
Miguel Amaral enviou-me mensagem de Portugal.
“Mando-lhe uma pequena relíquia, é a primeira entrevista do ex-Presidente Lula da Silva, após a sua doença, e é concedida a um documentário português chamado “O tempo e o modo”. Passou esta semana. Creio que você vai gostar. O documentário são 30 minutos, são uma serie deles, já vi alguns no Youtube e Vimeo, mas o do Lula ainda não o vi completo, apenas está disponível no site da RTP2. Fernando, não sei se existe algum programa que permita baixar directamente um vídeo de um site, se conhecer algum, o melhor é baixar o documentário para o seu PC e depois passar para o blog. Não sei por quanto tempo vai ficar disponível a entrevista no site da RTP2.”
Link:
http://www.rtp.pt/programa/tv/p28865/e8
05 JUL 2012
Duração: 30 min
LULA DA SILVA Lula da Silva foi presidente do Brasil durante dois mandatos. A sua popularidade advém do seu carisma mas também da sua história de vida: um operário que chega à liderança de uma das economias mais fortes do mundo, de um dos países mais belos do mundo, de uma sociedade desigual a realizar um enorme esforço de mudança.
Em O Tempo e o Modo quisemos saber o que é que um político com a energia e capacidade de renovação de Lula da Silva tenciona fazer para influenciar o modo como se constrói o futuro. Ouvimo-lo nas instalações da Fundação Lula, nos dias imediatamente a seguir a ser autorizado pelos médicos a retomar a sua vida pública. Lula fala da Europa e da atual correlação de forças no mundo, de ecologia e sustentabilidade, da inexistência de um pensamento de esquerda, de Dilma enquanto sua sucessora e da importância das mulheres na política. Lula, reflete, ainda, sobre a maneira como a doença que recentemente o afetou terá influenciado a sua vida, a maneira de olhar os outros e a forma como agora tenciona agir e viver.
Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 7 julho 2012 às 13:35 Caro Fernando,
Esse primeiro semestre, fui aluno ouvinte do curso Pós-Graduação IEB5022 - Tópicos Especiais de História Econômica do Brasil-IEB-USP, ministrado pelo Alexandre Freitas Nobres, que você deve conhecer, é mais um oásis no coração do conservadorismo uspiano.
Ontem enviei um email ao grupo, que reproduzo aqui:
Caros,
Um novo artigo da "Escola de Campinas", "Textos para Discussão - (Nº 9)", "A ESQUERDA E O DESENVOLVIMENTISMO: NOTAS SOBRE O PENSAMENTO DE JOSÉ LUÍS FIORI", creio que a abordagem do Eduardo B. Mariutti, além de sua posição em relação ao Fiori, é rica tem muitos conceitos e autores (Braudel, Arrighi, Wallerstein, AndreGunter, ....), ou seja, parte da visão e da abordagem que vimos no curso do Prof. Alexandre Freitas Barbosa, com a qual tive a imensa oportunidade e o prazer de participar, o que agradeço-lhes, a ele e a todos colegas pela convivência.
Debate interessante das "esquerdas", mas nem de perto passou ou chegou ao estilo Heloisa Helena ou José Serra e a lógica de pensar com o "fígado e a bílis", a qual Chico de Oliveira se prestou e usou no Roda Vida da TV Cultura, fato lamentável. Perguntei-lhe em março de 2010 na FFLCH, debate coordenado por André Singer, se ele ainda tinha esperança após sua palestra, ele respondeu com as palavras de forma tímida, "claro que tenho", mas sua expressão facial e a linguagem corporal falava outra coisa, foi a parte que ele usou na TV cultura na segunda-feira.
A outra parte da entrevista, do "jeitinho do brasileiro" me interessa muito, por exemplo: A Filosofia do Jeito, de Fernanda Carlos Borges, livro TESE, Summus - 2006, link para leitura do googlebooks. São as raízes do Brasil, cantada em verso e em proza pelos Machadianos, oswaldianos, buarquianos, Darcyanos, freyrianos, amadianos,..., e em breve, por Chico de Oliveira.
Para ser franco, o fato acima passa a ser agora apenas uma desculpa, qualquer desculpa, um gancho e mote do bom texto para debate do Mariutti, e aproveitando o momento, o que venho matutando faz alguns anos, uma década no mínimo, diria desde que o Paulo Nogueira Batista Junior ajudou-me a ver (com um tapa de pelica na cara) que poderia ser tanto ou mais estúpido como qualquer outra pessoa.
Vou citar dois fatos na 'roda viva" para adicionar ao fator "Chico de Oliveira": Glauber Rocha, sua genialidade e profécia em "Terra em Transe" (a esquerda "burra" de ontem e de hoje que se alia com a direita reacionária) e o professor Wanderley Guilherme dos Santos, sobre a esquerda no período Vargas e a "Nova era Vargas", e falo como quem vem tentando refletir com eles sobre a "era Lula", a qual não foi simples formular essa pergunta: Como a 'Era Lula' creou o 'Rockfeller' brasileiro?
