especial de domingo @ reunião FUNDAÇÃO ASTROJILDO PEREIRA ***** proposta de plano de trabalho para 2010


YouTube http://www.youtube.com/watch?v=YtaR8CdCAUc
a FAP que tem como patrono Astrojildo Pereira é um novo instrumento para análise e discussão das complexas questões da atualidade aberto a todo e qualquer cidadão independente de ser filiado ou não à agremiação partidária e de suas concepções políticas e filosóficas

Instituida pelo PPS Partido Popular Socialista, destina-se ao estudo e à reflexão crítica da realidade, na construção de referências teóricas e culturais que incidam sobre as lutas democráticas da sociedade brasileira


É preciso sacudir pelas entranhas os cegos que não querem ver e os surdos que não querem ouvir. Entre outras razões, porque não queremos que o Brasil se transforme num país de mudos.

Astrojildo Pereira

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Astrojildo Pereira continua a pagar o preço de sua opção filosófica e de sua ação de militante revolucionário, de fundador do PCB e seu 1º secretário-geral. Nunca esteve ao lado dos poderosos, da classe dominante: nada mais compreensível do que ser banido da cultura "oficial", dos meios acadêmicos.

José Paulo Netto (cientista social, MG)
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Visitem o site da Fundação: http://www.fundacaoastrojildo.org.br/

Astrojildo Pereira

Astrojildo Pereira Duarte Silva nasceu em Rio Bonito (RJ), em 1890.
Ainda jovem iniciou sua militância em organizações operárias de orientação anarquista, tendo sido um dos promotores, em 1913, do II Congresso Operário Brasileiro. Iniciou na imprensa operária sua carreira de jornalista, atividade a que se dedicaria durante a maior parte de sua vida. No final de 1918, participou dos preparativos de uma frustrada insurreição anarquista e, por conta disso, foi preso.

Com a vitória da Revolução Russa, em 1917, começou a afastar-se do anarquismo.
Em 1922, participou do congresso de fundação do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), em Niterói (RJ). Em seguida, foi eleito secretário-geral da nova organização e nessa condição fez sua primeira viagem à União Soviética, em 1924. No ano seguinte, o PCB iniciou a publicação do jornal A Classe Operária, que teve Astrojildo e Otávio Brandão como principais redatores. Em 1927, encarregado pela direção do partido de buscar contato com Luís Carlos Prestes, exilado na Bolívia, para propor-lhe entendimentos políticos, entregou ao líder tenentista, nessa ocasião, diversos volumes de literatura marxista. Ainda nesse ano o PCB passou a estimular uma política de frente eleitoral com outros setores de esquerda, o que acabou resultando na criação do Bloco Operário, posteriormente rebatizado de Bloco Operário e Camponês (BOC). Em 1928, passou a fazer parte do Comitê Executivo da Internacional Comunista, eleito no VI Congresso da entidade.

Entre fevereiro de 1929 e janeiro de 1930 permaneceu em Moscou, de onde voltou com a orientação de proletarizar o PCB, ou seja, promover a substituição dos intelectuais da direção do partido por operários. Em novembro de 1930, o processo de proletarização acabou atingindo o próprio Astrojildo, que foi afastado da secretaria-geral. No ano seguinte, desligou-se do PCB, após breve período de atuação junto ao seu Comitê Regional de São Paulo.

A partir de então, dedicou-se durante muitos anos aos negócios particulares herdados do pai e, já como crítico literário reconhecido, colaborou no jornal carioca Diário de Notícias e na revista Diretrizes. Em 1944, publicou Interpretações, obra em que reunia estudos sobre literatura, com destaque para o artigo "Machado de Assis, romancista do Segundo Reinado".

Em 1945, foi delegado do Estado do Rio ao I Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em São Paulo, e um dos redatores da declaração de princípios do encontro, marcada por críticas à ditadura de Vargas. Ainda em 1945, retornou ao PCB e, desde então, passou a colaborar intensamente com a imprensa partidária. Dirigiu as revistas Literatura, Problemas do Socialismo e Estudos Sociais, e colaborou com o jornal Imprensa Popular e com a revista Novos Rumos.

Em 1964, foi preso após o golpe militar daquele ano, tendo permanecido na prisão por três meses, já em estado de saúde precário. Morreu no Rio de Janeiro, em 1965.


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Comentário de Delcio Marinho em 6 dezembro 2009 às 3:59

"JILDO", UM REVOLUCIONÁRIO CORDIAL
Autor: José Roberto Guedes de Oliveira

Muito bem antes de Ernesto “Che” Guevara lançar ao mundo a célebre frase idealista “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”, um então revolucionário do interior do Rio de Janeiro fazia de sua vida a expressão máxima dessa afirmativa. E não foi sem razão que o general-escritor Nelson Werneck Sodré lhe atribuiu, mais além de uma inabalável e irremovível fé ideológica, uma característica de personalidade marcante, que o tornou digno sempre da admiração de todos: “como criatura humana Astrojildo Pereira representa um tipo singular, em cuja personalidade se harmonizam a tolerância e a intransigência, a grandeza e a modéstia; a extensão e a profundidade; tolerância ao erro humano e intransigência na defesa dos princípios; grandeza na fidelidade às convicções e na capacidade de apreender a realidade e modéstia na conduta e no entendimento com os outros; extensão de conhecimentos que não se desligou jamais da profundidade e lhe permitiu sempre distinguir com clareza o essencial do secundário”.

