Dorothy fez história de novo - Paulo Moreira Leite

Estou impressionado com a baixa repercussão do julgamento de Regivaldo Galvão, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang, ocorrido há cinco anos, no interior do Pará. Na madrugada do último sábado Galvão foi condenado pelo juri popular a uma pena de 30 anos de prisão e este é um fato importantíssimo.

Não é todo dia que a Justiça é capaz de fazer cumprir a lei quando um cidadão de relativa força econômica e importantes conexões políticas senta-se no banco dos réus. Ao contrário do que já ocorreu em outros casos que envolvem conflitos de terra em pontos distantes do país, Galvão não é um mandante qualquer.

É acusado de utilizar laranjas que são proprietários nominais de oito fazendas
avaliadas em R$ 4,5 milhões cada uma — todas obtidas pelo método de grilagem de terras publicas, beneficiadas pelo desvio de verbas da Superintendencia da Amazonia (SUDAM).

O ambiente de violência e impunidade neste ponto do país é tamanho que colocou em risco a isenção do próprio julgamento. Uma testemunha-chave da acusação, capaz de desmontar o principal álibi de Galvão, que sempre sustentou que não possuia “um centímetro de terra”, alegando com isso que não poderia ser acusado de determinar o assassinto da religiosa por falta de interesse material, ficou com receio de prestar depoimento. Essa decisão privou o juri de informações importantes sobre o caso.

Mesmo assim, Galvão foi condenado. Ele pode apresentar recurso, é claro, mas a sentença de sexta-feira representa uma decisão importante num país onde a impunidade segue a regra nos crimes que envolvem a questão da terra.

Como diz irmã Jane, religiosa que sempre esteve ao lado de Dorothy na mobilização da população pobre do interior do Pará, a sentença está longe de assegurar a vigência do Estado de Direito no país. Mas representa um passo nesta direção.

Ativista social que transformou a defesa dos mais humildes num combate político, onde investigava irregularidades e denunciava privilégios de quem tem acesso aos cofres do Estado, a tragédia de Dorothy também fez história.

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Comentário de elizabeth em 8 maio 2010 às 2:13
Paulo tem razão. Baixa repercussão de um julgametno importante, um precedente, quase nunca se condena esses matadores e ainda mais a 30 anos de cadeia.Uma tragédia que, infelizmente, também ficou na historia desse país de tão abissais diferenças.
Comentário de Stella Maris em 16 maio 2010 às 17:34
Pois é Cabocla, nesta semana, em Juazeiro do Norte/ Ce, mais um defensor da causa ambientalista foi executado. O agente comunitário José Maria... mais uma vitima do agro/negócio.. mais uma impunidade, sim, pois nem repercussão na mídia teve. Só mesmo o nosso lamento. um abçs a vc e a beth.

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