AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa

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Comentário de Sérgio Troncoso em 22 setembro 2009 às 21:29
Cáspita Marcita, só hoje descobri que voce colocou essa poesia. Ela é muito bonita... S.u

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