Discurso de Marco Antonio nos funerais de Cezar

Discurso transcrito por Plutarco (Vidas) e transposto para o teatro pelo gênio de William Shakespeare

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Peça de oratória que foi pronunciada por Marco Antônio, nas escadarias do Senado Romano, em frente ao corpo de Cezar, assassinado a facadas pela conspiração de Brutus e Cassius.

Para se entender o lance político do discurso é preciso explicar um pouco o contexto em que foi feito. O assassinato de Cezar havia sido bem aceito pela população, já que a explicação dada por seus autores foi a de que Cezar estava prestes a dar um golpe e se auto-nomear Rei, o que em Roma era absolutamente inaceitável.

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Júlio Cezar foi traído por Brutus e Cassius

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Marco Antônio era muito próximo de Cezar, correu o risco de morrer junto com ele, e, para evitar que reagisse ao ataque, foi distraído por um dos senadores da conspirata para uma conversa fora do local do crime.

Consumado o assassinato de Cezar, Marco Antônio, procurado pelos conspiradores, acertou com eles que falaria no Senado em prol da pacificação dos ânimos. Preservou assim a sua prerrogativa de fazer o discurso fúnebre de Cezar.

Neste discurso, frente a uma massa de cidadãos que até há pouco apoiavam e admiravam a Cezar, mas que agora o condenavam, Marco Antônio começa dando razão aos conspiradores, para ganhar tempo e ser ouvido pela massa.

Seguindo uma estrutura em que: na primeira frase condena Cezar, reitera que Brutus é um homem honrado, para na próxima frase dizer "mas...", e dar um exemplo real da grandeza, bondade, lealdade e do amor que Cezar tinha pelo povo de Roma, pouco a pouco Marco Antônio consegue mudar o estado de espírito da massa voltando-a contra os assassinos de Cezar.

O orador, com invulgar habilidade, inicia submetendo-se ao sentimento dominante (anti-Cezar), mas encontra uma forma sutil de dialéticamente afirmar ao mesmo tempo a crítica e a observação positiva. Como esta última é mais poderosa que a primeira, aos poucos vai recuperando a imagem positiva de Cezar, relembrando suas boas ações, seu patriotismo, suas virtudes, de forma a deixar para o povo a conclusão da enormidade do crime praticado não mais contra Cezar, mas sim contra Roma e o povo romano.

O Cezar odiado volta a ser o Cezar amado, e ressurge para a vida política com os que lhe permaneceram fiéis, e no ódio aos seus inimigos. É tentador lembrar a dramática mudança da reação popular à morte de Getúlio, depois dos discursos de políticos como Tancredo e Brizola. O Getúlio impopular de um dia atrás, ressurgia para a política nas palavras dos seus representantes, e na emoção popular.

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O discurso de Marco Antonio nos funerais de Cezar

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"Amigos, romanos, conpatriotas ouçam-me. Eu vim para enterrar Cezar e não para exaltá-lo. O mal que os homens fazem sobrevive depois deles, o bem é quase sempre enterrado com seus ossos. Assim seja com Cezar.

O nobre Brutus lhes disse que Cezar era ambicioso. Se isso é verdade, foi uma falta grave e gravemente Cezar respondeu por ela. Com a permissão de Brutus e dos demais, porque Brutus é um homem honrado, assim eles todos, todos homens honrados, venho eu aqui falar nos funerais de Cezar. Ele era meu amigo, leal e justo comigo. Mas Brutus disse que era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Ele trouxe muitos prisioneiros para Roma cujos resgates encheram os cofres públicos. Era nisto que Cezar parecia ambicioso? Quando os pobres choravam, Cezar chorava. A ambição devia ser de uma substância mais dura. Mas Brutus disse que era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Todos vocês viram que nas Lupercais, três vezes eu lhe ofereci a coroa real e três vezes ele recusou? .Era isto era ambição? Mas Brutus diz que ele era ambicioso e sem dúvida alguma Brutus é um homem honrado.

Eu falo não para desaprovar o que Brutus falou. Mas estou aqui para falar o que sei. Todos vocês o adoravam e não sem motivo. Que motivo os impede então de chorar por ele agora?”

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Discurso de Marco Antonio frente ao corpo de Cezar na interpretação do ator Juca de Oliveira
http://bandnewsfm.band.com.br/audio/JUCA_0306.mp3

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Fonte: Programa Devaneio da Radio Band News FM
http://bandnewsfm.band.com.br/colunista.asp?ID=146

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Fonte da explicação do contexto do discurso:

Francisco Ferraz no site Politica para Politicos

http://www.politicaparapoliticos.com.br/interna.php?pagina=3&t=750456

Exibições: 1983

Comentário de Marco Antônio Nogueira em 5 junho 2010 às 22:28
Caro
GILBERTO CRUVINEL,

Permita-me deixar aqui
minha opinião:
a melhor e mais bela
tradução desse discurso
foi a de CARLOS LACERDA,
que começou assim:
"Amigos romanos, concidadãos,
emprestem-me os ouvidos ..."

Marco Antônio Nogueira

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