Erly Ricci: Sustentabilidade, distribuição de riquezas e Rede

 

 

Não há como promover a sustentabilidade sem distribuição de riquezas. Primeiro, que só pode ser sustentável o que atua em rede, aplicando-se algumas leis do modelo sistêmico como interdependência mútua, parceria, cooperação, diversidade e até reciclagem e flexibilização.

Explico:

1 - interdependência - a dependência mútua de todos os processos vitais do sistema, que deriva suas propriedades essenciais e a sua própria existência nas relações com outras coisas (a saúde de cada membro do sistema depende da saúde de muitos outros); 


2 - reciclagem - a natureza cíclica dos processos sistêmicos é um importante princípio da da sustentabilidade. Os laços de realimentação dos sistemas são as vias ao longo das quais os nutrientes são continuamente reciclados (sendo sistemas abertos, todos os organismos de um sistema produzem resíduos, mas o que é resíduo para uma atividade é alimento para outra, de modo que o todo permanece livre de resíduos); 

3 - parceria e cooperação - uma característica essencial do conceito sistêmico, uma tendência para estabelecer ligações, para viver dentro de outra organização e para cooperar - é um dos certificados de qualidade - a competição só favorece a acumulação e não a distribuição;

4 - flexibilidade - é o resultado dos múltiplos laços de realimentação, que tendem a levar o sistema de volta ao equilíbrio sempre que houver um desvio com relação à norma, devido a condições ambientais mutáveis; 

5 - diversidade -  a complexidade da uma rede sistêmica é uma consequência da sua diversidade. Uma atividade sistêmica diversificada é elástica, capaz de se adaptar a situações mutáveis.  

As crises de hoje e de ontem deram-se justamente por falta de uma percepção mais acurada de que as organizações produtivas necessitam compartilhamento e laços de retroalimentação independentes, flexíveis, cooperativos, em rede complexa e diversificada. No modelo atual, por ser extremamente inflexível, competitivo e monopolista, quando uma variável sobe ou desce demais ocorre a perda de controle, o desequilíbrio que rompe as relações gerando tensão em todo o sistema e consequêntemente a supressão cirúrgica que compromete o equilíbrio do todo. 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser só não sei quando" - Paulo Leminski

 

Comentário meu no post:

ter, 22/11/2011 - 10:41

Caros geonautas,

Gostaria de concordar inteiramente com as idéias contidas na análise e no texto de Erly Ricci, excelente, parabéns. Além do que ele é chave para todo o processo e projetos que se queira realizar e entender a vida.

 

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos”, Eduardo Galeano.

Para coroborar com essa pela reflexão, alguns links:

 

A) O MITO MODERNO DA NATUREZA INTOCADA, Antonio Carlos Diegues, Antropólogo.

(http://www.radioisotopos.ufrj.br/radioiso/arquivos/DIEGUES_MITO.MOD...) B1

 

 

B1- Yochai Benkler: The Unselfish Gene

 

Artwork: Geoffrey Cottenceau and Romain Rousset, Flamme, 2009

 

B2- The Penguin and the Leviathan: How Cooperation Triumph over Self-In...

 

- Book Agosto 2011: The Penguin and the Leviathan: How Cooperation Triumph over Self-Interest (Capítulo I, free)

 

B3- Vídeo, HLS: In new book, Benkler makes the case for “prosocial” systems design  (18/10/11)

Transcrição livre do início da palestra (da fala em inglês e da tradução):

“We live in a world build around a mistaking model of a human motivation. We have a four decades of exquisite refinement of systems from our work places to a banking systems to our networking structures that are all build around this core fundamental error. Allowed Greenspan on a moment of truth able to relate, and that basic error is not we are sometimes self-interest, that is correct, that basic error as the idea that we can properly modeling and build our systems on assuming that we will do well enough and design our systems if we build them according to a model that assumes that part of our rationality is self-interest, that we approximate who we are by say that we are more or less uniformly, more or less self interested, we will not go too wrong….”

