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A graduação em Jornalismo contribui para o desenvolvimento do profissional ético e comprometido com o que publica. O curso proporciona a formação do ser humano. Vamos refletir sobre isso. Por que acabar com uma profissão que já está regulamentada e exige tanta responsabilidade de quem atua nela?

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Comentário de Pedro Luiz em 11 novembro 2008 às 19:28
Oi, Taís!
Esta questão sobre o diploma de jornalismo não me afeta diretamente, mas como cidadão gostaria de opinar a respeito e divergir um pouco da idéia de sugerir pretensa qualidade e excelência ao diploma. Não sei se estão tentando acabar com a profissão de jornalismo, no entanto, a obrigatoriedade do diploma para opinar ou noticiar em jornais, se existe, deveria acabar.
Primeiro que isto vai de encontro à tão almejada liberdade de expressão, além de deixar nas mãos de poucos o direito de informar a população, e segundo por que nos tempos de internet onde a informação jorra, pensar que só jornalistas têm a primazia da informação é pensar com no mínimo vinte anos de atraso.
Acredito que o serviço de analisar, buscar a informação, fazer uma boa entrevista, tirar boas fotos..., serão sempre valorizados pelos veículos de comunicação, então, quem fizer faculdade de jornalismo levará vantagem sobre quem não fizer. Mas também acredito que muita gente boa que não fez faculdade de jornalismo poderia estar perfeitamente trabalhando em jornais.

Valeu!
Comentário de Taís Alves em 11 novembro 2008 às 19:42
Sim, todos podem opinar. Ninguém aqui está dizendo o contrário. Os jornalistas, mais do que ninguém, prezam pela liberdade de expressão. O que não queremos é que qualquer pessoa se sinta apta a escrever reportagens jornalísticas. Quem exerce o jornalismo é jornalista. Não queremos é que qualquer pessoa tenha aval na legislação para tal. Nós não nos atrevemos a assinar sentenças, a advogar ou exercer atividades que não nos competem. Por que outros profissionais poderiam fazer isso com a nossa? A questão não é de protecionismo ou coorporativismo e sim de se refletir sobre qual o papel da imprensa e do jornalismo. Por que desregulamentar uma profissão? O país já tem tão poucos profissionais com formação. Existem tantas questões sérias a serem resolvidas. O que penso é que as grandes empresas de comunicação irão ganhar muito com a não regulamentação, porque não seguiriam pisos salariais, não teriam compromisso com um código de ética da profissão e outros caminhos que só quem vive o dia-a-dia de um mercado de comunicação é capaz de saber. Vejo como uma alternativa para se utilizar mão de obra desqualificada para pagar menos. A responsabilidade em transmitir informação é muito grande. Por isso, esse assunto deve ser seriamente discutido. Agradeço a sua participação.
Comentário de Dirval Silva Anunciação da Cruz em 12 novembro 2008 às 0:06
Olá Taís, como você certamente sabe, o Brasil é um dos poucos países onde existe essa exigência arcaica, para dizer o mínimo. Os melhores e mais conceituados jornalistas brasileiros não diplomados em jornalismo. Para citar poucos nomes, fiquemos apenas com Ricardo Kotscho, Francklin Martins e Boris Casoy. Há jornalistas diplomado de bom nível e outros nem tanto, da mesma forma como os não diplomados. Creio na formação universitária para aqueles que desejam dedicar-se à pesquisa na área. Acredito, no entanto, no sistema norteamericano onde as técnicas de jornalismo são ensinadas no decorrer da "High School", equivalente ao nosso Segundo Gráu. O contrário é simplesmente cartorialismo. Creio que "a responsabilidade de transmitir informação é muito grande" mas não será o diploma a garantia dessa responsabilidade. Você sabe.
Comentário de Antonio Barbosa Filho em 12 novembro 2008 às 4:08
Taís, permita-me chamá-la de colega. Este argumento de que os patrões ganhariam com a mão de obra não diplomada é antigo. Jornalista ganha mal mesmo, no Brasil. Nosso piso salarial, em São Paulo, é inferior ao de um torneiro mecânico na Volks ou na GM.
Vc mesma diz que quem exerce o jornalismo é jornalista. Eu exerço há mais de trinta anos, e jamais concluí as quatro faculdades em que entrei, porque o "mercado" me chamou para o trabalho, em regiões distantes de onde eu tentava estudar. Nada tenho contra o diploma, tenho sim contra a proliferação de faculdades sem laboratórios, sem professores qualificados, que jogam na rua, a cada ano, uma multidão de jovens sonhadores que não estão qualificados. Vc concorda comigo?
Posso citar exemplos.
Não discordo de suas preocupações, eu tenho as mesmas. Só acho que antes de defender o diploma, temos que defender a qualidade do jornalismo exercido no Brasil. O jornalismo melhorou ou piorou depois da regulamentação? José Sarney e Delfim Neto, que têm colunas na Folha, são jornalistas, ou aquilo é um espaço livre? Eles recebem menos ou mais que uma redação inteira de um médio jornal ou rádio? Eles usam um espaço nobre para reportar fatos ou para expressarem seu interesses pessoais e ideológicos?
Há um colunista operário, ou pedreiro, ou dona de casa, ou dos partidos comunistas, ou um sambista, na nossa democrática mídia?
Eu, por antiguidade, obtive o registro profissional, sem diploma, e procuro manter-me ético e competente em relação ao meu patrão: quem me lê, quem me ouve, quem me vê. Como eu, centenas de jornalistas que exercem a profissão com honradez e compromisso social.
Agora é tarde para me excluirem da profissão que, aliás, exerço dentro e fora do Brasil, único país que exige o diploma.
Mas acho a discussão oportuna, desde que permaneça a questão básica: nossas faculdades estão dando a formação adeqüada aos novos jornalistas? Está melhorando o nível de informação à nosso público?
Um beijo e parabéns pelo debate.
Comentário de Taís Alves em 12 novembro 2008 às 8:28
Concordo com você. A preocupação com a qualidade do ensino é fundamental, mas isso eles nem estão discutindo. Equipar as faculdades, dificultar a aprovação dos cursos que não estão adequados, isso sim,está primando pela educação de nosso povo. Simplesmente acabar com a regulamentação da profissão, não. Concorda?
Comentário de Pedro Luiz em 12 novembro 2008 às 18:17
Sobre o direito ou não de qualquer cidadão noticiar fatos, cito um exemplo prático: quando acompanhava a Câmara Municipal de minha cidade ficava sabendo de muita informação pública, relevante para o conhecimento popular. Infelizmente muitos jornalistas, diplomados ou não, nem se deram o trabalho de publicar, quanto mais criticar.
Dessa omissão dos jornalistas eu isento nosso colega de discussões Barbosa Filho, que por suas reportagens sobre a Câmara foi ameaçado pelo seu presidente de processo.
Acho assim: quem tem notícias para dar, com qualidade ou como a maioria dos jornalistas de hoje, deveria por lei ter o direito de dar, respondendo, lógico, criminalmente por elas.

Valeu!

Valeu!
Comentário de Taís Alves em 12 novembro 2008 às 18:44
Sim, existem muitos colegas omissos como em qualquer outra profissão. Concordo, porém, muitos, como você disse, são responsáveis e sabem o que estão fazendo. Estou falando por eles. Abração

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