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LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


Em 2030 precisaremos de dois planetas Terra para manter o atual consumo de recursos naturais decorrente das atividades humanas. Entretanto, é preciso destacar que o estilo de vida não é homogêneo em todo o mundo – alguns países exploram mais as fontes ecológicas que outros. Se a população mundial, por exemplo, vivesse como na sociedade norte-americana, necessitaríamos de quatro planetas e meio para sustentar o consumo. Enquanto que na China, principalmente por conta da densidade populacional e alta produção de mercadorias, seria preciso descobrir um planeta similar a Terra para iniciar novas explorações.

A análise foi divulgada no relatório Planeta Vivo, publicado a cada dois anos pela organização ambientalista WWF, com base no Índice Planeta Vivo (IPV) – extraído de comparações entre a Pegada Ecológica, feita pela Rede de Pegada Global (Global Footprint Network – GFN), e a biocapacidade disponível em níveis global, nacional e local.

Biocapacidade é a quantidade de área biologicamente produtiva, como zona de cultivo, floresta, pesca e pasto. A Pegada Ecológica é a área necessária para produzir os recursos que utilizamos para absorver as emissões de carbono – o nível global desse índice hoje, portanto, o consumo da biodiversidade e recursos minerais, excede cerca de 30% da capacidade de regeneração do mundo.

A Pegada Ecológica aponta que a área necessária para cobrir as explorações humanas chegou a 2,7 hectares per capita. Entretanto, a área disponível hoje, por pessoa, é de 2,1 hectares. Os países com as maiores Pegadas nacionais (per capita) são Emirados Árabes, Estados Unidos, Kuwait, Dinamarca e Austrália. As cinco nações com as menores áreas são Maláui (localizada no leste africano), Afeganistão, Haiti, Congo e Bangladesh.

Biocapacidade

Oito países concentram metade da biocapacidade do planeta – Estados Unidos, Brasil, Rússia, China, Índia, Canadá, Argentina e Austrália. Os três países que mas prejudicam o sistema – considerados devedores ecológicos por demandaram meais recursos naturais do que podem oferecer e absorver – são Estados Unidos (pegada 1,8 vezes maior do que a biocapacidade nacional), China (2,3 vezes) e Índia (2,2 vezes).

“Em termos regionais, somente os países europeus fora da União Européia e os países da África, da América Latina e Caribe permanecem dentro dos limites de sua biocapacidade”, ressaltam os responsáveis pelo relatório. EUA e China somam cerca de 21% da biocapacidade global – um cidadão norte-americano demanda uma média de 9,4 ha – espaço para absorver ou produzir todo material gasto com suas atividades. Um chinês, consome e libera resíduos que só poderiam ser restaurados num espaço de 2,1 ha.

“Um contraste se comparado com o Congo, que tem a sétima mais alta biocapacidade por pessoa, com 13,9 ha do mundo por pessoa, e uma pegada média de apenas 0,5 ha do mundo por pessoa”, completam. As condições do país africano, entretanto, não são favoráveis para um estilo de vida pleno devido a sua biocapacidade degradada por desmatamento e aumento da demanda populacional.

Para acessar o relatório (em inglês) na íntegra, clique aqui.
Para acessar o resumo executivo (em português), clique aqui.

Tags: ambiente, ipv, meio, planeta, vivo, wwf, índice

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NaT Comentário de NaT em 24 setembro 2009 às 16:09
Previsões catastróficas podem ser usadas positivamente (promover conscientização ambiental, evitar consumo desnecesário, a solidariedade, cooperativismo, etc) ou negativamente (gerar pánico e desinformação, manipulação, etc).
Temos que analizar este tipo de informação com cautela. Muitas outras previsões catastróficas já foram feitas e depois as coisas não eram bem assim. A "mudança climática" pode vir a ser usada para justificar regimes totalitários, ataque à soberania de países do terceiro mundo, etc?
Meio Ambiente Comentário de Meio Ambiente em 24 setembro 2009 às 17:52
Sim sim, a WWF também produziu um relatório com medidas capazes de mudar o cenário:
http://www.wwf.org.br/index.cfm?uNewsID=7480 (Soluções Climáticas).

