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Encontro lança 3ª Edição do Prêmio Objetivos do Milênio

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


Mais de 500 representantes dos movimentos civil e público se reuniram em São Paulo para o lançamento da terceira edição do Prêmio Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM). Os organizadores da ação querem, com isso, aumentar a visibilidade de projetos socialmente engajados para que o país consiga, em 2015, atingir as metas que se propôs a cumprir, há nove anos, na Cúpula do Milênio.

O prêmio foi criado em 2004 pelo governo federal em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade. A concorrência é aberta a governos municipais e organizações de sociedade civil realizadoras de projetos que ajudem o Brasil nos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio:

* Erradicar a extrema pobreza e a fome;
* Universalizar a educação básica;
* Promover a igualdade entre os sexos;
* Reduzir, ao máximo, a mortalidade infantil;
* Melhorar a saúde das gestantes;
* Combater a AIDS, a malária e outras doenças;
* Garantir a sustentabilidade ambiental;
* Estabelecer parecerias para o desenvolvimento.

O secretário-executivo do Movimento Nacional da Cidadania e da Solidariedade, Rodrigo Laureano, acredita que o número de participantes tende a ser mais expressivo este ano.

“A receptividade é cada vez maior, e esperamos estabelecer um inventário de boas ações no Brasil. Essas informações deverão contribuir para intensificar o desenvolvimento nacional, de tal sorte, que em 2015 a gente celebre o cumprimento das metas”, diz.

Na primeira edição do Prêmio ODM, em 2005, foram apresentados 920 projetos e premiados 27. Em 2008, segunda edição, 1.062 trabalhos foram inscritos, sendo 20 contemplados. Os projetos são analisados por uma coordenação técnica formada por representantes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Escola Nacional de Administração Pública (ENAD).

Colaboração tripartite

A secretária Nacional de Relações do Trabalho da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Denise Dau, afirmou que os movimentos sociais participaram mais ativamente nas reuniões do terceiro prêmio, ao contrário das duas últimas edições. “O concurso é estratégico para levar a discussão de um desenvolvimento nacional e que inclua a participação equilibrada de gestores públicos, setor produtivo e movimentos sociais”, completa.

A coordenadora de Planejamento Estratégico e Desenvolvimento de Negócios do PNUD, Gianna Sagazio, ressaltou na abertura que o país está avançando nas oito metas dos Objetivos do Milênio, mas o alcance tem sido desigual – ainda existem municípios em situação crítica de pobreza, desemprego e atendimento à saúde.

“Acreditamos que dar visibilidade a ações, através do prêmio, contribuirá para aumentar a mobilização de novos projetos pelo país”, acrescenta. Neste ano, a organização aproveitou para lançar o portal Acompanhamento Municipal dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, afim de ampliar as metas nas localidades menos populosas – o Brasil é o único país, dos 191 que aderiram ao pacto, que conta com um programa não apenas de âmbito nacional, mas que também visa levar a média dos atendimentos à todas as regiões.

O presidente do Fórum Nacional dos Prefeitos, Emídio de Souza, ressaltou que os municípios não são capazes de solucionarem, sozinhos, todos os pontos dos Objetivos sem a ajuda da União e setor privado. “As prefeituras têm, cada vez mais, suportado as pressões do crescimento social que inclui problemas com meio ambiente, saneamento e saúde”, coloca. Para enfrentar esses entraves existe a necessidade de políticas de estado e de longo prazo. “Um exemplo é o tratamento de esgoto. A cidade de São Paulo trata apenas 50% do que recolhe, em Osasco, o índice chega a 8%. Essa é uma política que requer pesados investimentos. É aí que entra a contribuição da União coordenada com o setor privado”, sugere.

Brasil próximo das metas

O secretário Nacional de Articulação Social, do Planalto, Wagner Caetano, lembrou que pesquisas feitas pelo país apontaram que apenas 5% dos entrevistados disseram ter conhecimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. A falta de informação pode se tornar mais difícil o cumprimento das metas.

O secretário reconhece que a União não tem condições de trabalhar sozinha, mas se diz otimistas quanto ao desempenho do Brasil. “O país já ultrapassou a meta mundial do primeiro objetivo, que é diminuir o total de famintos no território em 50%, até 2015. Hoje estamos trabalhando pela erradicação e acreditamos que nos próximos três anos alcançaremos esse resultado”, diz.

O Objetivo 2 – universalização da educação básica – também estaria próximo de ser concluído. O país tem 97% das crianças, em idade escolar, matriculadas no sistema de ensino, e o governo acredita que, assim como na questão da fome, 100% estarão freqüentando as salas de aula nos próximos três anos.

Caetano indica dificuldades em dois dos objetivos: melhora da saúde de gestantes, e garantia da sustentabilidade ambiental. “Em âmbito nacional, o Brasil caminha bem. Nosso problema é convencer as prefeituras e sociedade civil a trabalharem a favor das metas para que os indicadores sejam equilibrados em nível local”, pontua.

Segundo Denise Dau, secretária Nacional de Relações do Trabalho da CUT, apesar de incluída de forma indireta entre os Objetivos do Milênio, a questão trabalhista está longe da idealizada pela sociedade. “Ainda temos muito a fazer para que todos tenham mais e melhores empregos. No mundo do trabalho ainda convivemos com a crescente terceirização e empregos precários. O que esperamos, a partir de novas discussões, é que todos os objetivos sejam colocados como estratégia de políticas de estado, não pontuais ou momentâneas. Conseqüentemente as questões do trabalho também serão beneficiadas”.

Os interessados em participar da 3ª Edição ODM Brasil – Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - podem se inscrever, até o dia 02 de outubro, pelo site www.odmbrasil.org.br, ou pelos Correios (Escola Nacional de Administração Pública/ ENAP SAIS – Área 02-A – CEP 70610-900 – Brasília – Distrito Federal).

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