04/04/2012 | 14:35 Francismar Lemes

À nossa realidade sobrepõe outra, que a subjetividade se encarrega de dar conta. Mas, com a ajuda da tecnologia, artistas visuais tornam mais tangível o que os olhos não veem. Wilson Inácio, de Cambé, é um desses artistas fuçadores de tecnologia aplicada à arte, abrindo uma janela para outra realidade, que os londrinenses que tiverem à mão um smartphone android ou tablet poderão espiar.

Nos próximos dias, fique atento ao andar pelas ruas de Londrina. Se topar com paredes, pontos de ônibus ou qualquer outro lugar adesivado com imagens sem sentido e, se tiver um celular ou tablet, bastar apontar o aparelho e descobrir outra imagem colada à aparente.

 

Inácio teve dois trabalhos selecionados pelo projeto Jandig, criado em São Paulo pelo fundador do memeLab, o VJ Pixel – ele próprio se autodefine um “fuçador de tecnologias livres”. Pixel é VJ e pesquisador de multimídia em software livre. Começou a tocar como visual jockey em 2002 e passou a utilizar software livre em suas performances, se tornando o primeiro VJ brasileiro a trabalhar em uma plataforma desse tipo.

O memeLab  é um laboratório de tecnologias interativas, que oferece soluções e serviços para transmissão ao vivo de eventos (live streaming) e consultoria para distribuição on-line de conteúdos, entre outras. Já o Jandig partiu do desenvolvimento de um aplicativo, da organização de um acervo de obras digitais e da criação e produção de  marcadores, que são os adesivos espalhados por cidades em exposições itinerantes.

A arte somente passa a existir quando uma pessoa aponta para os marcadores o tablet ou android com o aplicativo, que pode ser baixado no site http://memolab.com.br/jandig/. “Eu participei de grupos de cultura digital e criei alguns contatos, entrei em listas de e-mails. Foi assim que os idealizadores do projeto chegaram até mim e me fizeram a proposta de participar do trabalho coletivo. Enviei duas imagens, que foram selecionadas. Nos próximos dias, devo receber os adesivos, que serão espalhados pela cidade”, afirma. Londrina será a primeira cidade brasileira do interior a exibir a exposição itinerante. Um dos trabalhos de Inácio, selecionado pelo Jandig, tem o contraste não só de cor, mas entre a imagem de uma favela e a cidade. A obra foi premiada no Salão Paranaense de Artes Visuais, em 2005, integrou o 15º Salão de Arte de Cascavel, e foi publicada na página central da Revista Continum, do Itaú Cultural. A outra imagem é de uma medusa tecnológica. Inácio avalia a possibilidade de compartilhar a arte com mais pessoas fora das salas de exposições. “A partir do momento em que você coloca uma imagem na rede ou que tem essa possibilidade, como a que o projeto Jandig oferece, você tem a oportunidade de vê-la exibida em lugares inesperados”, comenta. Inácio avalia como limitadora da democratização da cultura, tecnologias como tablet e smartphones ardroid não serem acessíveis à grande maioria das pessoas, que também não tem acesso à arte. “Porém, rompe o limite físico do artista e faz com que qualquer pessoa possa se apropriar da sua arte”, destaca.

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