Mas é importante ressaltar que esse estudo foi realizado com dados levantados desde a década de 1970 até os dias de hoje. O IPCC tem previsões semelhantes e utilizam esse tipo de abordagem justamente para chamar a atenção para um fato que está se consumando. No Brasil nunca houve casos de furações, ou outras modalidades de tempestades, entretanto na última década foram registrados pelo menos dois casos - com mortes - em Santa Catarina. Outro exemplo, é que pela primeira vez na história da humanidade a calota de gelo polar no Artico ficou rodeada de água, provando que o aumento global de temperatura de fato está ocorrendo.

Gostaríamos de salientar, ainda, que a Comunidade do Luis Nassif, procura publicar com frequencia estudos relacionados às editorias que cobrimos, justamente para fomentar o debate.

E posições como a sua, preocupadas em abordar novas medidas para enfrentar problemas ambientais, sempre serão bem vindas.

Contribua com o Portal! Caso tenha alguma pesquisa interessante, mande para nós.

Abs!
NaT Comentário de NaT em 24 setembro 2009 às 18:02
Não sou contra a preservação do meio ambiente ou ações que forcem os governo a tomar medidas contra o desmatamento, destruição do meio ambiente, etc, mas me preocupa como isto pode ser usado. Entende? É a mesma coisa que a "guerra contra o narcotráfico" ou a "guerra contra o terror". Parecem causas justas mas podem ser usada para interesses não tão justos assim. Acho que a defesa do meio ambiente pode ser manipulada por setores que não estão nem um pouco preocupados na natureza. O pánico gerado pela mudança climática pode ser muito bem aproveitado por alguns espertinhos de plantão, por isso falei em cautela.
Tenho acompanhado alguns estudos que defendem que os mesmos gazes que causam o efeito estufa podem causar resfriamento, devido a um aumento das nuvens e menor exposição solar, tanto é que o ano mais quente foi o de 2005. Preservemos o meio ambiente mas preservemos principalmente nossa capacidade de análise para que não sejamos tão facilmente manipulados por noticias catastróficas.
Um abç
NaT Comentário de NaT em 24 setembro 2009 às 18:38
Veja este artigo, por exemplo:

http://oglobo.globo.com/fotos/040326_capa_ciclone_02_b.jpg

Um furacão de categoria 1 se formou a cerca de 442 km da costa sul do Brasil, surpreendendo meteorologistas - que nunca viram a ocorrência de tal fenômeno na região. De acordo com o jornal Miami Herald, o furacão tem ventos de entre 119 km/h e 152 km/h e, aparentemente, estaria se aproximando da costa. O fenômeno pode atingir o Brasil em três dias.
Imagens de satélite mostram o furacão, que ainda não tem nome, na região do litoral do Estado de Santa Catarina. Furacões são comuns em certas épocas do ano, especialmente no verão - mas só no hemisfério norte.

"Aparentemente, é nosso primeiro furacão do Atlântico Sul em toda a história, pelo menos o primeiro que nós já vimos", disse ao Herald Jack Beven, um meteorologista do centro de estudo de furacões em Miami. "Nós sabemos que nunca houve um furacão naquela região, pelo menos desde o início do monitoramento do clima com o uso de satélites, na metade dos anos 60, no mínimo".
(o certo não seria dizer que desde 1960, que a área começou a ser monitorada, não havia sido observada a formação de um furação? Mas por alguma razão eles preferem colocar que nunca antes houve furacões naquela área. É esse ponto de vista o que gerou minha observação, entende?)

"Estamos todos meio que com a pulga atrás da orelha aqui. Não temos exatamente o equipamento que precisamos para analisar essa área", disse Beven. Mas, segundo Odete Marlene Chiesa, do Instituto Nacional de Meteorologia em Brasília, os Estados Unidos já estão ajudando o Brasil, fornecendo informações atualizadas sobre o fenômeno. "Já estamos vendo o monitoramento deles, inclusive a posição exata desse centro de baixa pressão ou furacão. Já estamos em contato e monitorando o monitoramento dos Estados Unidos", afirmou.

