Sou como uma andorinha triste
Em dias sem primavera...
Como aquela nuvem sozinha
Que o dia está a nublar
O amor em meu peito fez ninho
A nuvem se vai com o vento
Mas o amor não conhece o tempo.
O tempo revela o avesso
Desta alma desalentada
Que vive embriagada
De uma saudade tão doída
De uma vida sem alegria...
Ah, como quisera esquecer
Esta dor que me esmaga o peito
Mas este é um mal sem jeito!
Amores secretos
Que não conhecem o fim
Sabem deles os poetas
Que também sofrem assim...
Vejo beijos de namorados
Que pelas praças estão a sonhar
E busco aquele olhar de outrora
Que me despia nas auroras
E em noites de luar...
Hoje mora comigo a solidão
Que me trouxe a sina
De viver insone
Pelas madrugadas a chorar
Como uma louca desatinada...
Ah, amor,
Sei que em um dia qualquer.
Virás me buscar
Talvez até noutra vida,
Quem sabe?
E de novo vou me aninhar
Em teus braços benditos
E matar a dor infinita
Que tenho no peito cravada...
Ah, vida, tem piedade
Deste coração doente
E me leva depressa
Docemente, mansamente,
Ao encontro de meu amado
Que devolverá a alegria
Ao meu coração cansado...

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