Em homenagem a Castro Alves (hoje relembra-se o dia de sua morte)

Longe de ti


Quando longe de ti eu vegeto,

Nessas horas de largos instantes,

O ponteiro, que passa os quadrantes,

Marca séculos, se esquece de andar.

Fito o céu — é uma nave sem lâmpada.

Fito a terra — é uma várzea sem flores.

O universo é um abismo de dores,

Se a madona não brilha no altar.

 

 

Então lembro os momentos passados.

Lembro então tuas frases queridas,

Como o infante que as pedras luzidas

Uma a uma desfia na mão.

Como a virgem que as jóias de noiva

Conta alegre a sorrir de alegria,

Conto os risos que deste-me um dia

E que eu guardo no meu coração.

 

 

Lembro ainda o lugar onde estavas...

Teu cabelo, teu rir, teu vestido...

De teu lábio o fulgor incendido...

Destas mãos a beleza ideal...

Lembro ainda em teus olhos, querida,

Este olhar de tão lânguido raios,

Este olhar que me mata em desmaios

Doce, terno, amoroso, fatal!...

 

 

Quando a estrela serena da noite

Vem banhar minha fonte saudosa,

Julgo ver nessa luz misteriosa,

Doce amiga, um carinho dos teus!

E ao silêncio da noite que anseia

De volúpia, de anelos, de vida.

Eu confio o teu nome, querida,

Para as brisas levarem-no aos céus.

 

 

De ti longe minh’alma vegeta,

Vive só de saudade e lembrança,

Respirando a suave esperança

De viver como escravo a teus pés,

De sonhar teus menores desejos,

De velar em teus sonhos dourados,

"Mais humilde que os servos curvados!

"Inda mais orgulhoso que os reis"!

 

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Ó meu Deus! Manda às horas que fujam,

Que deslizem em fio os instantes...

E o ponteiro que passa os quadrantes

Marque a hora em que a posso fitar!

Como Tântalo à sede morria,

Sem achar o conforto preciso...

Morro à míngua, meu Deus, de um sorriso!

Tenho sede, Senhor, de um olhar.

 

 

Autor: Castro Alves

Exibições: 40

Comentário de Marco Antônio Nogueira em 7 julho 2011 às 0:37

 

PEDRO MAIA,

 

Para enriquecer ainda mais

este seu POST, aqui o

maior cantor da MPB,

de todos os tempos:

 

VICENTE CELESTINO

 

cantando

GONDOLEIRO DO AMOR

 

cuja letra é de

CASTRO ALVES.

 

Nota:

Gondoleiro do Amor faz

parte do cancioneiro

de Minas, através de

suas serestas de Diamantina,

Ouro Preto, Sabará,

Montes Claros e outras.

 

Sugestão:

O que acha de homenagearmos

CASTRO ALVES até o fim da semana

trazendo todo dia uma poesia dele?

 

Abraço,

 

Marco Nogueira

 

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