O Banco do Brasil que outrora financiou as atividades agropecuárias no País inteiro, inclusive no Nordeste Brasileiro, até 1986, quando instituíram a correção monetária sobre os financiamentos rurais e liquidaram a atividade no sertão do “Meu Padim”, começou a minguar até entrar no vermelho.

 

            Passamos a pagar aposentados, coisa que qualquer agência dos correios faz hoje em dia. O BB era corretor de seguros da Sulamérica e não podia criar sua própria seguradora, como os concorrentes da rede privada e sobrevivia mendigando as aplicações dos recursos das prefeituras durante aquela ciranda financeira.

 

            E o Collor foi eleito com a promessa de acabar com os marajás do Banco do Brasil, sob a batuta da Globo, para felicidade geral da nação, cuja aventura durou até a mídia constatar que atirara no próprio pé, ao não avaliar a consistência do “queixo” do pretenso comandado.

 

Porém o desmonte do BB consolidou-se com FHC. Naquela época os trabalhadores brasileiros, inclusive os servidores do BB, eram salvos pelo “gatilho”, mensalmente, que corrigia os salários pela inflação divulgada. A partir do FHC, a inflação caiu para a casa dos 10% anuais e o “gatilho” sumiu junto com qualquer outro tipo de reajuste salarial.

           

            Como o funcionalismo do BB historicamente foi um adversário do poder e continua sendo, o governo tucano colocou em prática, logo de chegada em 1995, o seu projeto de desmantelamento do banco, para posterior privatização, começando por aplicar um pioneiro PDV aos seus insubordinados funcionários.

 

            De repente recebi uma carta do BB me convidando a pedir demissão, mediante uma certa quantia em dinheiro, além dos meus direitos e, caso não fizesse esse “acordo”, em quinze dias poderia ser sumariamente demitido sem essa “vantagem”. E muitos colegas entraram nessa furada e ferraram-se, alguns chegando até ao suicídio.

 

            Depois do PDV, foi à vez das transferências compulsórias, onde muitos funcionários foram removidos com um salário defasado para cidades como São Paulo e Brasília, com um custo de vida infinitamente superior ao do Nordeste. E aquele “ranger de dentes” simplesmente caiu no esquecimento dos antigos servidores, hoje quase todos aposentados, e não chegou ao conhecimento dos atuais, ainda sem passado.

 

            Enfim, usaram os nossos recursos da PREVI no famoso processo de privatizações, objeto de muitas denúncias e ameaças de CPI, que nunca foram instaladas e foi aí que nos salvamos, pois em seguida os tucanos perderam o governo e ganhamos parcelas significativas de empresas rentáveis privatizadas como a VALE. Só Deus.

 

            O Banco do Brasil fortaleceu-se a partir do governo do PT, no embalo do crescimento do País e do seu povo e é nessa que eu vou. E nem político sou, apenas, de vez em quando, dou uma olhada no retrovisor e o filme que passa só me trás pavor.

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