Dilma se reúne com lideranças cristãs e reafirma ser contra o aborto

Dilma se reúne com lideranças cristãs e reafirma ser contra o aborto





'Sou a favor da valorização da vida', afirmou a candidata do PT.
Petista afirmou 'repudiar' boatos de que teria dito que já está eleita.

Sandro Lima Do G1, em
Brasília

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)


Candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, durante encontro com lideranças religiosas em seu escritório político.
Candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, durante encontro com lideranças religiosas em seu escritório político.
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, se reuniu nesta quarta-feira (29), em Brasília, com lideranças católicas e evangélicas e reafirmou ser contra o
aborto. Caso seja eleita presidente, ela se comprometeu com as lideranças a não
apresentar proposta de plebiscito para a legalização do aborto. "Sou a favor da
valorização da vida. Eu já disse no debate da CNBB que sou pessoalmente contra o
aborto. É uma violência contra a mulher", afirmou.

Segundo Dilma, durante a reunião, as lideranças pediram que o governo não tome iniciativas a favor do aborto. "Pediram que o Estado não seja autor de leis, que isso fique a cargo do Congresso Nacional. Me disseram que deixe ao
Congresso a iniciativa".

Dilma defendeu entretanto, que mulheres que praticaram abortos em condições precárias possam ser atendidas pela rede pública de saúde. "Há mulheres que recorrem ao aborto em condições precárias. Elas precisam ser atendidas e
cuidadas", afirmou.

A candidata também repudiou boatos de que teria dito que já está eleita. "Quero repudiar a afirmação que colocam na minha boca de que eu disse em algum momento que ganharia as eleições. É uma campanha difamatória, que afirma que eu
disse em nome de Jesus que ganharia a eleição. Isso é uma falsidade. Eu sou
cristã e jamais utilizaria o nome de Cristo em vão", afirmou. "Não podemos
aceitar esse tipo de prática, não dialoga com a democracia", completou.

Dilma disse que pretende trabalhar em parceria com católicos e evangélicos nas áreas de saúde, educação e combate às drogas. A candidata afirmou que vai priorizar o "diálogo, parceria e colaboração com as igrejas cristãs" e disse ter
"compromisso com a família".

Após a reunião com as lideranças católicas e evangélicas, Dilma caminhou lentamente até o local da entrevista pois estava calçando uma bota ortopédica. Ela disse que não poderia ficar muito tempo em pé para não forçar a musculatura.
Dilma torceu o pé no início do mês ao fazer exercícios em uma esteira.




Eleições 2010

29/09/2010 - 15h23

Dilma faz reunião com evangélicos e católicos para desmentir boatos


MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA


Na tentativa de rebater a onda de boatos que circula entre evangélicos e católicos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, reuniu nesta quarta-feira lideranças dos dois segmentos para reforçar
que é contra os temas-tabus para os religiosos, como o aborto, e desmentir a
fala de que teria dito que nem Jesus Cristo tira dela essa eleição.

Dilma afirmou que esses boatos fazem parte do "submundo da política" e costumam aparecer na reta final das eleições.


A candidata disse que como católica "jamais usaria o nome de Cristo em vão".


"Eu lamento a campanha absolutamente difamatória que fazem contra mim dizendo que estou utilizando o nome de Cristo para dizer que nem ele me derrotava na eleição. Eu acho isso um absurdo uma calúnia, uma
vilania contra mim. E a imprensa sabe perfeitamente que isso é mentira, é
falsidade e a tentativa de sair do submundo da política e denegrir uma pessoa
como vocês sabem que sou cristã. Eu jamais usaria o nome de Cristo em vão",
disse a petista no evento que aconteceu em Brasília.


A petista afirmou que sempre evitou comentar pesquisas e chegou a pedir o "testemunho" dos jornalistas de que nunca fez tal declaração. Dilma disse que não espera nenhuma mobilização eleitoral dos
religiosos, mas só restabelecer a verdade.


"Eu queria repudiar algumas coisas que acontecem por ai e vocês [jornalistas] são testemunhas. Vocês perguntaram aqui, em todas as cidades, se eu me julgava eleita ou se tinha subido no salto. Vou pedir o
testemunho porque tudo que falei foi gravado. Eu repudio todas as afirmações que
colocam na minha boca , qualquer tentativa de achar que eu ganhei as eleições .
Eu recusei sistematicamente julgar esse processo eleitoral por pesquisa.


Dilma disse que nem essas ações a farão subir o tom na reta final da campanha. "Não podemos aceitar no Brasil que sistematicamente em véspera da eleição que esse tipo de prática ocorra. Isso não
convém com a democracia, mas tenta construir um ódio que não leva nada a
ninguém. Eu farei desse final de campanha um exemplo de que vamos apostar no
amor e na esperança para vencer o ódio e o medo", disse.


No caso dos boatos, a equipe de Dilma avalia que eles foram orquestrados, divulgando que a petista seria a favor do aborto e do casamento entre homossexuais.


Dilma reafirmou que é contra o aborto e disse que não defenderá um plebiscito - como defende a candidata do PV, Marina Silva -- e que mesmo com o PT defendendo uma discussão maior sobre o tema não a fará propor
nenhuma medida ao Congresso para descriminalizar a prática.


"Somos um partido democrático. Não se trata de desautorizar [a discussão], eu como presidente não irei tomar essa posição. Não sou a favor de modificação a legislação. Deixe ao congresso a iniciativa",
disse.


A petista reuniu 24 lideranças católicas e evangélicas, entre eles o candidato a deputado federal por São Paulo Gabriel Chalita (PSB) e o pastor Manoel Ferreira, coordenador do segmento evangélico da
campanha dilmista.


Na reunião, a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil0 não mandou representante oficial, mas dois padres estiveram presentes.


Na entrevista coletiva, Dilma pregou parceria com as igrejas e disse que são entidades importantes para ajudar na erradicação da pobreza, no combate às drogas. Dilma disse ainda que presidente não tem religião
e pregou a liberdade de crença.


http://www1.folha.uol.com.br/especial/2010/eleicoes/


retransmissão
Carlos Honorato




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