"Estamos ainda debatendo se é ou não um furacão (mas), de acordo com nossas estimativas, com certeza é", declarou Wally Barnes, meteorologista do Instituto Nacional de Furacões dos Estados Unidos, com sede em Miami. "A área de impacto (em terra) é uma área possivelmente muito rasa, de pouca elevação. Por isso, ela tem muito potencial de inundação e, obviamente, de muitos estragos, de forma que estamos muito preocupados".

"A característica, pela foto de satélite, é de furacão, porque tem um olho bem definido, a circulação circular, está totalmente desprendido da frente fria", conclui Odete.
Rogério Maestri Comentário de Rogério Maestri em 15 outubro 2009 às 21:11
Há uma imprecisão histórica nesta afirmação:

“Em termos regionais, somente os países europeus fora da União Européia e os países da África, da América Latina e Caribe permanecem dentro dos limites de sua biocapacidade”

Os países Europeus, tanto os fora da União Européia como os dentro, já devastaram suas matas e alteraram o equilíbrio para uma situação de "sustentabilidade" dentro de um padrão de total falta de Biodiversidade. Países como a Polônia, para citar um de área significativa, possuíam grande parte de sua área coberta de matas, essas foram devastadas há séculos e o ambiente achou outro equilíbrio. Este novo equilíbrio a custa da devastação de suas florestas e fauna (os últimos foram os bisões, ursos e lobos) é hoje tido como normal, ou seja, quem devastou primeiro é politicamente correto, quem chega atrasado à festa é incorreto.

Ninguém é favorável a eliminação de florestas ou eliminação da biodiversidade, mas passivos são passivos, toda esta conversa parece a do político que assume o governo e era de oposição e diz: “Quem roubou não rouba mais, só vamos controlar daqui para diante”.

Quanto à ausência de furacões nas nossas costas, é uma questão simplesmente de observação, os Estados Unidos controla a existência dos mesmos há mais de 110 anos, logo o registro e o acompanhamento dos mesmos levam a não se ter surpresas. Mesmo passado alguns dias do furacão Catarina havia uma grande discussão sobre o que ocorrera, tudo isto devido a não existência de um serviço de meteorologia voltado para isto. Para ilustrar melhor podemos lembrar que entre o norte do Rio Grande do Sul e o Sul de Santa Catarina sabe-se a longa data que é um local sujeito a tornados, entretanto só agora quando o clima é notícia atribui-se ao aquecimento global a origem dos mesmos.

Os exemplos tomados para mostrar a capacidade de sustentabilidade são enigmáticos, Caribe, países africanos em geral e o Congo em especial, isto mais parece uma provocação do que qualquer coisa. O que garante a “sustentabilidade” desta população é a fome, a mortalidade infantil e a miséria, ou seja, é esta a sustentabilidade que se está procurando? Não entendo como se tem a cara de pau de citar Caribe (Haiti, por exemplo) e a África como paradigma para alguma coisa. Que tal antes de mexer no terceiro mundo não seria melhor fazer os países como a Bélgica e Holanda serem “sustentáveis”, se tivéssemos a densidade populacional desses dois países teríamos uma população de 2.904.769.066 e 3.426.201.175 respectivamente. Porque no local de sugerir tecnologias caras e insustentáveis para países miseráveis (mantendo os mesmos sustentáveis) não se sugere a esterilização de grande parte da população Européia?

É fácil estabelecer parâmetros para outros viverem sem olhar no seu interior, quem está consumindo as árvores da Amazônia, como consumiram grande parte da Mata Atlântica (Pau Brasil, para colorir suas roupas e chocolate e café para suas refeições) foram os Europeus, é interessante que no momento em que os Brics começam a pensar no seu mercado interno é que há este surto de sustentabilidade.
Rogério Maestri Comentário de Rogério Maestri em 15 outubro 2009 às 21:44
Li com atenção o resumo em português e algo me chamou a atenção:
“Sobre a Rede WWF - A Rede WWF é uma das maiores e mais respeitadas redes ambientalistas independentes do mundo.”

Muito independente! Recebe não só apoio como dinheiro da família Real Inglesa, através principalmente pelo Príncipe Charles. Alguém já fez o cálculo de quanto consome a “British Royal family” em relação a um habitante do Haiti?

