Estocagem de gás natural: possibilidades para o Brasil

Por Marcelo Colomer, do Blog Infopetro

O aumento da produção de gás de folhelho (shale gas) nos EUA, o acidente nuclear de Fukushima e o acirramento das pressões ambientais vêm contribuindo para o redirecionamento das atenções mundiais para a indústria de gás natural. Esse otimismo, recentemente despertado sobre o gás natural, não é um episódio recente. De fato, desde a década de 70 o gás vem captando os olhares, não só dos Estados Nacionais, mas também das principais empresas petrolíferas como uma alternativa aos hidrocarbonetos líquidos.

A partir da década de 80, e no Brasil a partir da década de 90, o processo de abertura e liberalização da indústria de gás natural vem exigindo mecanismos operacionais e contratuais cada vez mais flexíveis. Em outros termos, nesse novo ambiente competitivo, as especificidades associadas aos investimentos na malha de transporte e distribuição, assim como a complexa interação existente com o setor elétrico, aumentam a importância de modelos de negócio mais flexíveis. É nesse contexto que se destaca a importância crescente da atividade de estocagem em formações geológicas.

Os estudos sobre estocagem de gás natural em formações geológicas datam do início do século XX sendo que foi somente a partir de meados da década de 70 que a atividade de estocagem passou a assumir um papel mais relevante dentro da cadeia do gás natural, principalmente nos EUA.

Destacam-se como estruturas geológicas propícias a armazenagem de gás natural antigos reservatórios de hidrocarbonetos, cavernas de sal e aquíferos. Nos EUA, por exemplo, em 2010, havia cerca de 410 sítios de estocagem sendo 37 cavernas de sal, 43 aquíferos e 330 antigos reservatórios, como pode ser visto no gráfico 1.

Em 2011, a retirada líquida de gás natural dos sítios de estocagem nos EUA (diferença entre volume injetado e volume retirado) atingiu seu máximo em Janeiro com uma média de 745 MMm3/d ou 42% da produção líquida norte-americana. Nesse mesmo mês em 2012, a retirada líquida foi de 508 MMm3/d ou 27% da produção líquida dos EUA. A diferença entre estes dois períodos deve-se as temperaturas mais amenas verificadas nos primeiros meses de 2012. O gráfico 2 mostra as retiradas líquidas verificadas nos EUA entre janeiro de 2010 e maio de 2012.

A importância da estocagem para a indústria de gás natural nos EUA pode ser verificada pela elevada participação das retiradas líquidas sobre a produção líquida de gás natural. O gráfico 3 mostra que entre 2002 e 2012 por várias vezes as retiradas líquidas de gás natural dos sítios de estocagem estiveram em torno de 50% das produção líquida do energético nos EUA. Não por coincidência, esses momentos ocorreram, quase que exclusivamente, nos meses de inverno no hemisfério norte (Dezembro, Janeiro e Fevereiro).

Segundo Goraieb e Iyomasa (2005), a atividade de estocagem de gás natural apresenta algumas importantes funções econômicas e operacionais dependendo do seu uso e propósito. No hemisfério norte, por exemplo, as características climatológicas impõem um perfil sazonal ao consumo de gás natural. No inverno, em função das baixas temperaturas, verifica-se um elevado consumo de gás enquanto que no verão, a demanda pelo energético mostra-se diminuída. Nesse sentido, a estocagem de gás natural permite que os compradores se defendam dos elevados preços praticados nos meses de inverno comprando e estocando gás nos meses de verão, quando o preço e as condições de oferta são mais favoráveis.

Ao lado da sazonalidade, outra importante utilidade da estocagem diz respeito às situações de contingência. Em outros termos, os efeitos negativos de picos inesperados de consumo ou de cortes súbitos na produção podem ser mitigados através da estocagem de gás natural. No Brasil, por exemplo, em 2008, um desmoronamento de terra causado por intensas chuvas na região de Santa Catarina danificou parte do trecho sul do GASBOL deixando parte dos estados da região sul do país sem fornecimento de gás natural por semanas.

A terceira função da estocagem está associada à formação de reservas estratégicas. A geopolítica da indústria do petróleo e gás natural é permeada de instabilidades e incertezas. Um exemplo claro dessa conturbada relação pôde ser visto em 2009 quando o fornecimento de gás da Rússia para Europa foi interrompido em função dos embates comercais entre a Ucrânia e Moscou. Nesse contexto, a formação de estoques estratégicos mostra-se uma importante defesa contra problemas políticos circunstanciais. (...) O texto continua no Blog Infopetro.

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