Calado, um mestiço de apurada técnica musical, foi pioneiro na criação dos primeiros grupos de choro. Por sinal, um dos primeiros destes grupos, que futuramente seriam chamados de regionais, foi chamado de “Choro Carioca” ou “Choro do Calado”, talvez a primeira menção ao nome que batizaria o estilo. O grupo era formado, geralmente, por um instrumento solista - no caso de Calado, a flauta - dois violões e um cavaquinho, dando uma clara visão da origem popular dos chorões, como eram chamados os músicos, na maioria, oriundos das classes mais simples, geralmente funcionários de baixo escalões do serviço públicos que, apesar de amadores, a exceção daqueles ligados a bandas militares, complementavam suas rendas e se fartavam de alimentos e bebidas tocando em festas domésticas do Rio antigo.
A pesquisadora Edinha Diniz, autora de uma cuidadosa biografia da lendária Chiquinha Gonzaga, intitulada “Chiquinha Gonzaga - Uma História de vida”, teoriza que a popularidade alcançada pelo choro pode ser explicada pela importante função social em animar as, então, numerosas festas domésticas, principalmente nas casas desprovidas de piano, instrumento, à época, considerado símbolo de status social, o que reforça o caráter popular do ritmo. Destaque-se que Chiquinha Gonzaga (foto a direita) era uma das maiores admiradoras e protegidas de Calado, chegando a fazer parte do grupo do grande flautista.
Estas festas - batizados, aniversários, casamento, etc. - apresentavam uma atrativo a mais para os chorões: uma mesa farta de iguarias, onde não faltavam leitões, perus, galinhas, além das bebidas servidas à vontade. Esta verdadeira mordomia proporcionada aos chorões deu mote para um divertido ditado popular difundido no Rio da época: “Em casa onde gato dorme no forno chorão não vai”.
Calado faleceu jovem, aos 31 anos, vítima de uma epidemia de meningo-encefalite, uma das muitas pestes enfrentadas pelo Rio do final do século XIX. Apesar de ser reconhecido como um dos mais populares músicos do Rio, poucas pessoas compareceram ao seu enterro, receosas do risco de contágio da doença.
Ouça o clássico “Flor Amorosa”, a música mais conhecida de Antônio Calado. A letra é de Catulo da Paixão Cearense.
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