“Vivemos em um mundo construído em torno de modelos enganosos (incorretos/confundindo) por uma motivação humana. Temos quatro décadas de refinamento requintado de sistemas a partir de nossos locais de trabalho, para um sistema bancário, para as nossas estruturas de rede, que são todos construir em torno desse núcleo e fundamental erro. Alan Greenspan permitiu em um momento de verdade capaz de se relacionar, que o erro básico não é que às vezes são nossos interesses-próprio, isso é correto, o erro básico é a idéia de que podemos corretamente modelar e construir nossos sistemas assumindo que faremos isso muito bem (do well enough), e desenhando nossos sistemas se for  construído de acordo com um modelo que assume que parte de nossa racionalidade é interesse-próprio (egoísta), que estaremos nos aproximamos de quem somos, ao dizer que somos mais ou menos uniforme, mais ou menos auto-interessado (egoísta), ou seja, nós não estaremos indo muito errado....”

B4- Can the Internet Bring the Beginning of the End of Selfishness?

yochaibenkler.jpg 

 

 

C) Papaer anexo: Martin A. Nowak_Five Rules for the Evolution of Cooperation_2006

"Natural cooperation is a third fundamental principle of evolution besides mutation and natural selection”  (tradução livre:Natural cooperação é a terceira prícipio fundamental sobre evolução, além de mutação e seleçãonatural)

 

D) Vídeo: Open-source cancer research, by Jay Bradner

A luta secular entre idéias, poder, ciência, conhecimento, ignorância,..... Sistema aberto (open source) ou sistema fechado (interesse privado), em outras palavras, 'Wall Street game' ou 'Community game' (cooperação)?

 

E) Livros de Ilya Prigogine, caso queiram ler sobre as questões, desde EPICURO até a termodinâmica do Não-Equilibrio e da Instabilidades, contra ponto do pensamento Cartesiano e determinista da ciência das certezas dos últimos séculos, desde Galileu, ou seja:

"O tempo é uma ilusão" (Einstein), ou "O tempo precede a existência" (Prigogine, 1985)? - Ilya_Prigogine._As_leis_do_caos._Sâo_Paulo,_Editora_Unesp,_2002. (inglês de 1993) 

 

“Ao longo das últimas décadas, um conceito novo tem conhecido êxito cada vez maior: a noção de instabilidade dinâmica associada ao 'caos'. Este último sugere desordem, imprevisibilidade, mas veremos que não é assim. É possível (...) incluir o caos nas leis da natureza, mas contanto que generalizemos essa noção para nela incluirmos as noções de probabilidade e de irreversibilidade ”.
Ilya Prigogine, “As leis do caos”, Unesp, SP, 2002, p:8 

  - Ilya_Prigogine._O_fim_das_certezas._São_Paulo,_Editora_Unesp,_1996. (inglês de 1996)(Tempo, caos e as leis da natureza).(Observção: Esse  em inglês,  a capa é um pouco diferente, não saberia dizer se interfere na qualidade da tradução, sendo da UNESP, mas creio que o fato muda o sentido da frase nas duas duas capas: de "New Laws od Nature" (Nova leis da Natureza, para "Leis da natureza"),English: The End of Certainty - Time, Caos, anda New Laws od Nature 

 

“Neste fim de século, a questão da ciência é muitas vezes colocada. Para alguns, como Stephen Hawking em sua ‘Breve história do tempo’, estamos próximos do fim, do momento em que seremos capazes de decifrar o pensamento de Deus”. Creio, pelo contrário, que estamos apenas no começo da aventura.”

Ilya Prigogine, O fim das certezas, pág. 14.

  

 

O DILEMA DE EPICURO

“As questões estudadas neste livro- O universo é regido por leis deterministas? Qual o papel do nosso tempo? – foram formuladas pelos pré-socráticos na aurora do pensamento ocidental. Elas nos acompanham já há dois mil anos. Hoje, os desenvolvimentos da Física e das Matemáticas do caos e da instabilidade abrem um novo capítulo nessa longa história. Atualmente percebemos esses problemas sob um novo ângulo. Podemos a partir de agora evitar as contradições do passado.”

Ilya Prigogine, O fim das certezas, O Dilema de Epicuro - Cap. I, pág. 17, 1996.

Sds,

 

(...) "A vida é o que acontece com você, enquanto você está ocupado fazendo outros planos", John Lennon

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Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 22 novembro 2011 às 22:20

Sustentabilidade com distribuição de riqueza


Do Blog de Conti-Bosso

Em conversas com alguns técnicos do IPEA, notei que existe uma grande tendência ao paradigma sistêmico em seus conceitos. O que emperra as ações nos planos de desenvolvimento é justamente a falta de uma sintonia entre os órgãos que não conseguem operar em rede porque os comandos, geralmente políticos e em constante mudança, não conseguem estabelecer ou preservar parcerias aliado ao fato de que muitos ainda estão focados apenas nos detalhes, não no todo. Esta visão reducionista ainda impera também nos tecnocratas.

O modelo sustentável proposto nesta minha análise é suficiente para evitar crise em qualquer segmento. Este é o paradigma de que precisamos para a saúde da economia.

 

 "pelos caminhos que ando um dia vai ser só não sei quando" - Paulo Leminski

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 22 novembro 2011 às 22:21

Sustentabilidade com distribuição de riqueza


Do Blog de Conti-Bosso

imagem de Erly Ricci

Assis,

Devo agradecer ao Nassif, ao Conti-Basso e a você por ampliar o debate. Fiz só um comentário com a intenção de complementar o seu e Conti-Basso acabou postando no blog dele e o Nassif subiu a postagem.


Uma vez, há muito tempo, quando defendia o modelo sustentável de um projeto que havia iniciado de produção orgânica (que se mantém ha mais de 20 anos numa comunidade do litoral do Paraná), alguem me perguntou: O que é sustentabilidade? Na ocasião, eu não soube responder, porque aplicava na prática dentro de uma comunidade em que a maioria dos seus membros eram analfabetos. Então, comecei a pensar sobre tudo o que envolvia o projeto: os parceiros, os produtores, os compradores, a natureza, o clima, o modelo ecológico, a diversidade de produção e cultura de cada um dos envolvidos com o sistema em prática. Sabia que o projeto só funcionava porque era auto sustentável e descobri que só era auto sustentável porque funcionava em rede, havia cooperação entre todos os envolvidos, com atuação interdependente, não produzia resíduos por causa do re-ciclo das sobras, era flexível porque o erro de um não comprometia o todo orientado também pela imensa diversidade de produção e atividades relacionadas. Na mesma época, estudando Humberto Maturana, Francisco Verela, Ilya Prigogine, Gregory Bateson, entre outros, consegui sintetizar os cinco itens, descritos no comentário, como base da sustentabilidade, mais para explicar o modelo de produção sistêmica em palestras. Depois, em 1996, Fritjof Capra, no livro A Teia da Vida (The Web of Life: A New Scientific Understanding of Living Systems), explanou brilhantemente os itens como leis da vida (biológica, da natureza) que poderia ser usada em qualquer atividade humana. 

 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser só não sei quando" - Paulo Leminski

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 22 novembro 2011 às 22:46

Caro Erly Ricci,

Você fez reavivar o tempo, de volta para o passado, lembrai dos dizeres no verso da camiseta de bicho que criamos no início dos anos 80's, no C.A., quando cursava engenharia: "Tudo que acontece a terra, acontece aos filhos da terra" ,  tinha uma pessoas que fazia biologia e conhecia a história da tribo de índio americana.

Lembro também que guartei uma camiseta nova no meu guarda-roupa, mas isso foi a 3 décadas, não faço idéia nem se existe o guarda roupa, quanto mais a camiseta, mas a experiência vivida, continúa impregnada nas céllas da memória....

Aí vai um link para quem deseja ler o livro de Fritjof Capra: A Teia da Vida

Sds,

http://livrosdamara.pbworks.com/f/Fritjof%2520Capra%2520-%2520A%252...

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