1-Glauber, 1967: "Terra em Transe"
Postado por Oswaldo Conti-Bosso em 12 fevereiro 2009 às 15:30
Ver, especialmente no filme completo, as cenas que duram quatro minutos (entre 1:19 e 1: 23), que são um soco no estômago, como disse no comentário, Theotonio de Paiva em 16 março 2009 às 0:06 : "Belíssima lembrança. Penso sempre em diversas ocasiões nessa sequencia. É um soco no estômago.
Abração, Theo":
Cena 2:
Glauber mostrado o que pensava na época, o militante engajado de esquerda, chegando abruptamente e tapando a boca do operário, tal qual o que pensa essa nossa elite branca midiática golpista, de ontem e de hoje, sobre um homem de origem pobre no poder, apenas mostrar as cenas e dados da história, o que era, e o que é hoje, a ideologia religiosa e raivosa, de extrema esquerda e de direita:
"O militante intelectual de esquerda Paulo Martins (Jardel Filho): "Estão vendo o que é o povo, um imbecil, um analfabeto, um despolitizado. Já pensaram um Jerônimo no poder?"
2- A Outra 'Era Vargas' - Prof. Wanderley Guilherme dos Santos -Aula Magna IESP-UERJ
(Postado por Oswaldo Conti-Bosso em 1 abril 2011 às 13:30)
Ano passado na Flip, o Mestre Antonio Candido, contou entre suas memória, as vividas com seu amigo Oswald de Andrade, disse ele, "Oswald de Andrade vale mais que mil escolas", ao se referir sobre suas duas tentativas frustadas de ser professor na USP, primeiro na Letras (Tese para concurso da Cadeira de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, 1945: A ARCÁDIA E A INCONFIDÊNCIA, p. 61) e depois na Filosofia (Tese para concurso da Cadeira de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, 1950: A CRISE DA FILOSOFIA MESSIÂNICA, p. 101), em A UTOPIA ANTROPOFÁGICA, 1990, ( OBRAS COMPLETAS DE OSWALD DE ANDRADE).
A nossa USP, ou melhor, a USP dos Paulistas conservadores, que nasceu como "Universidade da Comunhão Paulista", derivada de 32 ("A Guerra dos Paulistas", Doc. 2002, Dir. Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi), continua ainda mais que presente nos nossos dias. Lembrando o pensamento de Pierre Bourdieu: "A presença do intelectual na formação da cultura do conhecimento não deve ficar confinado na academia". Tenho a impressão que estamos longe dessa realidade, a distância que vejo entre Academia, o "academissismo" e a sociedade são enormes (quero estar errado nessa visão), mas para quem vem da engenharia e da tecnologia, que dizia com orgulho, há décadas atrás, "a ciência e a tecnologia no estado da arte", e vejo hoje que essa contaminação do mundo tecnológico também atinge, interfere na crise das ciências sociais, mas estou na contra-mão, a ciência e a universidade não vão nos salvar, nossa salvação é pelo riqueza da nossa cultura, e creio que nesse contexto, o Lula, apesar dos pesares e das "maufadas" da realpolitik, ainda vale mais que mil intelectuais e mil políticos juntos, precisamos é de mais povo no poder e não menos.
A "guerra dos paulistas" está presente em todas as eleições no Brasil desde antes de 32, e pelo vista vai continuar por muito tempo, como neste ano. Há sinais de que em 2014 poderá vir a ser a vingança de 32 dos paulistas contra os mineiros, "acertar dois coelhos com um tiro ou uma cajadada", cenário de apoiar outro "Silva" (Marina) e acertar dois coelhos mineiros: Dima e Aécio. A continuação da lógica e do gosto da política por outros meios, a política da guerra pelo inimigo (e não adversário), pelo "fel" do fígado. Como diz Thomas Mann, "existe várias formas de estupidez, a 'intelligentsia' estúpida é a pior delas".
Sabemos que o Brasil pode e tem tudo para se desenvolver economicamente e socialmente, oportunidade muito maior que os anos dourados do pós-guerra, com Vargas e JK. Uma nova elite poderá surgir nas próximas décadas (está surgindo?), para se contrapor a essa elite (Estamento) da pedantocracia secular da "Republica Inacabada", mas confesso-lhes, eu duvido que verei em vida um desenvolvimento econômico e social significativo nas próximas décadas, mas não pretendo fazer desse meu pensamento negativo, um pessimismo amargo na vida como se vê pelas "estradas da vida", viver como quem sonha um dia olhar para trás e ter um outro prazer, não tem preço, como a poesia cantava de Cartola, "a sorrir eu pretendo levar a vida".
Quem viver verá!
Como disse no início, foi um enorme prazer conviver e conhecê-los,
Saudações e "aquele abraço",
Oswaldo
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