EXTRA! EXTRA! ... JORNALISTA É AGREDIDO POR SKINHEADS NA SAVASSI (BELO HORIZONTE) E RELATA MOMENTOS DE TERROR

JORNALISTA É AGREDIDO POR SKINHEADS NA SAVASSI (BELO HORIZONTE)  E RELATA MOMENTOS DE TERROR

Um relato de agressão feito por um jornalista belo-horizontino está repercutindo nas redes sociais neste fim de semana. Juliano Cardoso de Azevedo, de 32 anos, desabafou em seu blog após ser espancado por dois skinheads na esquina da avenida Cristóvão Colombo com a rua Antônio de Albuquerque.

Um amigo do jornalista também foi atacado com chutes e pedradas. No texto, Juliano conta que a agressão aconteceu na última sexta-feira, após os dois saírem do show do Kid Abelha no Chevrolet Hall. Eles foram abordados após se despedirem com um abraço.

“Não sei o nome do que passei na madrugada de sexta-feira. As cenas aparecem quando fecho os olhos. Uma voadora no peito. Uma pedrada na cabeça. As frases de efeito: vamos exterminar você. Vou matá-lo”, descreveu Juliano no texto.

Segundo o jornalista, as autoridades não atenderam aos pedidos de socorro feitos logo após a agressão. Diante da dificuldade em registrar um boletim de ocorrência, as vítimas optaram por conseguir atendimento médico e procurar a polícia somente neste domingo.

“Parados na avenida mais movimentada, iluminada e protegida – Cristóvão Colombo, debaixo da vigilância da Guarda Municipal. Sangrando, desesperados, pedimos ajuda e ouvimos: – não podemos fazer nada. Ligue para o 190. Os agressores rindo a poucos metros. As testemunhas silenciosas. Ninguém fez nada. O atendente sugere que devíamos ir diretamente ao hospital. A ocorrência ficaria a cargo da polícia que fica instalada no Pronto Socorro do João 23. Ele dormia. Acordado de seu sono dos deuses: não posso fazer nada. Para fazer ocorrência você deve ir à Seccional da Rua Carangola”, narra Juliano.

As duas vítimas ficaram cerca de 2 horas no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. O amigo do jornalista levou cerca de 7 pontos na cabeça.

Confira o texto publicado por Juliano na íntegra:

“É difícil falar daquilo que incomoda. O corpo dói pouco, mas a alma está detonada. Algumas coisas perdem a graça e, sobretudo, o sentido. Como dar significado à violência? Como explicar os motivos de tamanha crueldade? Como entender a barbárie humana, quando tudo pede paz?

Não sei o nome do que passei na madrugada de sexta-feira. As cenas aparecem quando fecho os olhos. Uma voadora no peito. Uma pedrada na cabeça. As frases de efeito: vamos exterminar você. Vou matá-lo.

Eu estava na Savassi, na região mais democrática de Belo Horizonte: ponto de encontro de emos, neogóticos, patys, playboys, fashionistas, gays, jovens, velhos, estudantes uniformizados, economistas, e uma minoria – os que abominam tudo isso – os skinheads. Dois deles me atacaram. Não me esqueço da careca, das tatuagens, dos olhos endemoninhados, do ódio.

O motivo aparente: abracei um amigo dizendo boa noite, após nos divertirmos no show do Kid Abelha. Estávamos felizes, brincando, falando amenidades. Parados na avenida mais movimentada, iluminada e protegida – Cristóvão Colombo, debaixo da vigilância da Guarda Municipal. Sangrando, desesperados, pedimos ajuda e ouvimos: – não podemos fazer nada. Ligue para o 190. Os agressores rindo a poucos metros. As testemunhas silenciosas. Ninguém fez nada. O atendente sugere que devíamos ir diretamente ao hospital. A ocorrência ficaria a cargo da polícia que fica instalada no Pronto Socorro do João 23. Ele dormia. Acordado de seu sono dos deuses: não posso fazer nada. Para fazer ocorrência você deve ir à Seccional da Rua Carangola.

Meu amigo ganhou uma cicatriz na cabeça de uns sete pontos. Vai carregar esta marca sempre que passar na esquina da Cristóvão Colombo com Antônio de Albuquerque. Nossa alma se desmanchou. Chorei, pedi ajuda, desabafei nas redes sociais. Quem devia me dar segurança, me humilhava com um jogo de empurra. Meu problema, não era compromisso de ninguém. Entendi que a culpa foi minha por ser simpático. Agradável e educado. Era uma despedida.

Senti que foi uma despedida de uns valores que acredito como cristão: não dá pra perdoar tudo. Perdoo o sujeito que não possui amor ao próximo, mas não perdoo a violência. A agressão, o ódio. Jamais perdoarei quem me bateu. Jamais esquecerei o descaso das forças de segurança, as quais eu pago diariamente com meu suor de trabalhador. Minha integridade foi machucada. Meu direito constitucional foi rasgado no momento que precisei dele especialmente.

Mesmo sendo esclarecido, percebi que nada adianta quando você é a vítima. Como vou reconhecer duas faces para colocar na cadeia, se eles estão soltos aos montes pelas ruas de uma capital considerada “amiga”? Eles devem estar felizes agora contando numa roda, enaltecendo os golpes, os palavrões, os agredidos – devem estar cuspindo no chão, arrotando, vomitando mentiras como batemos em cinco magrelos que precisavam de um corretivo. Eles batem muito mesmo. Atingiram um único golpe na minha dignidade.

Relutei em dividir esta história. A coragem foi dada pelos amigos. E ao escutar uma das minhas músicas prediletas (Proud – Heather Small), senti meu coração dizer que o mundo precisa saber que a violência cruel está nas nossas ruas. Crueldade máxima. Sou orgulhoso do que sou, do que faço, das minhas conquistas, das minhas opiniões, do desejo de mudar este cenário. E peço que todos tenham cuidado por onde andam, em quem confiam. O mundo de rosas existe, mas as minhas pétalas estão despedaçadas até a próxima primavera.”

Foto: Reprodução/Blog Juliano Azevedo

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Comentário de Marco Antônio Nogueira em 31 outubro 2012 às 20:11

Comentário:
Esta é a POLÍCIA DE MINAS
que, com o novo Plano de Cargos
e Salários, que vem aí,
terá um soldado raso
ganhando 4 vezes mais 
que um Professor. E um Sargento
em fim de carreira ganhando
R$ 7.000,00. 
 
Abraços,
 
Marco Antônio 

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