Expansão do parque de refino brasileiro: uma caminhada para a real autossuficiência

Por Marcelo Colomer e Ana Tavares do Blog Infopetro

A recém empossada presidente da Petrobras Graça Foster, em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, declarou que caso a Petrobras possuísse mais refinarias com o perfil de produção voltado para o diesel e para a gasolina, a importação desses derivados estaria em um patamar consideravelmente menor e, em consequência, a queda do lucro da empresa que ocorreu no último trimestre de 2011 poderia ter sido minimizada.

Graça também defende que não somente a ampliação do parque de refino nacional irá atender à crescente demanda por combustíveis – entre 2011 e 2010, houve aumento de 6,6% dessa demanda –, mas também o aumento da participação da Petrobras no mercado de etanol, a fim de conceder aos motoristas o poder de escolha nos postos de abastecimento, garantindo de tal forma o equilíbrio econômico aliado a essa crescente demanda.

A fim de garantir o suprimento da demanda interna, houve, no último ano, um aumento de 22% nas importações de barris de petróleo e derivados. Contudo, esse incremento nas importações, principalmente de derivados, não foi acompanhado pelo repasse do aumento dos preços internacionais para o mercado doméstico. Sendo assim, em 2011, verificou-se uma defasagem média real para a gasolina de 15% e, para o diesel, de 16%.

Comparando-se as demandas por gasolina e óleo diesel de hoje com as de 2000 verifica-se um aumento de 32 e 40%, respectivamente. A produção nacional, entretanto, não conseguiu acompanhar o mesmo ritmo de crescimento da demanda. No mesmo período, a produção de gasolina e diesel cresceu respectivamente 26 e 37%. Além disso, nesse mesmo intervalo de tempo, a capacidade de refino total do país cresceu apenas 7%, considerando-se todos os revamps feitos entre 2000 e 2010 e a inauguração de três novas refinarias – Pólo de Guamaré, Univen e Dax Oil.

O reflexo desse desalinhamento entre demanda e oferta internas traduz-se no aumento das importações de derivados. No caso do diesel, os dispêndios com importações foram recorrentes nos últimos dez anos, contudo, em relação à gasolina, 2011 foi um ano atípico. Se antes o Brasil era um exportador líquido de gasolina e importador líquido de óleo diesel, em 2011 o país mostrou-se dependente da oferta externa de ambos os combustíveis. No último ano, o dispêndio líquido com a importação de apenas esses dois derivados do petróleo resultou em pouco mais de US$ 8 bi, sendo aproximadamente de US$ 7 bi a parcela do diesel, e de US$ 1 bi, a da gasolina.

Fica evidente, portanto, que o atual parque de refino nacional não condiz com a atual demanda do mercado interno. Tal fato explica-se pelo contexto histórico no qual está inserida a criação do parque de refino brasileiro. Durante a década de 70, o Brasil tornou-se um grande importador de óleo cru e um grande produtor de derivados. De fato, nesse período a produção de derivados era suficiente para atender a demanda interna do país uma vez que o parque de refino havia sido construído para processar petróleo leve importado e otimizar a produção de gasolina, o derivado de maior demanda até então. (...) O texto continua no Blog Infopetro.

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