Fábio Zanon, maior Violonista Erudito Brasileiro

Era uma vez um menino que desembarcou no Planeta Terra dia 6 de março de 1966, na cidade de Jundiaí - São Paulo -, em uma família em que, apesar de não possuir nenhum músico profissional (o pai tocava violão por hobby), a música era cultivada no cotidiano familiar, e isso foi determinante para despertar, gradativamente, seu interesse pela área musical


A primeira música que ele ouviu em casa foi o Intermezzo da ópera “Cavalleira Rusticana”, que o marcou a tal ponto que, até hoje, ele possui uma forte ligação com a ópera.


Como todo garoto da época ouvia rádio e assistia televisão, tendo ficado nas lembranças as músicas dos Beatles, os festivais de música e os programas com Elis Regina e Jair Rodrigues. Outro programa de TV que não perdia era “Concertos para a Juventude”, exibido pela Rede Globo.

O Álbum de discos clássicos da “Seleções do Reader’s Digest”, que pertencia a uma prima, despertou seu interesse e de tanto ouvi-los quase fura. Na época, com a idade de 7 a 8 anos, não percebeu, mas as audições desses discos clássicos foram os primeiros fundamentos da sua erudição em música clássica.

Espelhando-se no pai, tentou aprender o violão por várias vezes, mas não assimilava bem a lógica das cifras. O que ele queria mesmo era tocar piano para entender as partituras e tocar a música clássica. A irmã tinha um caderno de canto orfeônico, e ele de tanto bisbilhotar aprendeu a ler música sem tocar. Quando o pai percebeu isso, o seu aprendizado ficou mais fácil e prazeroso.

Aos 13 anos começou a ter aulas formais, ainda em Jundiaí, com o prof. Antônio Guedes. No colégio público a prof.ª Josette Feres foi muito importante no aprendizado de harmonias, contrapontos... Passou, também, pelo prof. Silvio Ferraz. Depois ingressou na USP, no curso de composição, mas acabou cursando bacharelado em violão, passando pelas mãos dos professores Henrique Pinto e Edelton Gloeder. O primeiro, polindo o que o Prof. Antônio Guedes alicerçara e o segundo, o seu excesso de temperamento.

Mas é chegada a hora do menino alçar, assim como as águias, vôos cada vez mais altos.

Em 1990 vai cursar Pós-Graduação na Inglaterra, estudando na Royal Academy of Music, em Londres, uma das escolas mais renomadas do planeta, fundada em 1822, com o prof. Michel Lewin que possuía bastante sensibilidade para incentivar o que funcionava, ao invés de impor sua visão. Naquela época talvez não passasse pela sua cabeça que, dezoito anos depois (2008), essa mesma Academia o nomearia Professor Visitante.

Seis anos depois participou dos dois maiores concursos internacionais, o Concurso Francisco Tárrega, na Espanha, e o GTA (Guitar Foundation of América), nos Estados Unidos vencendo ambos, o que engendrou uma guinada na sua carreira.

O nosso menino tornou-se um exímio intérprete de Villa-Lobos e Domenico Scarlatti. Lançou quatro álbuns solo e prepara-se para lançar o quinto este ano.

Participou de uma recém- lançada edição dos “Choros de Villa-Lobos”, com a OSESP, já disponível pela gravadora Biscoito Fino.

Um dos seus trabalhos mais louváveis é a permanente divulgação da música erudita.

Infelizmente depois de 3 anos e mais de 150 programas divulgando a tradição do violão, a Rádio Cultura FM de São Paulo, alegando cortes nos gastos, retira do ar o programa de Zanon, podando um pedaço das asas do nosso menino/águia. Mas como as águias nunca deixam de ousar, o sonho dele é levar a música clássica para a televisão, a exemplo do lendário maestro americano Leonard Bernstein. Alguém duvida que ele consiga?!

Como vimos, o menino cresceu cronologicamente e profissionalmente, e hoje é o maior violonista clássico brasileiro e uma das figuras dominantes no cenário internacional do violão clássico, apresentando-se por toda Europa, América do Norte e do Sul, Austrália e Oriente Médio.

Para orgulho dos piauienses ele virá, pela terceira vez, a Teresina, para mais uma edição do FENAVIPI (Festival Nacional de Violão do Piauí).

Fábio Zanon, Teresina lhe aguarda de braços abertos!!!


Fontes: Site Músicos do Brasil - Uma Enciclopédia.
Revista Bravo, nº 137, janeiro de 2009.
Material impresso distribuído no FENAVIPI.


Fábio Zanon interpretando, "Batucada da Série Cenas Brasileiras", de Isaias Sávio.



Zanon, interpretando a belíssima valsa de Tom Jobim, "Luiza".




"Appassionata", de Beethoven, com Fábio Zanon.


Exibições: 1399

Comentário de Salinas em 30 janeiro 2009 às 23:15
Quequeisso! Apassionata foi pra arrebentar! Será que um dia, mestres como Zanon terão o espaço que merecem? Que trabalho fantástico, que interpretações! Vou atrás dos quatro CDs. Quando eu soube do trabalho dele no rádio, não demorou para que acabasse. Oxalá, volte em grande estilo!

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