A matriz do machismo

O meu trabalho de supervisora escolar me reserva sempre algumas surpresas. Ainda mais se tratando de uma escola pública com mais de 3 mil alunos. Ontem mesmo atendi um jovem que me fez evocar, de imediato, o filme Matrix. O caso do menino de dezessete anos era simples. Ele fora colocado para fora da sala de aula por estar conversando... E sobre o que, afinal, ele conversava, perguntei, curiosa. Ele, muito embaraçado, engasgou, tentou disfarçar, mas acabamos nos entendendo e ele contou a sua história. De arrepiar. A história de uma aventura sexual no final de semana. Não me assustou o fato em si, mas as estranhas motivações que o fez envolver-se num caso de alta periculosidade.

Não cá estou, nesta fase da vida, para excitar os leitores com descrições da vida sexual de um adolescente. Resumindo então, eis o que aconteceu. Em uma das tantas festas de final de semana, ele apostou com um amigo que sairia com uma “fulana de tal”, que eles tinham acabado de conhecer. Parte da surpresa ficou por conta do palavreado do adolescente. Depois de sentir-se bastante à vontade, ele soltou a língua e deixou escapar expressões como: “é isso mesmo, nós temos que sair à caça”; “quando não rola por lá, nós vamos para uns outros matadouros” e “na hora do vamos ver a gente acaba esquecendo da camisinha”... A matriz (ou matrix) do machismo está toda aí, marcada no discurso do menino. Ele foi “preparado” para o exercício das “habilidades e competências masculinas” e “tem feito a sua parte”, conforme me confessou. Não é de assustar?

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