Seu quisesse ser independente não aceitaria como “Embaixador” um membro de uma família que há centena de anos consome barbaramente e não produz nada a não ser belos casamentos e funerais. É um contracenso, falar em “... redução da poluição e do desperdício do consumo.” e aceitar um representante disto nas suas fileiras.

Mais ainda, com a maior cara de pau escrevem que: “....As cinco menores (pegadas) pertencem a Maláui (país no leste da África), Afeganistão, Haiti, Congo e Bangladesh.”, ou seja, os países mais pobres do mundo. Por que não mostrar como exemplo países ricos em que não há desperdício de recursos naturais, será que eles não existem?

Fica simples pregar sustentabilidade em cima da miséria e não mostrar quem são os verdadeiros responsáveis pela “insustentabilidade do planeta”.
NaT Comentário de NaT em 16 outubro 2009 às 12:28
Sempre me pergunto se por trás da histeria preservacionista não há outros interesses como o de condenar os países pobre a uma eterna miséria. Deixo claro que adoro animais e natureza e penso que devemos mesmo segurar o consumo descontrolado mas porque há uma cobrança tão grando acima do terceiro mundo sendo que os maiores poluidores estão no primeiro?
Rogério Maestri Comentário de Rogério Maestri em 16 outubro 2009 às 13:44
O movimento preservacionista teve várias vertentes, algumas muito boas e outras muito duvidosas. Existe na maioria das pessoas a boa vertente, a idéia de respeito à natureza, o uso correto dos recursos naturais é recente e deve ser preservado, entretanto a idéia de sustentabilidade passa por um controle maior do estado sobre a produção, aí é que há o grande divisor de águas.

Culpabiliza-se a Dona Maria e o Seu João que lavam a sua calçada com água, multa-se quem assim o faz como um grande criminoso ambiental, mas não se regulamente a eficiência dos automóveis, ou seja, fazer um carro que gasta 1 litro de combustível a cada 3 a 4 km pode. Importar um Hummer ou uma Cherokee, pode, escovar os dentes e deixar a torneira aberta não.

Outro pequeno detalhe, nossos arquitetos estão livres para criar grandes fachadas de vidro nos edifícios e grandes janelas nas casas para que todos se deleitem com magníficas paisagens e fiquem com o ar condicionado ligado o dia inteiro (além disto a quantidade de passarinhos que morrem ao se chocar com estas superfícies, é incrível).

Em resumo, idéias ecopáticas que encarecem o alimento do homem comum são divulgadas aos quatro ventos, mas idéias que mecham com o consumo dos mais abonados nem pensar. Quanto de combustível gasta um executivo paulista para chegar de helicóptero no seu serviço sem precisar acordar mais cedo? Quem tem um popular, motor 0.alguma coisa tem rodízio, quem tem helicóptero, não.
NaT Comentário de NaT em 16 outubro 2009 às 14:25
é verdade, tem essas contradições. Já me culparam de contribuir com o aquecimento global por comer carne pois segundo algumas teorias os gazes do gado provocam o efeito estufa, no entanto eu não tenho carro, ando a pé ou de bicicleta e já plantei um monte de árvores...isso não importa se as vacas das quais me alimento "peidam". O mais estranho é que a pessoa que disse isso tem carro mas disse que "minha vaca" aquece mais o planeta "peidando" que o carro dele. Faz sentido isso?
Rogério Maestri Comentário de Rogério Maestri em 16 outubro 2009 às 15:53
Se não fosse engraçado seria trágico. Mas o pessoal perde o senso da proporção.

Me esqueci de dar outro exemplo, os jatinhos executivos que levam uma ou duas pessoas para ir em qualquer lugar.

Mais outra, eu tenho um carro e utilizo-o com a minha mulher e mais duas ou três filhas (tenho quatro!), ou seja, meu consumo “per capita” familiar é extremamente pequeno, mas não era isto que eu ia falar, quando eu fui trocar o carro procurei informações sobre o consumo de cada automóvel disponível no mercado, e sabe o que achei? NADA. Em nome da liberdade de mercado não há, como nos refrigeradores e outros eletrodomésticos indicações sobre o consumo, devido esta falta de informações caí na conversa do vendedor e comprei um carro que consome a mesma coisa que os outros!

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