"E para que ser poeta em tempos de penúria?"

O simpático Substantivo Plural ( www.substantivoplural.com.br) vai publicar amanhã, dia 12 de agosto de 2010, às 14:56 , o poema longo “E PARA QUE SER POETA EM TEMPOS DE PENÚRIA?”, do escritor pernambucano Fernando Monteiro.
O título é um verso retirado de poema do poeta Roberto Piva, que faleceu recentemente. O poema homenageia Piva e ao mesmo tempo reage com vigor à atual cena cultural/literária brasileira.
Também homenageia o editor Massao Ohno.

No sábado, 14, às 15h, o poema será lido durante a Flash Mob, na Bienal do Livro de São Paulo.

Um trecho


A pergunta de Piva – essa fissura –
revela meramente o que ela revela,
pois o cão do derradeiro livro
não produziria um ganido,
ao latir para tímpanos blindados
pela incultura.

É claro que faltavam conforto, vinhos
e rosas,
sendo parcas as rendas do herdeiro
de antigas terras sumidas
com roseirais na bruma.
E poucos os meios (mais do que os fins)
para os longos fins de semana,
o garoto da banca de revistas,
a importada edição dos inéditos
de Pier Paolo Pasolini.

Tudo tão verdadeiro quanto distante
da essência de outras penúrias
entre esquinas de garoas
e galerias de arte em vernissages
cujo rumor de cálices noturnos
chega aos guardadores de carros
como a música do paraíso
de inalcançáveis perdizes.

Para que ser poeta em tempos assim?

Exibições: 111

Comentário de Stella Maris em 11 agosto 2010 às 20:33
Beth, Ah! se eu estivesse em SAMPA, com certeza não perderia.
sds.
Comentário de elizabeth em 11 agosto 2010 às 20:35
Stellita, vai ser publicado também no site indicado acima.
Comentário de elizabeth em 11 agosto 2010 às 20:47
é um pessoal do Rio Grande de Norte, veja que legal.
Comentário de Marco Antônio Nogueira em 11 agosto 2010 às 21:22
Cara
ELIZABETH,

Quando assunto é POESIA,
é crime não lembrar de
PATATIVA DO ASSARÉ, ou
Antônio Gonçalves da Silva,
(Assaré, Ceará, * 5 de março de 1909
— + 8 de julho de 2002).

Assim registro aqui uma
de suas mais belas poesias.

Penso que PATATIVA
merece um POST.
Por que, então,
não falemos dele?

PATATIVA é, sem a menor
sobra de dúvida, um dos
maiores poetas brasileiros.

E pensar que só
aos doze anos e que veio a
frequentar a escola local,
na qual foi alfabetizado,
por apenas alguns meses.
Sim, PATATIVA só sentou
em bancos de escola
por 6 meses.

O PEIXE

Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.

Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!




Patativa do Assaré
Comentário de Stella Maris em 11 agosto 2010 às 21:23
Engraçado vi o site . mas não percebi que era do RN, vou pesquisar mais.
Comentário de Stella Maris em 11 agosto 2010 às 21:35
Beth, a minha filha tem tanto gosto em comprar livros aí em S.P.pra me presentear, já até encomendei o teu ( Tinhorão, O legendário,) e o R. Piva tá na lista.
Comentário de elizabeth em 11 agosto 2010 às 22:47
Cocordo integralmente, Marco Antonio, Patativa é um de nossos maiores poetas. Entre eles, sem duvida está Roberto Piva, recentemente falecido, e que precisou de ajuda dos amigos para uma dolorsa via crucis de internação hospitalar.
Aqui um de deus poemas;
IV

Dêem-me um anestésico. A vida dói e arde.
Não sei controlar meus impulsos demoníacos.
Não acredito em forças de outro mundo.
Sou eu, meus versos e o perigo das frações.

Arranco minhas víceras poéticas do ostracismo.
Trezentos dias e cinqüenta noites marianas.
O caracol de meus cabelos caídos no chão de espelhos.
O sangue e os olhos transformados em areia cinza.

A árvore sem galhos escondem os meninos saltimbancos.
Foi-se o tempo em que se acreditava nas histórias ditas.
Sempre começo pelo meio e jamais olho para os lados,
enquanto rio e sufoco meu próprio rosto turvo.

Minha maquiagem, os primeiros tombos das gaivotas.
Atiro farpas e pragas para antigos e mórbidos desejos.
A torre delirante de um neocórtex em latência,
ou o pedúnculo, ou o miocárdio, ou o octocentésimo.

Quatro poemas nos espaços angustiados do processo.
Sou eu? Sou ateu? De que me valem as respostas?!
As idéias me levam ao eterno estado de castidade
entrelaçado neste puro estado de sonho e malogro.
Comentário de elizabeth em 11 agosto 2010 às 22:48
Stellita é um site bem legal, conheci outro dia porque me enviaram o link e a noticia sobre a homenagem ao Piva.Espero que voce goste dos livros, beijo
Comentário de elizabeth em 11 agosto 2010 às 22:57
"Não acredito em poesia experimental sem vida experimental"
Comentário de Simone-Rosa Tupinambá em 11 agosto 2010 às 23:16
Que chegue essa primavera pra Piva, pela honra e pelo prazer de vivermos em sua companhia. Guiados pelas suas mãos, Elizabeth.
Merci, beijos.

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