Como estudioso da vida e das obras de Astrojildo Pereira (1890-1965), não poderia deixar de tecer alguns comentários, em vista do excepcional trabalho escrito pelo prof. Martin Cézar Feijó, da FAAP, de São Paulo, e lançado pela Boitempo Editorial.

Precisamente agora, quando nos encontramos numa escalada surpreendente de embates, a figura de Astrojildo Pereira nos concede um caminho de retidão, de compreensão e de meditação nos destinos do Brasil e da humanidade. Foi e sempre o será uma fórmula capaz de transformar e apazigar espíritos, a mensagem deixada por este revolucionário riobonitense – ainda merecedor de uma estátua central na sua pacata cidade natal (que isto chegue aos ouvidos da administração de Rio Bonito-RJ).

Quando, com a voz embargada, Otto Maria Carpeaux pronunciava o seu tocante panegírico, naquele 21 de novembro de 1965, no cemitério de Maruí, em Niterói, Inês Dias Pereira, a eterna e inseparável companheira de Astrojildo Pereira não se sentia só desolada, mas apartada daquele que lhe fora uma doce criatura. A sua saúde debilitada ainda lhe permitia, ao final da homenagem póstuma, gritar a todos ouvidos: “Viva Astrojildo Pereira!”. Meses depois, a dileta filha do célebre anarquista Everardo Dias, juntava-se ao seu querido “Jildo”.

Compreender o principal fundador do PCB, seu 2º Secretário-Geral (o 1º , por alguns meses, fora Abílio de Nequete, em 1922) é uma tarefa gigantesca e de muitas dimensões, pelo que ele representa e representou no contexto social e revolucionário em pelo menos quatro décadas do início do século XX. Toda a sua vida foi uma paixão: pelas suas idéias e ideais e pela sua Inês Dias.

A trajetória de Astrojildo Pereira passa pelo anarquismo, até 1919 e, em 1922, pelo comunismo, um período de exclusão do PCB (1931 a 1945) e a volta, com a declaração de sua “mea culpa”. Em toda a sua luta, jamais deixou de estudar e produzir trabalhos, mesmo quando amargando um ostracismo, vivendo de uma pequena quitanda que lhe rendia alguma coisa para sobrevivência. Neste período, dizia ele anos mais tarde: “Vivi assuntando, somente assuntando”.

Não foi nada anormal quando, em 1964 lhe invadiram a sua modesta casa, em busca de não se sabe o quê, apenas encontrando livros, jornais, revistas e anotações: um sacrilégio cometido pela repressão militar a um homem enfartado, simples, cordial e que merecia o respeito de todos. As exceções são assim mesmo: não medem consequências e a história registra como dias de horror.

Não houve, em momento algum, desafetos para com Astrojildo Pereira. Mesmo que alguns estudiosos tentem indispo-lo contra Octavio Brandão, as fortes evidências que mantenho em meu acervo sobre o escritor er revolucionário alagoano, posso assegurar de uma intimidade duradoura, forte e indissolúvel. Claro que Brandão era polêmico (e o foi a todo instante), mas não recordo de ódio ou rancor dessa figura sofrida. Foram apenas expressões que o criador de Canais e Lagoas pronunciava, mesmo aos que lhe foram mais próximos: Jorge Amado, José Olímpio e Luiz Carlos Prestes, por exemplo.

O autodidata Astrojildo Pereira, que não pertenceu a uma Associação Brasileira de Letras, sendo poliglota, ensaísta, jornalista (dos mais puros e férteis), revolucionário, teórico do socialismo científico, fundador e dirigente do PCB, até poeta nos tempos de anarquista, não trazia debaixo do braço qualquer arma, a não ser o seu inseparável jornal; à cabeça, uma infinidade de idéias e um chapéu (desses tipo Ramenzoni). Não deixou descendentes, mas uma mensagem de amor. A fala mansa, o poder de compartilhar com todos, não fugindo de seus princípios e ideais adotados, além de ser uma das maiores autoridades sobre Machado de Assis e Lima Barreto, fê-lo um homem de fibra, com a vocação da brasilidade. Pena é que, ainda, pouca coisa se saiba sobre a trajetória de Astrojildo Pereira e sua influência na transformação social do Brasil.



a ARVORE " na Intimidade " ( DM )
minha avó Maria Francisca Pereira Marinho é a irmã de Astrojildo Pereira ( filhos de Isabel e Ramiro , meus bisavós , avós de minha mãe ) Astrojildo Pereira Duarte Silva ( Rio Bonito, 1890 — RJ 1965 ) escritor, jornalista, crítico literário e político brasileiro, Fundador do Partido Comunista do Brasil, em 1922

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