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Enem gera discussões no meio acadêmico

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


Substituir o tradicional vestibular nas universidades, servir de ferramenta de comparabilidade e fomentar a reestruturação do ensino médio. Esses são os principais objetivos do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O projeto, lançado pelo Ministério do Educação (MEC), em março deste ano, ainda gera muita polêmica em torno da eficácia de suas propostas e alcance de suas intenções.

O modelo único de avaliação permitiria reorganizar os currículos das escolas em nível nacional, que é maior objetivo da iniciativa. De acordo com o ministério, por intermédio de sua assessoria de imprensa, o vestibular nos moldes de hoje produz efeitos nocivos sobre o currículo do ensino médio, que está cada vez mais voltado para o acúmulo excessivo de conteúdos.

Os novos exames combinariam a abrangência de conteúdo do vestibular tradicional com o modelo de questões do Enem. O MEC aponta algumas vantagens do novo modelo:

- Avaliação da capacidade analítica e de raciocínio dos alunos;
- Sinalização ao ensino médio um novo tipo de formação, que privilegie uma educação voltada ao raciocínio e capacidade analítica, e não apenas no acúmulo de dados
- Avaliação do desenvolvimento das instituições de ensino médio e superior;
- Democratização do acesso às universidades através da centralização dos processos seletivos;
- Redução de despesas de locomoção e taxas com inscrições, pois será apenas um processo seletivo;
- E aumento da mobilidade, pois o estudante, após fazer o exame, poderá escolher até cinco instituições em todo o país.

Modelo

O ENEM tem causado discussões no meio acadêmico. Há consenso quanto à necessidade de melhorar o sistema de ensino no país, entretanto as opiniões divergem quanto ao modelo adotado para atingir tal objetivo.

Para o Presidente da Comissão de Implantação da Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), professor Paulo Speller, a seleção através do Enem vai auxiliar na reestruturação de alguns pontos do ensino médio, mas não vai solucionar os problemas. Speller é favorável ao modelo de prova, pois a metodologia privilegia a totalidade do ensino e, por essa característica, induz a uma nova formação curricular nas escolas e cursos de pré-vestibular.

Por outro lado, o professor acredita na melhoria do ensino médio independente das discussões sobre o ENEM. Em sua opinião, é necessário um esforço específico no país em relação ao assunto, com ações que foquem o fortalecimento e melhoria do ensino médio no país.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor do Inep, José Marcelino Rezende Pinto, também observar que as melhoras no currículo do ensino médio poderiam contar com medidas mais produtivas. A implantação de aulas práticas de biologia, física e química, por exemplo, faria com que escolas públicas e privadas investissem em laboratórios, complementando o aprendizado, diz ele.

Impactos

Outro aspecto comentado por Rezende é quanto à democratização do acesso. Segundo ele, estudos apontam que o impacto do Enem no ingresso da USP e UNESP é quase nulo no sentido de alterar o perfil dos alunos ingressantes. Enem é um tipo de exame para o qual o aluno precisa ser treinado e as escolas privadas têm mais condições de propiciar um treinamento, assim como já acontece com o vestibular tradicional.

Speller, também avalia o acesso, mas no âmbito de mobilidade territorial. Para ele, apesar das alegações das supostas vantagens de alunos de regiões desenvolvidas sobre os de regiões carentes, há aqui a possibilidade de bons candidatos disputarem de igual para igual. Por exemplo, alunos bem pontuados do Nordeste concorrem vagas com alunos do Sul. No caso do vestibular, complementa Speller, bons candidatos podiam ser ofuscados devido a alta nota de corte de sua região.

Vestibular Seriado

O mérito da proposta está em trazer á tona o debate sobre o vestibular no Brasil, que é uma questão dramática. Mas um sistema de acesso à universidade baseado em uma única prova, não tem como ser democrático. A opinião é do presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Ismael Cardoso.

Cardoso considera que o grande problema do vestibular e do Enem é fazer uma única avaliação, ao fim do período escolar, pois não acompanha o processo de formação do estudante. A prova é aplicada no fim de uma educação ruim. A questão poderia ser solucionada, ou amenizada, se o exame fosse aplicado uma vez ao ano, durante todo o ensino médio, permitindo que o aluno que se saísse mal na primeira prova, pudesse recuperar a pontuação nas demais. O método também serviria como ferramenta de avaliação do governo pelo ensino médio, em condições muito ruins atualmente, em sua opinião.

Vagas

O professor Speller pondera que o Brasil está atrasado nesta discussão, pois vários países já usam o exame nacional como forma de acesso à universidade e considera que o país cresceu pouco no que diz respeito ao número de vagas disponíveis no ensino superior, questão que está diretamente ligada ao ensino médio.

Sobre o aumento da oferta de vagas no ensino superior, o MEC informou que conta com programas específicos, como o Programa de Reestruturação e Expansão da Rede Federal de Ensino Superior (Reuni). Este projeto elevou o número de vagas ofertadas a cada ano de 113 mil, em 2003, para 227 mil, em 2009, nas 55 universidades federais brasileiras.

Mais quatro novas universidades federais aguardam aprovação pelo Congresso Nacional. São elas: Universidade Federal da Integração Latino-Americana-UNILA, Universidade Federal da Integração Amazônica – UNIAM, Universidade Luso Afro-Brasileira-Universidade-UNILAB e Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS.

Histórico

Originalmente concebido para ser uma ferramenta de avaliação dos estudantes de ensino médio, o Enem foi criado em 1998, no Governo Fernando Henrique Cardoso, pelo então ministro da Educação Paulo Renato Souza. Os dados coletados pelo exame seriam utilizados para melhorar ou criar políticas públicas para a área.

Em 2005, já no governo de Luis Inácio Lula da silva, o Enem passou a ser utilizado como forma de ingresso no recém criado Programa Universidade Para Todos (Prouni), cujo objetivo é conceder bolsas integrais ou parciais a estudantes.

A nota do Enem pode ser usada de quatro formas: como fase única; como primeira fase; como fase única para as vagas remanescentes, após o vestibular; ou combinado ao atual vestibular da instituição. Neste último caso, a universidade definirá o percentual da nota do Enem a ser utilizado para a construção de uma média junto com a nota do vestibular.

As instituições têm autonomia para optar pela modalidade e divulgar em seus editais qual formato participará cada curso. A migração para o sistema será acompanhada por um grupo de pesquisa constituído pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), como forma de analisar as reações ocasionadas pelo novo método de ingresso e, se necessário, propor adequações.

Até junho, das 55 universidades federais, 42 já haviam aderido ao novo Enem. A expectativa do MEC é que todas instituições federais adotem de alguma forma o exame como seleção de alunos.

Veja o mapa das instituições que aderiram: Observe o mapa das adesões por estado

Conheça mais detalhes da prova, aqui.

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