Por Ronaldo Bicalho, do Blog Infopetro

A relação entre as necessidades e os recursos energéticos não é estática no tempo e homogênea no espaço; na verdade, ela é dinâmica no tempo e heterogênea no espaço.

Para entender melhor esse dinamismo e essa heterogeneidade é preciso lembrar que entre as necessidades e os recursos energéticos há um conjunto de tecnologias – de produção, transporte e armazenamento, transformação e utilização – que estrutura as cadeias energéticas ao longo do tempo, definindo um conjunto de possibilidades, cujo aproveitamento, tanto em termos de timing quanto de intensidade, é definido a partir das instituições.

É justamente nessa combinação entre tecnologia e instituições que podem ser encontradas as explicações para o dinamismo temporal e para a heterogeneidade espacial da relação entre recursos e necessidades energéticas.

Novas tecnologias não só criam novas necessidades, como também viabilizam novos recursos. O início do século XX foi marcado pela introdução de uma ampla gama de aparelhos eletrodomésticos que estabeleceu um padrão de conforto nos lares e ampliou as necessidades energéticas. Assim como, a introdução do motor a combustão interna, no mesmo movimento histórico, viabilizou os automóveis e introduziu um conjunto de necessidades energéticas associadas ao transporte individual.

Assim, se em uma ponta tem-se as tecnologias de uso – lâmpada, geladeira, ar condicionado, forno elétrico, enceradeira, etc. –, do outro, tem-se toda uma cadeia elétrica que vai, ao final, intensificar o uso dos recursos naturais para se gerar a eletricidade que vai ser consumida nesses aparelhos.

O mesmo vale para o motor a combustão interna que, por um lado, viabiliza o carro e, por outro, amarra toda uma cadeia energética - que passa pela refinaria e chega à produção do petróleo - necessária a se obter a gasolina para se colocar nesse carro.

Tomando-se a experiência brasileira como referência, constata-se que quando, em uma ponta da cadeia, se introduz um motor que não utiliza gasolina, mas usa álcool, introduz-se, na outra ponta da cadeia, um novo recurso energético, a cana. Portanto, o novo motor corresponde a uma nova fonte (o álcool), a um novo centro de transformação (a destilaria) e a um novo recurso (a cana); por conseguinte, a uma nova cadeia energética. Uma cadeia distinta daquela da gasolina, que vai atender a mesma necessidade (transporte individual), porém com outro conjunto de elos.

Desse modo, a evolução tecnológica associada a cada elo da cadeia energética não se restringe a esse elo, mas interage fortemente com a evolução do conjunto de tecnologias dessa cadeia. Isto significa que se, por um lado, as tecnologias de uso viabilizam a satisfação de determinadas necessidades e, até mesmo, criam novas, por outro, elas também condicionam a evolução das tecnologias de transformação, na medida em que definem as características físicas das fontes de energia a serem utilizadas por essas tecnologias de uso. Essa definição não se restringe às tecnologias de transformação e alcançam as tecnologias de produção. (...) continua no Blog Infopetro.

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