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FALECIMENTO - Morre em Uberaba, aos 98 anos, LUCÍLIA ROSA

 

FALECIMENTO
 
Morre, em Uberaba, aos 98 anos,
LUCÍLIA ROSA.

Consternado, repasso a notícia
da morte de Dª LUCÍLIA ROSA.
Conheci-a desde criança, em
Esplanada, MG, com suas histórias.
Filha de Calixto Rosa,
precursor do Comunismo
no Triângulo Mineiro, e grande
amigo de meus bisavós.
Meu bisavô, Coronel João Januário

da Silva e Oliveira, não era comunista,
muito pelo contrário, mesmo
assim, tinha o maior respeito
e admiração pelo caráter e
cultura de ambos.
É raro ver uma comunista
elogiar um rico latifundiário,
como era meu bisavô, fundador
de Esplanada, MG. E LUCÍLIA o
fazia de um jeito veemente e

até emocionada.


No livro que está pra ser lançado,
de autoria dos uberabenses
historiadora LUCIANA MALUF e
o jornalista LUIZ ALBERTO MOLINAR,
há uma crônica minha narrando
uma discussão entre LUCÍLIA e o
Frei Capuchinho, de nome David,
quando celebrava meu casamento.
 
UBERABA, Campo Florido,

Esplanada e todo o

Triângulo Mineiro muito devem
à Dª LUCÍLIA pelo seu trabalho
social, cultural e político que,
por toda a vida, lhe foram
as grandes virtudes.
 
Marco Antônio Nogueira
 
MORRE EM UBERABA, AOS 98 ANOS,
Dª LUCÍLIA ROSA

A "comunista convicta" - como sempre fazia questão de reafirmar - Lucília Soares Rosa, 98 anos, morreu de causa natural, ontem, às 18:30 h. Depois de jantar, deu um de seus gritos costumeiros. Foi sua despedida.
 
O velório está ocorrendo na Funerária Irmãos Pagliaro, na av. Dr. Fidélis Reis, e o enterro será às 12h, no Cemitério Medalha Milagrosa, na Universidade.
 
Lucília deixa dois filhos, os dentistas: Calixto Rosa Neto, que foi vereador pelo PSD em Campo Florido (MG), de 1963 a 1964, e depois em Uberaba, de 1983 a 1988, pelo PMDB, e Moizés Soares Rosa, diretor da cooperativa Uniodonto, além de 13 netos, oito bisnetos e uma trineta.
 
Ela será homenageada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, no final deste mês, juntamente com nove mulheres, entre elas Clara Charf, ex-mulher do deputado baiano constituinte de 1946 e guerrilheiro, Carlos Marighela.
 
Lucília Rosa, aos 35 anos, foi uma das 17 primeiras vereadoras eleitas em Minas. Ela era de Uberaba, mas morava em Campo Florido, a 70 km, onde conquistou, em 1947, uma cadeira da Câmara Municipal. Foi eleita pelo PSD, porém era militante do PCB (Partido Comunista do Brasil) desde os 18 anos, quando filiou-se e foi batizada como "Lucrécia", seu "nome de guerra".

Ousou e enfrentou preconceitos ao ligar as trompas, em 1939, depois de ter dois filhos. Essa operação somente era ralizada na Europa. Foi presa duas vezes. Em 1949, ao cuspir no rosto do delegado, em Campo Florido. Ficou detida por 13 dias ao participar de manifestação contra o envio de jovens brasileiros para a Guerra na Coreia. Foi em 1951, em Uberlândia. Morou em São Paulo durante 15 anos, de 1958 a 1972, quando trabalhou como doméstica, entre outras patroas, para a deputada federal Ivete Vargas (PTB), sobrinha do presidente Getúlio Vargas, que lhe conseguiu emprego na Caixa Econômica e nos Correios. Rejeitou e manteve-se na profissão que lhe possibilitou as formaturas, em Odontologia, dos dois filhos.

Ela chegou aos 98 anos, em agosto de 2010, e tinha memória extraordinária. Deixou um acervo rico de documentos, entre eles, correspondências que manteve com Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do PCB entre os anos de 1930 e 1980, e com Anita Leocádia, filha dele com Olga Benário, morta em campo de concentração nazista, na Alemanha. Lucília mantinha contato permanente com ela há mais de 30 anos. Moraram juntas durante dois anos e meio, entre 70 e 72, clandestinamente, durante os anos mais sangrentos da ditadura militar, em São Paulo. Passava-se por tia de "Alice Nascimento", codinome de Anita. Residiu também, durante três meses, em 1962, com a família de Prestes, a quem ajudava a cuidar de seis dos sete filhos.

Sua vida vai ser registrada em livro: Lucília - Rosa Vermelha. O projeto de pesquisa sobre sua história surgiu durante visita do presidente da Câmara de vereadores de Uberaba, Lourival dos Santos (PC do B), a ela. Estava, em 2006, com a saúde debilitada após 25 dias em coma. Ao ser indagada sobre seu sonho, disse que gostaria de ter sua trajetória publicada em livro. A partir daí a diretora de Comunicação do Legislativo, Evacira de Coraspe, coordena o trabalho desenvolvido pela historiadora Luciana Maluf Vilela e pelo jornalista Luiz Alberto Molinar. A obra, que será lançada brevemente, vai revelar a personalidade, os caminhos de Lucília, de libertários, anarquistas, socialistas. Enfim, a origem dos movimentos populares e de seus protagonistas em Uberaba e região, desde o final do século 19 até 2000.


O Capital e a Bíblia

Lucília era filha de anarquista. Não foi batizada na igreja. Nunca pintou as unhas e nem se maquiou. Namorou muitos. Dois primos a pediram em casamento. Foi costureira de vestido de noiva. Casou por contrato com homem casado. Foi professora, faxineira, doméstica e cozinheira de 'mão cheia'. Ateia desde criancinha. Espiritualista aos 90 anos: "Há algo mais. Eu não acredito em Deus, mas alguns amigos acreditam e eu acredito neles". 
 
O Capital - principal livro sobre as ideias socialistas -  foi sua cartilha durante décadas, mas agora gosta que leiam a Bíblia para ela.

 

Dedicou toda sua vida à causa revolucionária. Lutou por uma sociedade justa para todos. Lucília significava solidariedade, sinceridade. Disciplinadora, porém doce, amável, às vezes, até angelical. Gostava muito de conversar. De contar causos seus e dos outros. Todos sem censura.

 

Luiz Alberto Molinar

- Uberaba -

 
 
Conheça a irreverente e revolucionária Lucilia Rosa
http://www.luciliarosavermelha.blogspot.com/


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http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=83748305

 

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