Zé adiando esse tópico coisa nossa, que poderia ser interpretado como provocação dado a contundência factual que apóia o certificado de origem desta invenção de importância tal, que se os patrícios da Terra do Meio não tivessem tido idéia, estariam todos hoje tateando na escuridão dos boatos e fofocas, no diz-que-diz desvairado, em vez da transmissão concreta dos acontecimentos passados e presentes, mediante documentos, registros, desenhos, textos literários e matérias jornalísticas isentas (quaquá!).

Basta dizer que você não estaria lendo estas palavras de esclarecimento histórico, sentado no banco da praça ou no vaso sanitário, não fosse essa maravilha do engenho humano que é o... Papel!

Algo assim: de que adiantariam oceanos de tinta e não ter onde botá-las de forma organizada, legível e permanente? ou toneladas de idéias inspiradoras, imagens poéticas, críticas ferinas ou projetos impactantes, e não ter como passá-los ao próximo utilizando escritos, desenhos, plantas ou rascunhos? ou então descarregar tristezas, mandar recado, enviar torpedo (escrito) ou carta-anônima à musa dos sonhos, sem o suporte fundamental que acolhe e transmite as mal-traçadas?

Pois é, o papel do papel na complexa equação cujo resultado final é: civilização.

Quer ver? Os historiadores, a maioria, apóiam-se na teoria de que o próprio conceito civilização só pode começar a ser atribuído no momento em que uma sociedade humana achou modos de registrar seus usos, costumes, além das tramóias que praticou contra outros agrupamentos e tramóias internas que resultaram em altas linhagens reais, nobres e religiosas. Só que antes de inventarem o papel, um historiador tinha que ser tambem halterofilista, se quisesse gastar o tempo fuçando a vidinha dos antigos, lendo em pedaços de pedra, ossos, conchas, toras de madeira, placas de ferro ou livros de granito, cada página pesando uns 50 quilos.

Então, se você quer estudar a história dos assírios, tem que pegar um avião e ir até a bocada mesopotâmica pra ler os registros in loco, isso se não quiser ficar olhando fotos geralmente mal tiradas, escuras e de baixa definição, usando lupa do tamanho de uma raquete de pingue-pongue. Agora, se quiser saber a marca do absorvente de Cleópatra ou a ração que usava para alimentar seus crocodilos, tem que ir ao Museu Arqueológico de Londres ou Cairo revirar canudos de papiro enrolado que se não tomar cuidado viram pó e você vai bater grade na Interpol.

Enfim, o caso é que durante muitos séculos (milênios), desde que escribas antigos de diferentes nacionalidades resolveram arranhar, desenhar ou esculpir as “últimas” do arraial, os ti-ti-tis foram postos em “suportes” pra lá de incomodos, além de difíceis de fazer, ruins de guardar e horríveis de armazenar ou conservar.

Já imaginou biblioteca com livros de rocha ou papiro ou tábua ou concha? Nem pense, a coisa mofava, bichava, fedia, deteriorava; fora a trabalheira pra levar pra casa ou tirar da estante ou meter numa máquina xerox.

Foi aí que lá pelo ano de 105 a.C., um china chamado Tsai Lun, ministro da agricultura de um pais em que agricultura representava 90% das atividades econômicas, surtado por lidar com milhões de planilhas, relatórios e memorandos “datilografados” em argila, bambú, placas de ferro e casca de árvore, resolveu botar em prática bolação minhocada por outro patrício chamado Cao Lun; que teve a sacada de mergulhar sobras de fibras têxteis (rami, cânhamo ou seda) em água, até fazer uma pasta à qual adicionou cola vegetal e esticou sobre bastidores de bambú. Cao Lun não sabia bem por que fez aquilo - talvez reciclando material pra fazer roupas - mas o espírito pragmático (e desesperado) de Tsai Lun descobriu finalidade muito melhor: escrever em cima.

