"eu não sei de nada, mas desconfio de muita coisa", Guimarães Rosa.

 

Caros ociosos, ou seria melhor dizermos, 'preguiçosos'?

 

Gostaria de fazer uma comentário sobre a palestra brilhante e maravilhosa do Prof. Jean-Pierre Dupuy de ontem, que por sinal, questiona, em parte, a tese do 'Elogio a Preguiça'.

 

Ao longo e ao final de sua palestra e ao responder a única pergunta da platéia, devido ao tempo, ficou claro na minha visão, que ele estava falando de um assunto que toca a fronteira da ciência e da vida de nosso tempo, entre o mundo das teorias físicas e o mundo da natureza, ou ciências duras, entre o pensamento filosófico determinista cartesiano dos últimos séculos e um novo pensamento das últimas décadas, que, talvez, poucos de nós sabemos:

 

“Ao longo das últimas décadas, um conceito novo tem conhecido êxito cada vez maior: a noção de instabilidade dinâmica associada ao 'caos'. Este último sugere desordem, imprevisibilidade, mas veremos que não é assim. É possível (...) incluir o caos nas leis da natureza, mas contanto que generalizemos essa noção para nela incluirmos as noções de probabilidade e de irreversibilidade ”.

Ilya Prigogine, “As leis do caos”, Unesp, SP, 2002, p:8

 

Vi está frase em um artigo recente do cientista Político, José Luis Fiori (Recorrências e incertezas), e a engenharia das idéias fez-me rever o que não se ensinava ainda na carteira da faculdade dos anos 80's (a ciência, quase sempre está atrás dos fatos, mas a crença nela,....), dois livros de Ilya Prigogine, a qual recomendo, imensamente: "As leis do caos". São Paulo, Editora Unesp, 2002 e "O fim das certezas". São Paulo, Editora Unesp, 1996. Creio que boa parte das ideais na apresentação do Prof. Jean-Pierre Dupuy, se refere também aos pensamentos e questionamentos de Ilya Prigogine.

 

Passamos o século XX, aceitando e repetindo o pensamento de uma grande cientista, e superstar, Albert Einstein, "o tempo é uma ilusão", no fim do século XX, o Nobel de química, Ilya Prigogine, brindou-nos com uma nova reflexão, "o tempo precede a existência" (1985), questionando a visão até então aceita, que "o tempo é uma ilusão", as questões de tempo e espaço, mas também a teoria do Big-Ban, na qual se argumenta, na teoria, que o tempo nasceu com o Big-ban, o qual ele comenta sobre a fala de outros cientistas, que essa teoria é uma história ainda mal resolvida da teoria da física, ou seja, esse debate tem chão e muita água ainda vai passar por debaixo da ponte, mas a vida continua,..., quem viver verá, mas muitos de nós temos poucas chances nesse caminhar, pois ao observar por alto, a média de idade das pessoas no evento em sampa e pelo vídeo no Rio, creio que deve ser acima de 60 anos, pode ser que estou exagerando, é bem provável, mas me permita uma casquinha aqui, prezado Adauto Novais, me pergunto, por onde anda a moçada jovem, quando é que esses vídeos serão disponibilizados para a grande massa? Só no livro do ano que vêm?

 

Voltemos ao que diz Ilya Prigogine em seus escritos, é inegável o desenvolvimento das ciências físicas, no século XX chegamos a bomba atômica e a conquista da Lua, a ciência e a tecnociência ocupam quase todos os espaços, e como nos lembrou Marilena Chauí, estimulado pelo pensamento hegemônico, ao contrário da ciência sociais, desestimulado e 'barrado no baile' da dança do pensamento hegemônico.

 

Mas gostaria de lembrar um dos autores preferido de Adauto Novaes, que já vislumbrava os efeitos bem antes dos 'sucessos' da ciência e tecnociências, Paul Valéry:

 

“All the nations we thought solid, all the values of civilized life, all that made for stability in international relations, all that made for regularity in the economy . . . in a word, all that tended happily to limit the uncertainty of the morrow, all that gave nations and individuals some confidence in the morrow . . . all this seems badly compromised. I have consulted all the augurs I could find, of every species, and I have heard only vague words, contradictory prophecies, curiously feeble assurances. Never has humanity combined so much power with so much disorder, so much anxiety with so many playthings, so much knowledge with so much uncertainty” (Paul Valery, “Historical Fact”, 1932), The Art of the Long View, page xviii, Peter Schwartz, 1996.

 

Gostaria de deixar um link para "Um Caminho Estreito" (o último capítulo do livro de Ilya Prigogine, "O fim das certezas"), o livro, como a fala final é memorável, na qual ele lembra idéias de Ítalo Calvino, René Descartes, Isaac Newton, Leibniz, S. Toulmin, Albert Einstein, Gödel, Peter Scott, Richard Tarnas, Jorge Luiz Borges (Uma nova refutação do tempo), Dostoievski, Max Born, Shakespeare, Beethoven, Van Gogh, Clausius, Whitihead, ....., ou seja, será que as idéias das 'ciências duras' não estão mais maleáveis? Descubra-as.

 

ILYA PRIGOGINE: O fim das certezas- Um Caminho Estreito

http://blogln.ning.com/profiles/blogs/ilya-prigogine-o-fim-das-cert...

Sds,

Conti-Bosso

 

P.S.: 'Elogio à preguiça', palestra do Prof. Jean-Pierre Dupuy, comentário que fiz no site, creio que ainda a ser analizada, "Um Caminho Estreito", para aprovação.

Exibições: 130

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 30 agosto 2011 às 17:29

Ilya Prigogine

 

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço