Esgoto tratado substitui fertilizantes

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


O esgoto doméstico pode ser utilizado para irrigação de plantas e cultivo de peixes, dado o elevado grau de nutrientes que carrega. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) submeteram quatro tipos de culturas a irrigação, e acompanharam o desenvolvimento da espécie Tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) no efluente que, normalmente, é lançada nos corpos hídricos após sair das estações de tratamento de esgoto (ETE).

O reuso dessa água, num estado que ainda não é próprio para o consumo direto de humanos, é mais uma alternativa a economia do recurso potável – estimasse que apenas 2,5% da água do planeta seja doce, o Brasil detém aproximadamente 12% desse total.

Resultados

O coordenador do estudo, e professor titular do Departamento de Engenharia Hidráulica da UFC, Francisco Suetônio Mota, explica que em alguns casos é possível substituir totalmente a aplicação de fertilizantes, uma vez que o efluente é rico em compostos como fósforo, potássio e sódio.

A plantação de mamão apresentou maior produtividade a partir da irrigação com efluentes e sem adubação. Já a cultura de mamona teve maior desempenho quando foram combinadas irrigação com efluentes e algum suprimento de adubo. Os resultados de testes feitos com melancias submetidas a irrigação de esgoto tratado mostraram ausência de Salmonella e baixa quantidades de coliformes fecais, “atendendo, assim, os limites fixados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, conclui.

Mota ressalta que em alguns casos, dependendo da qualidade dos efluentes, é aconselhável suspender a irrigação com o esgoto tratado por algumas semanas voltando a utilizar água potável. A incidência de raios solares garante a destruição de microorganismos patogênicos.

Nos tanques com esgoto sanitário tratado, e que serviram de viveiros para a Tilápia do Nilo, o pescado ficou dentro dos padrões de qualidade aceitáveis para o consumo humano, tanto em relação à contaminação microbiológica como por metais pesados.

Para acessar mais dados do projeto, clique aqui.

Prosab


Os recursos que financiaram o estudo sobre o reuso de água para irrigação, e criação de peixes, foram concedidos pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no âmbito dos mecanismos Fundo Setorial de Recursos Hídricos (CT-Hidro) e Programa de Pesquisa em Saneamento Básico (Prosab).

O Prosab, criado em 1983 e reformulado em 1995, beneficiou no último edital cerca de 46 projetos investindo um total de R$ 11,295 milhões – no penúltimo, foram contemplados 40 trabalhos com recursos de R$ 7,374 milhões.

O objetivo do programa é apoiar o desenvolvimento de pesquisas e aperfeiçoamento de tecnologias em seis redes: água, esgoto, lixo, lodo, uso racional de água e energia, e manejo de águas pluviais urbanas.

A professora do Departamento de Engenharia Sanitária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lisete Lange, coordenou também uma pesquisa que recebeu financiamento do Prosab, voltada para análise de aterros sanitários, a integração desses com o balanço hídrico e o tratamento de lixiviados – águas extremamente poluentes que se formam a partir da decomposição de resíduos.

Para saber mais sobre o Prosab, clique aqui.

Aterros


Segundo Lange foram estudadas quatro células experimentais de 24 metrôs cúbicos onde os resíduos foram depositados diariamente. A cada remessa de lixo, uma camada de grama era colocada para esperar o recebimento de mais resíduos. Comumente os aterros sanitários optam por uma camada de terra, nesse caso a vida útil de cada célula é de dois meses, quando utilizada grama, esse período salta para cinco meses, melhorando a degradação do lixo e a otimização do espaço.

No estudo, os pesquisadores também verificaram a eficiência da recirculação do lixiviado, também chamado de chorume, que são os líquidos formados pela deposição diária de resíduos, mais a incidência de chuvas nos aterros. Lange explica que quando o lixiviado é reconduzido às células, ajuda a diminuir o tempo de decomposição do material, mas ressalta que não é possível recircular o líquido infinitamente. “O tratamento do chorume deve existir sempre, mas o sistema de bombeamento até certo número de vezes ajuda a diminuir o custo e a minimizar a geração do líquido”, completa.

O projeto da UFMG foi realizado em parceria com a Prefeitura do Município de Catas Altas. A pesquisadora esclarece ainda que o processo de recirculação já é utilizado em grandes aterros, mas que a eficiência pode ser percebida, sobretudo, em espaços que atendem a pequenas cidades – enquanto num município grande a produção de lixiviado pode chegar a 500 litros por minuto, em uma região com poucos habitantes, o valor registrado pode ser de apenas 4 litros por semana.

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