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Dureza era na ditadura. Lula nocauteia Globonews.

"...Quem salvou a entrevista foi Lula com algumas respostas inteligentes e até desconcertantes para o jornalista.

Começou com uma "pegadinha" suja que não deu resultado: D'Avila lembrou o telespectador antipetista que era hora de bater panelas. Disse que, no avião em que veio, uma pessoa a seu lado mostrou uma mensagem no celular convocando a bater panelas na hora da entrevista, e o que o presidente Lula achava dessas manifestações.

Pelo-amor-de-Deus! Um jornalista experiente que entrevistou outros chefes de estado estrangeiros, que viveu os bastidores da política por dentro, se prestar a essa mediocridade? Ainda mais que isso até já perdeu a novidade e esfriou. Em vez de perguntar coisas muito mais importantes, até no contexto mundial?

Mas Lula tirou de letra, dizendo que dureza era na ditadura que proibiam de protestar. Agora, ele não se incomoda com cada um se manifestar como quiser. Quem quiser "bater panela, bater cabeça..." que faça como quiser.

Aqui perto de casa não ouvi paneleiro nenhum batendo panela. Se preferiram bater cabeça, aí eu não sei dizer.

Depois, outra pergunta grosseira, desqualificando Dilma. Quis atribuir a crise à Lula por ter sido ele quem escolheu Dilma como sucessora, sem que ela fosse "nem vereadora" (como se ministra e secretária de estado não contasse nada).

Outra mediocridade jornalística, porque esse questionamento está com prazo de validade vencido há 5 anos, desde as eleições de 2010.

Lula explicou que não é justo jogar toda a culpa em Dilma, porque a economia mundial toda está em crise e Dilma controlou os efeitos dessa crise o quanto pode no primeiro mandato.

O erro que pode ter havido é ter apostado além da conta em subsídios e desonerações para empresas manterem o crescimento e o emprego. E tem o problema do Congresso ter votado pautas-bomba [dentro da estratégia "quanto pior, melhor"] que atrasam a recuperação do crescimento.

Lula ainda deu duas boas respostas desconcertantes:

A primeira é que, se ter mandato político antes fosse critério para ser presidente, quase todos os presidentes do Brasil eleitos que o antecederam tiveram vários mandatos e falharam.

Lula disse que o mais importante é o conhecimento e o compromisso com as necessidades do povo e isso a Dilma tem como poucos.

Ainda na pauta de crise, crise, crise... Lula disse que tem gente que parece um pai que, na primeira febre, quer jogar a criança fora, que só quer cuidar do filho quando ele está bem.

Os críticos, como os jornalistas e a oposição, têm de entender que o Brasil precisa ser cuidado nas horas boas e nas horas de crise".

"....Outro desperdício de pergunta foi sobre se Lula teria interesse em conversar com FHC para resolver a crise política. A pergunta é ruim porque é mero exercício de querer valorizar o papel de FHC que ele não tem mais. Primeiro, porque o PSDB, com uns 50 deputados e ainda por cima golpistas, nem tem cacife para liderar pactos propositivos dentro do Congresso, e muitos desses 50 deputados não estão nem aí para o que FHC diga.

Lula usou palavras suaves e educadas para dizer que não, porque não vê utilidade. Disse que FHC teria que conversar com o PSDB primeiro. Traduzindo para o popular, disse que é inútil conversar com FHC porque o PSDB não tem e não quer soluções, quer atrapalhar o governo porque acham que precisam destruir mais o Brasil do que FHC destruiu para os tucanos terem chance de voltar ao poder".

Leia as muitas e boas considerações sobre a entrevista concedida por Lula, ontem

A manipulação sem limites mora na Veja

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