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Amigos,

Eis em outras palavras
o que venho dizendo com
certa ironia sobre o cinismo
de muita gente (intelectuais,
artistas, executivos e
outros) em querer aparecer
na caça aos traficantes
do Rio. E por que não
responsabilizar o ex-Ministro
Márcio Thomas Bastos por
ter patrocinado a alteração
do Código Penal no que se
refere a descriminalização
do usuário.

Faço o destaque:
"Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado."

Marco Nogueira


"Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro" -
- por Sylvio Guedes -

Fonte:
Jornal de Brasília

Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, critica o "cinismo" dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas. Guedes desafia a todos que "tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir:

EU AJUDEI A DESTRUIR O RIO

Leia o artigo na íntegra:

É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.

Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente.

Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon.

Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas
chefias e diretorias.

Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente
intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.

Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de
serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão.

Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato.

Festa sem cocaína era festa careta.

As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a
necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.

Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.

Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes
rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.

Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado.

São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem
famílias, arrasam lares, destroçam futuros.

Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir:

"Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro."
Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.

Exibições: 509

Comentário de Wsobrinho em 1 dezembro 2010 às 16:40
Parabéns, parabéns... muito bem lembrado. Os filhos da classe média e alta, agora pais de novos mauricinhos e patricinhas clamam pelo fim da violência, mandar a policia descer o pau, pq não mata essa gente?, e ignoram que eles começaram todo esse porcesso e continuam como fonte de financiamento. Pior ainda, com o advento do crack os pobres passaram a ser consumidores também, mas como são pobres, não consegeum sustentar o vício, a n]ao ser praticando crimes para adquirir dinheiro e consumir a droga, masi uma vez a "elite" se sente prssionada, ainda por cima nos roubam para concorrem conosco no consumo?
Comentário de Stella Maris em 1 dezembro 2010 às 17:00
Marco,
Passando por aqui e te lendo.( Assunto sério)
Comentário de Erick Vizoki em 6 dezembro 2010 às 23:36
Sinceramente, não vi ali valor jornalístico, mas sim um desabafo. Mas poderia ter sido um alerta.
Sylvio Guedes não deixa de ter razão, e está longe de estar errado.
Mas não acho oportuno colocar agora este ponto de vista. Se fosse antes, tudo bem... Ele até poderia ter iniciado esse texto com um categórico e indiscutível "EU AVISEI!"...
É claro que pessoas ilustres, assim como as não ilustres (mas tão pensantes quanto) irão se manifestar a favor dessa operação militar no Rio... E é claro que entre esses há os que contribuíram para que essa realidade se tornasse uma realidade com peso de pesadelo.
Considero o texto sem propósito e um desestímulo. Se fôssemos considerar isso como uma proposta, esta seria: "Deixe tudo como está, a mídia e os artistas, ricos e famosos, que resolvam".
Porque não aplaudir uma ação dessa natureza, mesmo que haja interesses políticos e/ou econômicos por trás disso?
O que fazer então? Se não for o Estado e a polícia, que existem para isso mesmo, incumbidos de resolver esse tipo de situação, quem seria então? As milícias paramilitares que estão se instalando lá?
Será que quando finalmente alguém, seja lá quem for, decide fazer alguma coisa que todo mundo queria, devemos criticar só porque não foi um cidadão comum ou um super-heroi, mas sim a polícia e o Estado que acabaram fazendo (como deveria ter feito há tempos), devemos então dizer: "Era sua obrigação, então não precisa de méritos"? E se fizermos isso e eles responderem: "Então foda-se! Resolvam vocês mesmos!!!"?
Vocês não acham que devemos aplaudir um acerto, nem que seja tardio? Mesmo que haja outros intersses em jogo, mas que pode ter livrado toda uma comunidade (cerca de 300 mil pessoas trabalhadoras e honestas) das mãos de assassinos e ladrões? Quantas pessoas vocês acham que usam drogas nesse país? Ou vocês acham que não existe nenhum jornalista que use droga? E se houver um jornalista que se drogue, então só ele pode ser a favor dessa ação? Mesmo que seja hipócrita?
Prefiro defender essa atitude da Secretaria de Segurança do RJ e dizer: "Parabéns! É isso mesmo que esperamos de vocês! Continuem assim!".
E olha que isso aconteceu depois do período eleitoral, o que elimina a desculpa de "ação eleitoreira"...
Abs!!! \o/
Comentário de Erick Vizoki em 6 dezembro 2010 às 23:44
ERRATA:
"E se houver um jornalista que se drogue, então só ele pode ser a favor dessa ação?".
O correto é:
"E se houver um jornalista que NÃO se drogue, então só ele pode ser a favor dessa ação?"
Desculpem a falha, foi mal...

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