Empresas de São Paulo inovam duas vezes mais do que de outros estados

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


Empresas localizadas em São Paulo têm o dobro da capacidade de inovar. O motivo estaria ligado ao fato de terem maior acesso a serviços e informações tecnológicas do que em qualquer outra região do país.

A constatação foi feita por técnicos de planejamento do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Luís Fernando Tironi e Bruno Cruz, com base na Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), de 2003. Além de apontar que as firmas instaladas em São Paulo apresentam 2,423 vezes mais chances de criar produtos inovadores, o estudo revela que empresas que desenvolvem produto em cooperação com outras empresas têm até 5,4 vezes mais chances de gerar uma inovação considerada radical.

Os processos de inovação podem ser divididos basicamente em dois: os incrementais, que são aqueles voltados para aprimorar o produto já existente. E os radicais, quando o empreendimento cria um novo produto ou processo para atender o mercado nacional ou mundial.

Do total de empresas analisadas pela Pintec, apenas 148 em todo o país praticaram inovações radicais, ou seja, 0,18% das firmas pesquisadas. Ao mesmo tempo, o estudo destaca que essas instituições responderam por 15,53% do valor líquido de vendas no período registrado e por 3,42% do total de pessoal ocupado.

Com relação à inovação especificamente de produto, e não de processo produtivo, as empresas que atuaram no atendimento do mercado nacional registraram cerca de 2,3 vezes mais chances de inovar radicalmente em relação às empresas voltadas para o mercado regional ou estadual. Já as empresas com atuação no mercado externo apresentaram em torno de 3,6 vezes mais chances de realizar inovação radical que as que produziram para atender o mercado regional ou estadual.

Inovação necessita de ações do Estado

Os pesquisadores destacam que os dois novos instrumentos da política de inovação brasileira – a normatização da apropriação e transferência do conhecimento pelas universidades, e o fomento direto as empresas –, estão sendo importantes para o setor, no entanto o governo precisa superar dois outros fatores de entrave: a falta de capacidade do Estado em desenhar políticas de longo prazo adaptadas ao contexto de rápida mudança tecnológica, e o modo indiferente de como as políticas de inovação são tratadas quando ocorre a formulação das ações de incentivo.

“A política pública para a inovação deve ter como objetivo o crescimento e o desenvolvimento da economia, estimulando tecnologias já estabelecidas, levando novas tecnologias por difusão às demais firmas, estimulando inovações e tecnologias de última geração”, declaram no estudo.

As pesquisas feitas por meio da Pintec, por exemplo, acabam sendo importantes para detectar a evolução ou eventuais falhas do sistema de incentivos a inovação no país. Para tanto, é necessário que os levantamentos considerem o grau de novidade desenvolvido dentro das empresas, o que significaria verificar de que forma acontece a absorção de insumos no processo inovador, como se comportam os agentes que geram as novidades, e ainda identificar os resultados tidos a partir da inovação, como o impacto sobre a produtividade.

O estudo atenta para o fato de que o grau de novidade tem influencia não só sobre o calculo estatístico mas também sobre o risco tecnológico e comercial de uma inovação, ou seja, empresas que investem em mudanças podem não ver de volta os recursos investidos para aprimorar seus produtos. Assim, o principal objetivo da política de inovação brasileira deve ser diminuir ao máximo os riscos associados a esses investimentos.

O maior grau de novidade exige maior absorção de valores intangíveis (conhecimento) na atividade inovadora. Por outro lado, com o aumento de valores intangíveis cresce também a incerteza e o risco do investidor.

Dessa forma, a participação do Estado se faz necessária para amortecer os riscos, levando em conta também que a absorção de conhecimento tende a gerar retorno social elevado, isso, “quando associados a externalidades no uso da tecnologia desenvolvida, permitindo que outras firmas implementem tal tecnologia com menor custo”, ressaltam os pesquisadores.

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