuquegê
Ele é do Reinado
É sangue de Malê
É santo sim senhor


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A “águia” é uma ave caracterizada pela ousadia de empreender vôos cada vez mais altos.

O Choro também é assim. Esse gênero urbano, parido no berço da “Cidade Maravilhosa” em meados do século XIX, contagiou o país via bandas de música, regionais do rádio...; popularizado na década de 1970 pela mídia, renovado nos anos de 1980 e 1990, hoje encontra-se, felizmente, com grande vitalidade ousando, sempre, vôos cada vez mais altos aqui e fora de país.

Um dos sonhos dos chorões brasileiros, entre eles Henrique Cazes,”é tornar o Choro uma atração tão associada ao Brasil quanto o Corcovado, o Pão de Açúcar e o Carnaval”.

História é que não falta...

Palmas para o Choro no seu DIA NACIONAL – 23 de Abril e para o “Santo Pixinguinha”.

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Fonte de Pesquisa: - “O Choro: Ontem , Hoje e Sempre”, de Maria Laura de Castro Cardoso Macedo. 2008. (Meu 1º Post no Portal Luis Nassif, em 05/07/08).

- CD Uma História do Choro, produzido por Katsunori Tanaka e Henrique Cazes (Deckdisc – 2007).

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Organizamos uma "Pequena Cronologia do Choro", com base no livro "Almanaque do Choro", de André Diniz. Vale a pena conferir, clicando no título sublinhado.

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Exibições: 508

Comentário de Cafu em 23 abril 2009 às 23:53
Laurinha,
Isto aqui está lindo demais!
Estou estudando e ouvindo...uma delícia.
Obrigada.
:-)
Comentário de Ivanisa Teitelroit Martins em 23 abril 2009 às 23:54
Laura,
Que trabalho belíssimo! É pra passar a tarde comemorando!
Bjs,
Ivanisa
Comentário de Gilberto Cruvinel em 23 abril 2009 às 23:57
Nossa Laura,

Que belíssima homenagem ao Choro que você fez!
Uma beleza de post, completo, e as caricaturas e fotos do Pixinguinha,
que maravilha. Já recomendei o link para dois amigos que também são
músicos e adoram o Choro.
Estou ouvindo todos os choros que você colocou.
Uma delícia. Valeu mesmo Laura. Uma beleza de post
Comentário de Gregório Macedo em 24 abril 2009 às 1:39
VIVA O CHORO! Parabéns pela homenagem.
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 24 abril 2009 às 2:03
Pois é, quem já conhece meu trabalho aqui no Portal sabe da minha grande paixão pela MÚSICA e, em especial, pelo CHORO.

Cafu, Ivanisa e Gilberto, fiquei super feliz com os comentários de vocês :)))
Minha amiga Helô, gosta de dizer que costumo caprichar nos posts :))) Desta vez vou concordar um pouco com ela. Esse foi um dos post que amei ter feito.
Passei dias pensando na forma de abordagem da temática, na seleção das músicas, fotos, vídeos... e na montagem propriamente dita do post.

O que tenho a lamentar é o fato da mídia em geral, a nível nacional e a nível local (aqui em Teresina), em comparação com os anos anteriores, praticamente, deixou passar em brancas nuvens uma data tão significativa para a música brasileira e para um artista do quilate de Pixinguinha.

Valeu, mesmo!! Um grande beijo.
Comentário de Cafu em 24 abril 2009 às 11:53
A TV Brasil não se esqueceu do Dia Nacional do Choro nem do Pixinguinha. Vi ontem no Jornal da emissora. Depois acham que TV pública não é importante...
Beijos.
Comentário de Helô em 27 abril 2009 às 0:13
Laurinha
Ainda bem que você concordou comigo. O post foi pra minha lista de e-mails e se o Nassif não o tivesse destacado eu sentava o bandolim na cabeça dele, haha.
Só comentei agora porque queria ler cada frase que você escreveu, escutar as músicas com calma, enfim... saborear o seu post como ele merece.
Parabéns pelo belíssimo trabalho, minha amiga.
Beijos.

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