Tsai Lun botou logo mãos (e eunucos) à obra, montando a primeira manufatura de papel-celulose da árdua jornada humana neste planeta; e logo documentos, planilhas e memorandos reduziram-se a tamanhos ergometricamente compatíveis a mãos, sovacos e olhos humanos, podendo ser cortados, encadernados, preservados e armazenados na boa, além de facilmente transportáveis, que logo deu ocasião a que inventassem as cartas de amor desesperado, jornais mentirosos, revistas canalhas, os correios e os boletos de cobrança.

Nós, hoje, (mal) acostumados em clicar e olhar uma telinha colorida, mal atinamos com a suprema importância desta inovação que permitiu à humanidade “armazenar” memórias, sem perigo de cair, dar pau ou ser deletado por um dedo mal posicionado.

É coisinha que à época fez sucesso maior do que qualquer software dos nossos dias, e Tsai Lun só não virou o Bill Gates da época porque era eunuco, e pra que eunuco vai querer uma montanha de grana? Já os brimos, olha eles outra vez, “sacaram” logo o potencial comercial da novidade depois que ela se espalhou pela Coréia e Japão, e foram logo capturando e aperfeiçoando o know how da fabricação de papel, pra arrecadar royalties por toda a Europa, vendendo os direitos a alemães e italianos renascentistas, apoiados num best-seller cujo título era Al Khoraam.

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Comentário de Zé da China em 31 agosto 2009 às 1:05
Por quê?
Aiai, tá pondo Zé em fria, moça.
Porque funcionários públicos que trabalhavam junto à nobreza cheia de esposas, agregadas e concubinas, uma mais gracinha que outra, não podiam se arriscar em perder a concentração nem em avançar no patrimônio da chefia. Que mulherada é encrenca só, certo?
Então, hábito salutar em se tratando de servidores do Estado, cortava-se a tentação pela raiz. Um cara que não pensa em muié não pensa besteira. Quaquá!
Comentário de Cabocla em 31 agosto 2009 às 3:03
delinquente querido, dedo mau posicionado sempre deu confusão, não é de agora...
Que texto bacana zé
Comentário de Charles Leonel Bakalarczyk em 31 agosto 2009 às 3:19
Prezado Zé:

No sanitário, o papel tem dupla função (para quem gosta de ler nesse sagrado momento).

Zé, só uma emenda: o Ts'ai Lun inventou o fabrico do papel no de 105 da Era Cristã (d.C), segundo a história oficial. Mas as más líguas de historiados "não oficiais", relatam que na China se fabrica papel desde os últimos séculos antes da Era Cristã (essa conclusão decorre de descobertas de papéis em túmulos chineses que se vinculam àquela época).

Um detalhe: o governo chinês consegiu manter segredo sobre como fazer papel por 600 anos, quando foram derrotados pelos árabes, que levaram consigo a técnica.

Portanto, foram mais espertos que o Sarney, que usando a invenção chinesa, não conseguiu manter por muito tempo escondido os tais atos secretos.

Um abraço, Charles
Comentário de Sérgio Troncoso em 31 agosto 2009 às 23:16
Cecito dá aula de papel e não faz papelão. Quando inventar coisa de chines-brasileiro divide din din com brimo espanhol? Abraço pra ti que como sempre nos brinda com texto na medida.
Comentário de Zé da China em 2 setembro 2009 às 1:37
É mesmo, my friend Charles,
Em vez de 105 a.D., o dedinho mal posicionado botou 105 a.C.
Colou?
300 aninhos, só devem ter morrido um milhão de chinas...
Valeu pela correção. Molecada usa a página do zé como referência pra trabalhos escolares, e já pensou?
Vocês não sabem de uma invenção ainda mais fundamental, derivada do papel, claro.
A pipa!
Zé conta qualquer hora.
Comentário de Zé da China em 2 setembro 2009 às 12:51
Sergito, lá não vai nada?
Dividir as dívidas tu não quer?
Chines-brasileiro aqui inventou um jeito infalivel de cravar os seis números da megassena, pra ir fixar domicílio na praia de Manaíra. Manda um adianto pra entrar na sociedade.

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