Eneida - Múltiplas atuações no Cenário Cultural Brasileiro

 

Eneida Vilas Boas Costa de Morais


*23/10/1904 - Belém (PA)
+27/4/1971 - Rio de Janeiro (RJ)

 

 

 

Contista, cronista, memorialista, nasceu em Belém do Pará. Eneida foi uma mulher que contestou os padrões instituídos ao papel feminino de sua época, transitando em redutos considerados masculinos: a redação de jornais, a publicação de livros e a célula partidária – mecanismos que ela utilizou para o exercício de sua militância em 50 anos de atuação no cenário político e jornalístico-literário brasileiro.

 

 

 

Filiou-se ao Partido Comunista e se posicionou abertamente contra a ditadura Vargas. Por esta razão, esteve presa ao lado Olga Benário e de intelectuais do porte de Graciliano Ramos que a fez personagem de seu livro "Memórias do Cárcere".

 

 

 

Apaixonada pela cultura do povo dedicou-se a um profundo estudo sobre o folclore brasileiro. Foliona de grande marca, criou na capital carioca o célebre Baile do Pierrô.

 

 

 

Em 1950, trabalhou como cronista do "Diário de Notícias", cargo que ocupou até a sua morte. Lançou, em 1958, o livro "A História do Carnaval Carioca". Durante muito tempo atuou como jurada dos desfiles das escolas de samba. Em 1965, a Acadêmicos do Salgueiro desfilou com um enredo baseado no livro citado. A escritora participou do desfile integrando a Ala dos Pierrôs e a escola sagrou-se campeã.

 

 

 

Em 1968, escreveu e apresentou em palco o show "Carnavália", com produção e direção de Sidney Miller e Afonso Grisoli. Neste show, além de relançar a cantora Marlene, reuniu no mesmo palco do Teatro Casa Grande do Rio de Janeiro o cantor e compositor Blecaute e Nuno Roland. O show foi gravado pelo Museu da Imagem e do Som, com produção de Ricardo Cravo Albin, diretor do Museu, do qual Eneida era Secretária Geral do Conselho Superior de Música Brasileira.

 

 

 

Neste mesmo ano, participou ao lado de Sérgio Cabral, Elizeth Cardoso e Sargentelli, da entrevista que Nelson Cavaquinho, mais tarde editada em LP.

 

 

 

Ao falecer, seu corpo foi velado no Museu da Imagem e do Som (MIS), seguindo logo depois para a cidade de Belém do Pará, onde foi enterrado debaixo da frondosa mangueira, como era de seu desejo.

 

 

 

Em 1973, a Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro lhe prestou homenagem com o enredo "Eneida, Amor e Fantasia", de Geraldo Babão, classificando-se no terceiro lugar do Grupo 1 no desfile daquele ano.

 

 

 

Eneida, Amor e Fantasia (Geraldo Babão)

Acadêmicos do Salgueiro - 1973

O povo sambando,
Cantando a melodia,
Salgueiro traz o tema
Eneida, amor e fantasia
A mulher que veio do Norte
Para o Rio de Janeiro
Com ideia genial,
Em busca da glória
Na literatura nacional.
Expoente jornalista,
Suas crônicas são imortais,
Foi amiga dos sambistas,
Fatos que não esquecemos jamais (Coração).
Coração puro e nobre, foi benquista
Entre ricos e pobres,
É famoso o seu Baile de Pierrôs,
Onde a Colombina procura o seu amor
A escritora de lirismo invulgar
Enriqueceu o folclore nacional,
Hoje o mundo a conhece
Através da história do carnaval.

É açaí,
É tacacá,
Coisa gostosa tem lá do Pará.

 

 

 

 

 

 

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Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB / Rede Globo Pará)

 

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