Há duas estruturas clássicas de comando e controle bem sucedidas ao longo do tempo. Uma é a cadeia de comando criada pelos homens para as campanhas militares, as guerras, que a longo de milhares de anos foram testadas e aperfeiçoadas nos inúmeros embates que a humanidade se envolveu e continua a se envolver até hoje.

A segunda é a da fé. Independentemente da escolha religosa os homens desenvolveram um fantástica estrutura de organização de fiéis em todo mundo. As religiões mais antigas e as mais novas fornecem exemplos interessantes para este estudo.

Vamos falar no entanto da organização de uma outra atividade milenar, a atividade política, e do exercício do poder na era atual. Uma campanha precisa de organização para pode comunicar suas diretrizes, seu pensamento, suas atividades. Precisa informar seu programa, seus candidatos, sua plataforma. E agora, mais do que nunca, ouvir seus seguidores. Assim temos um do principais fatores de diferenciaçao das atividades. O sentido em que a informação flui.
Enquanto as duas primeiras tem o sentido preponderante da informação de cima para baixo, a terceira tem que construir um canal duplo de tráfego de informações. As cadeias de comando, hierarquizadas ao longo do tempo, não tinham como fazer este fluxo duplo funcionar bem. Com o uso da tecnologia, mais específicamente da Internet , este canal já pode ser construído com eficácia.
A primeira definição a ser adotada é quantos níveis serão utilizados na construção desta estrutura de comando e controle. Olhando a organização militar podemos simplificar dizendo que são utilizados 4 níveis de planejamento: General, Coronel, Major, Capitão e quatro níveis de execução. Tenente, Sargento, Cabo, Soldado.
A organização religiosa da Igreja Católica usa 4 níveis gerais. Embora existam cardeais, arcebispos, vigários, monsenhores, núncios- o que mostra a complexidade da organização, e as diferenças entre o que é a organização política e a religiosa- a linha de comando e ação pode ser resumida em Poder central de Roma, bispos, párocos e voluntariado laico.
As organizações evangélicas que bem se utilizam das TVs, usam uma estrutura que simplificaremos como obreiros, evangelistas, pastores e poder central (o caso dos bispos é recente).
Estas estruturas foram concebidas em função de quantas pessoas um líder local consegue influir, mobilizar, ou controlar efetivamente. Com o surgimento da televisão e do rádio houve uma ampliação deste raio de ação, com o consequente aumento da velocidade de propagação da expansão. Com o surgimento e a consolidação da Internet esta velocidade foi aumentada. Assim, objetivos passaram a ser medidos em escalas de milhares e não de centenas.
Chegando mais perto de uma campanha política para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, consideraremos o objetivo de cadastrar e exercer influencia em cerca de 1.000.000 de eleitores em todo o estado. Como calcular o numero de núcleos e níveis ?
Aceitando como correta a afirmativa que cada pessoa pode influenciar outras 20 para fins eleitorais, podemos calcular que se fizermos 4 níveis de comando teremos que achar o valor de 20 elevado a quarta potência, o que dá como resultado 160.000. Assim, seriam necessários mais de 6 núcleos(6,25) organizados desta forma para que o objetivo de influenciar em 1.000.000 de pessoas seja conseguido. Este seria assim o Estado Maior da Campanha, ou o número mínimo inicial necessário para atingir o objetivo.
A pergunta seguinte é quantos votos são necessários para a eleição de um governador no Rio de Janeiro? Podemos estimar que com um colégio eleitoral de 11 milhões e meio de eleitores e considerando os votos nulos, em branco e as abstenções ainda assim serão necessários cerca de 4,5 milhões de votos para se consagrar o eleito.
A próxima conta é a mais fácil. Vou precisar de um Estado Maior de 4,5 x 6,25 para ter o mínimo necessário. Ou seja será necessário um núcleo inicial mínimo de 27 pessoas preparadas treinadas e dedicadas a esta tarefa durante 12 meses.
Você consegue reunir este grupo em torno de você? Então podemos estar falando com o próximo governador do Estado.
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