Entramos numa crise institucional

7/3/2015 7:44
Por Rui Martins. de Genebra

 

O escânlo da corrupção na Petrobras nos leva a uma crise institucional e à necessidade de uma nova esquerda

O escândalo da corrupção na Petrobras nos leva a uma crise institucional e à necessidade de uma nova esquerda

Faz apenas seis meses, escrevi aqui no Direto da Redação, minha tomada de posição na campanha eleitoral, me distanciando da candidatura Dilma Rousseff, enumerando uma série de falhas no primeiro governo da presidente, que na época ajudei a eleger.

Minhas críticas não mencionavam a corrupção na Petrobras, porque faz seis meses, o PT e a rede dos blogueiros petistas negavam as primeiras denúncias, chegavam mesmo a propagar haver uma campanha golpista para impedir a reeleição da presidente. O curso dos acontecimentos desmentiu essa campanha mas permitiu a reeleição de Dilma Rousseff, cujas primeiras ações foram a de instalar um ministério na contracorrente de suas promessas eleitorais.

Ao mesmo tempo, apesar das evidências cada vez mais marcantes, o governo e seus seguidores continuaram a negar a corrupção na maior empresa brasileira, responsável pela perda de bilhões de dólares, sua perda de credibilidade e má notação internacional, uma irresponsável e absurda política de tapar o sol com a peneira, enquanto as primeiras medidas do ministério Dilma-2 contradizem as expectativas sociais, relançam a inflação e desvalorizam nossa moeda.

A entrega ao Supremo Tribunal Federal de nomes dos políticos envolvidos na corrupção da Petrobras e a aceitação de abertura de inquérito contra a quase totalidade dos indicados confirma as denúncias veiculadas nestes meses pela imprensa e coloca o Brasil numa situação de pré-criseinstitucional.

Para a esquerda brasileira independente, a situaçao é grave porque o atual escândalo impedirá a realização das reformas sociais esperadas desde os anos 60, que o ex-presidente Lula não chegou a efetivar, embora tenha melhorado a situação da maioria da população brasileira nestes últimos anos.

No caso do escândalo da Petrobras nos levar a um impeachment da presidente Dilma, não existe uma opção viável para a esquerda, pois a hipótese de Marina Silva, também de esquerda, que teve nosso apoio, foi torpedeada numa campanha infame de destruição, deixando hoje aberto o retorno à direita ao poder.

É atual o texto aqui escrito, faz seis meses, pois lança a proposta de uma nova esquerda brasileira democrática, interessada em continuar a luta em favor do povo sem recorrer à corrupção.

“Chegou a hora de mudar porque o tempo pode desviar os melhores projetos. Existe um clima geral de insatisfação e de falta de rumo, que só poderá ser preenchido com novas metas, novos desafios, novas pessoas, mesmo que sejam sonhos ou utopias. Estávamos quase habituados a calar no peito nossas decepções, pois afinal somos humanos e imperfeitos, mas ninguém pode nos impedir de reacender a chama de novas esperanças e de novas metas, na verdade as velhas esperanças e velhas metas das « reformas de base », que nos foram roubadas pelo Golpe de 64.

A maioria dessas Reformas não foram feitas e o Brasil cresceu dentro do modelo neoliberal do incentivo ao consumo, que retirou da miséria 30 milhões, essa é porém uma solução de efeitos temporários que não pode ser aplicada indefinidamente. O crescimento intensivo tem provocado a monocultura da soja, a pecuária extensiva e o desmatamento de nossas florestas, sem ter sido feita a esperada reforma agrária, se aceitando a pressão da Montsanto que nos impôs os cereais OGM, mesmo quando nossos parceiros comerciais europeus nos preferiam sem OGM. Sem se falar nas pressões do agronegócio sobre as terras indígenas, invasões, tentativas de remarcações das reservas, em nome de uma agricultura desenfreada, que não garante a necessidades das populações locais, mas voltada apenas para a exportação.

O crescimento sustentável é a grande Revolução do futuro, ainda mais num Brasil que dispõe de água, sol e ventos para fazerem funcionar suas turbinas. Os países que evoluírem para as energias alternativas serão os grandes países do amanhã e ajudarão a criar o planeta mais justo no futuro, no qual todos poderão comer sem as injunções atuais dos mercados.

Precisamos repensar a política, precisamos repensar a economia, saber o que realmente é essencial, para que as populações com o crescimento da robotização não sejam condenadas ao desemprego, e tenham, isso sim, uma vida mais plena.”

Rui Martins, jornalista, escritor, editor do Direto da Redação

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