« Rêver, c’est le bonheur ; attendre, c’est la vie. »
Sonhar é a felicidade, esperar é a vida.
Victor Hugo

 

Meu coração está frio, gelado...Nas horas que; para um são manhã e outro tarde e na tarde se faz noite e a noite é o dia do outro; somos muitos e a vida desafia... Faz calor nos trópicos, eu sei e para ele faz frio, mas quem treme sou eu e se te aqueço, amor, com a calidez do meu sorriso; ele congela na espera...

Meu país é dor, sangra abatido e no teu inverno a vida não espera... é de sonho e não sabe o fuzil na mão infantil e a ditadura que segue e esvazia, a panela oca, a vida oca, a alma vazia.

 E te sonho, mas a favela ainda é tela cubista de bandeirolas coloridas; que país bonito esse de angústia e que cor bonita a que vem do gueto, esse preto  veludo escuro que confunde e ilude contra o muro nas luzes azuis e vermelhas poderia ser liberdade, mas é prisão, porque preto da favela é condenação, danação.

Espero e a espera é fria; somos dois mas sou muitas neste país de poucos e meu desejo é vadio como as moças  fáceis da noite; não é de espera, não dessa espera disciplinada e triste e sim daquela das coisas urgentes que se indisciplinam e displicentes até parecem indolentes...meu desejo é raiva e resvala no rebolado macio, escorrega nas curvas ...desprende entre os coloridos da vida, como estes lixões se tornam comida e os desvalidos.

Meu país não é de espera é de repressão, é de opressão e de prisão, machuca minhas asas e não podes imaginar nesta quimera o quão distante é este junho e o calor derrete a cera que prende minhas asas... Ícaro perdido, não posso voar.

Meu país é de porão e de mentiras, de recontar histórias feias como se foram bonitas e de poetar a tortura que excrucia transmudada em merecida punição

Tu me punes com esta inocência da vida e com a geografia tola que vai derretendo o desejo nas angústias da vida. Faz frio no teu país que não é cubista, nem urgente como o meu...este calor espalhafatoso e colorido que se desprende em fogo do cinzento da estrada me desvairia; não sou de espera, não sou de vida, sou de morrer pouco a pouco nas quimeras tantas e de te sonhar vou  delirando que não há espera e que  já é junho e que não existem mais ossadas perdidas dos nossos irmãos, que estendo a mão e te prendo com as coxas em minha cama vazia, que meu país recorda e que não somos botas pesadas sobre mentes tão delicadas.

Faz calor no meu país que não é impressionista, nem modorrento como o teu... este frio que despenca em matizes suaves de branco e cinza sobre as folhas recém-nascidas de uma primavera incipiente e adorável te silencia...és de espera, és da vida de deixar os sonhos na matemática tardia e pensas o abril da razão, desprezando a religião da hipocrisia, finges que em teu país não houve a guerra, mas de tanta guerra, finges que não deixastes de me sonhar.

 

Te espero e a espera angustia

É abril para ti

Gostaria que fosse junho

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