Endossando, nesta mesma data, o discurso (ensaio) que acabo de publicar, aí está o Editorial do grande jornalista Geraldo Elísio (Prêmio Esso Regional de Jornalismo), atestando o meu protesto e a minha desesperança com o fim da corrupção no Brasil e o desrespeito ao povo brasileiro pelos próprios brasileiros que comandam politica (governos federal e estaduais) e judicialmente (STF) a Nação.
Leila Brito
EDITORIAL II: SINDICATO DE LADRÕES
GERALDO ELÍSIO
09/11/2009
www.novojornal.com
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” - Rui Barbosa
Não estamos falando do filme dirigido por Elia Kazan e estrelado por Marlon Brando. Infelizmente, “o argumento” é o atual quadro institucional do Brasil com as suas inacreditáveis inversões de valores. De forma premonitória, há alguns anos passados Olavo Leite Kafunga Bastos, ex-goleiro do Atlético Mineiro, comentarista esportivo e vereador dizia: “No Brasil o certo é o errado”.
Pois não é que o “banqueiro condenado” Daniel Dantas – não apenas ele, mas muitos outros marginais – continuam soltos pelas ruas do País enquanto uma onda sem precedentes de corrupção – principalmente nas instituições da República - avassala a Nação carente de educação, saúde e segurança pública, com a bandidagem tomando conta das ruas porque têm certeza absoluta da impunidade.
Porém, o delegado Protógenes Queiroz, suspenso de suas atividades por 60 dias na Polícia Federal, corre a ameaça de ser desligado da corporação simplesmente por ter fechado o elo da corrupção no Brasil, atividade que envolve muitos “brancos de olhos azuis”, colarinho claro e fartas contas bancárias aqui e no ultramar. Realmente e infelizmente o velho Kafunga estava certo: “No Brasil o certo é o errado.”
Ronald Biggs, o ladrão inglês do trem pagador, fugiu para o Brasil, virou até atração turística e, quando preso – justiça seja feita, de forma ilegal em território brasileiro e levado para a Inglaterra – até o Itamaraty se mobilizou para que ele fosse trazido de volta. O que de resto não importa. Um a mais um a menos, que diferença faz?
Mas ao apagar das luzes da sua vida, Biggs se entregou à polícia inglesa e hoje curte o tempo que lhe resta em sua própria terra. Claro, Daniel Dantas e outros brasileiros do mesmo naipe não terão este laivo de oportunismo ou consciência, ou quem sabe, as duas situações conjuntas.
Penso até, deveria ser feita uma revisão a partir de uma pesquisa histórica aprofundada. Tudo leva a crer, não foi pelo lado das Arábias e sim por aqui mesmo que existiu um certo Ali Babá que junto a um grupo de 40 amigos morava em uma caverna.
Hoje o número é bastante ampliado e os devotos dele se encontram até em esplanadas e, se for o caso, não terão dificuldades em construir gigantescos condomínios. E como para existir cavernas são necessárias serras e montanhas, aí vai um dica: Minas Gerais é o Estado mais montanhoso do Brasil.
Este espaço é permanentemente aberto ao democrático direito de resposta a todas as pessoas e instituições aqui citadas.
gelisio@novojornal.com
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