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Expectativa de vida cresce a cada 1% investido em saúde

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


O tempo de vida per capita no Brasil avança cinco anos a cada 1% aplicado na saúde. Além de melhorar a expectativa de vida da população, o acréscimo de recursos nos sistemas de saúde beneficia o desenvolvimento econômico e científico do país. A conclusão foi possível graças a levantamentos feitos por técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No relatório “Brasil e OCDE: avaliação da eficiência em sistemas de saúde”, os pesquisadores Alexandre Marinho, Simone Cardoso e Vivian de Almeida observaram que elevar em US$ 15,197 as despesas per capita ao ano com o setor (o equivalente a 1%) resultaria também na redução de 22 para 10 o número de óbitos registrados entre crianças de até um ano de idade em cada mil nascimentos.

O estudo revelou que os investimentos no setor brasileiro apresentam retornos melhores que na maior parte dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada pelos países desenvolvidos. A explicação é que como o Brasil está longe de atingir a estabilidade dos gastos em saúde (o que envolve não só tratamentos, mas também infra-estrutura), os investimentos de curto prazo acabam dando resultados superiores em comparação aos gastos realizados nos países da OCDE que já possuem sistemas de saúde mais estáveis e com fluxo de capital constante.

Quando foram analisados investimentos de longo prazo, sem considerar o tamanho dos países, o Brasil apresentou mal desempenho em comparação as nações mais desenvolvidas, o mesmo ocorreu quando considerado o tamanho do país (população e área geográfica). Portanto, em termos de custo-efetividade dos recursos aplicados no curto prazo, o desempenho do Brasil é melhor em relação aos países da OCDE, mas isso porque a base da estrutura dos sistemas brasileiros apresenta mais carências e o investimento em saúde no país acaba maximizando os indicadores já defasados.

O retorno de investimentos em saúde tende a ser decrescente. “Dito de outro modo, dependendo dos indicadores utilizados, os retornos dos gastos em saúde podem crescer cada vez menos à medida que os gastos aumentam e que os indicadores melhoram”, explicam os pesquisadores. Logo, países com gastos mais elevados e com indicadores melhores devem esperar benefícios adicionais menores para cada unidade monetária gasta no setor.

O estudo conclui que a universalização do atendimento básico de saúde no país depende de gastos constantes e aumento da eficiência sobre a aplicação desses recursos. “(...) pode ser preciso gastar mais, pelo menos na etapa inicial (por exemplo, investimento na qualificação de gestores e aprimorando o sistema de informação em saúde), para poder gastar bem. Eventualmente, os gastos totais pós-investimentos na gestão podem até mesmo ser menores do que os níveis iniciais, com resultados sensivelmente melhores”.

PAC

Os investimentos propostos pelo governo no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – Mais Saúde, podem gerar impactos positivos elevados sobre os indicadores de desenvolvimento do país, levando em consideração a análise feita pelos pesquisadores do Ipea. A meta para os anos 2008-2011 é a aplicação de R$ 89,1 bilhões (R$ 65,1 bilhões garantidos no Plano Plurianual/PPA e R$ 24 bilhões destinados à expansão das ações).
Atualmente 70% da população brasileira depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) – ou seja, aproximadamente 128 milhões de pessoas. Os investimentos no setor, no entanto, ultrapassam a necessidade de atendimento clínico no país e contribuem também para as atividades industriais. Em termos econômicos, o Ministério da Saúde estima que a cadeia produtiva da saúde, englobando atividades industriais e de serviços, representa entre 7% e 8% do produto interno bruto (PIB) brasileiro mobilizando algo em torno de R$ 160 bilhões anualmente – a saúde é responsável direta por 10% dos postos de trabalho no país, somando com o número de empregos indiretos o conjunto de atividades do setor emprega cerca de 9,5 milhões de trabalhadores.

Além de representar 8% do PIB, os investimentos em saúde respondem por 25% dos recursos aplicados em ciência e tecnologia (C&T) no Brasil.

Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui.

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Comentário de Sérgio Troncoso em 31 março 2009 às 21:54
Olha só que legal:pegue os totais em dinheiro alocado para salvar os bancos,o chamado rombo,e divida pelo número de habitantes humanos dêsse pequeno planeta. Veja o total que dá por pessoa e sabendo que não há bens ou comida equivalentes a essa riqueza,poderão avaliar e ver a podridão economiária dos donos do mundo. A total falta de compromisso com qualquer avanço de caráter social,seja alimentação,saúde ou educação. Um abraço,Sérgio.

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