Fim da Pirataria? Jack Sparrow veio para ficar!

POR CELIO VIVAS COSME (pontedapassagem.wordpress.com)

 

De tempos em tempos, aparece na Grande Mídia reportagens sobre os prejuízos que os produtos ditos piratas causam à economia do país. Mostram sempre galpões abarrotados de itens falsificados e o desnecessário espetáculo de um trator esmigalhando alguns milhares de CDs e DVDs.

Enfatizam ainda a falência de lojas de discos, a diminuição de postos de trabalho com carteira assinada e evasão fiscal.

É certo que a produção e comercialização de produtos falsificados é crime. E não há intenção deste texto incitá-lo. Mas não dá para comparar a compra de um CD em um barzinho com, por exemplo, tráfico de drogas ou casos de corrupção policial e política. Ou alguém fica indignado quando vê um pai comprando um CD pirata do Pica-pau ou do Tom e Jerry para seu filho?

A razão de haver mercado para cd’s de baixa qualidade, envolta num plástico e com capa xerox é só um: preço! A diferença de preço entre um pirata e um original é absurda. Mesmo se consideramos impostos e valor da embalagem, a margem de lucro determinada pelas gravadoras deve impactar decisivamente para um disco com algumas músicas custar algo em torno de 30 reais.

Por que não negociar diminuição de impostos e definir uma margem de lucro e de remuneração dos artistas que permita que um CD de música custe algo entre dez e doze reais? O lucro, necessário em qualquer comércio, viria de uma maior quantidade de produtos comercializados.

Também é fato que estamos numa época de transição de modelos de negócio, e que aqueles que sempre lucraram com o modelo anterior relutam em se adaptar aos novos tempos.

O foco maior deste segmento sempre foi a venda de discos, desde os antigos vinis ou long plays (LP), até os cd’s de hoje.  E vem perdendo mercado não só para cd’s piratas propriamente ditos, mas também para os downloads através da internet.

Outro segmento próximo ao da música, o de dvd’s de filmes e shows, também vê desconstruir um modelo de negócios que começou na década de 80. A venda de cópias para as locadoras e diretamente ao consumidor.

Além de filmes, o acesso a arquivos de vídeo pela internet fez prosperar os downloads de séries de TV.

Um conhecido meu relata que começou a baixar seriados em razão do seriado Lost. Argumentava que a demora de 2 a 3 meses para exibição dos capítulos no canal a cabo aqui no Brasil era demais. E esse seriado foi mesmo o responsável pela disseminação de downloads de séries e o surgimento de grupos de amigos que criaram comunidades para legendar os episódios e distribuí-las na internet.

Durante algum tempo, representantes de canais de TV tentaram intimidar os responsáveis por estes sites. Alguns foram fechados, mas outros migraram os bancos de dados para fora do país. Virtualmente. Mais um exemplo de que vivemos em uma nova era.

Desde então, quem baixava séries de TV passou a baixar filmes, e vice-versa, e a turma dos legenders só ajudou a disseminar essa forma de visualização.

Por outro lado, li depoimento de uma pessoa que baixou alguns episódios de determinado seriado (House M.D., se não me engano) e gostou tanto que comprou as caixas de DVD de todas as temporadas. Neste caso, os downloads gratuitos permitiram que um consumidor tivesse acesso a uma série que, por outros canais, não conheceria.

É fato que os discos piratas e os arquivos da internet têm menor qualidade, mas os defensores alegam que a gratuidade dos downloads e pequeno valor pago por um cd pirata compensam a perda de qualidade.

Portanto, de nada adianta as mensagens de que comprar CD pirata ou baixar arquivo pela internet é crime. Também não adianta utilizar o argumento da baixa qualidade dos não originais. Isso também o consumidor já sabe.

O que os empresários do ramo precisam entender é que o seu negócio não é mais música, filme ou seriado, mas, sim, entretenimento. Ou seja, parte do faturamento deverá vir de eventos, promoções, shows ao vivo, venda de produtos. E isso já está acontecendo.

O artista ou banda musical receberá cada vez menos por um disco vendido e mais por shows, turnês, aparições em eventos, programas de TV, participações em filmes e seriados, e por aí vai.

Quanto aos seriados, anúncios poderão ser colocados em alguns momentos do episódio, como no retorno do intervalo, de forma que os patrocinadores sejam visualizados também por aqueles que baixam os arquivos pela grande rede.

E tudo isso antes de vermos deflagrados um novo nicho para os downloads gratuitos e vendas a varejo em cd’s. Falo dos e-books, a versão digital dos livros em papel.

Com o advento dos tablets e da futura popularização da leitura de jornais, livros e revistas através desses dispositivos, cabe supor que teremos, a semelhança dos downloads de músicas, filmes e séries de TV, livros baixados gratuitamente pela internet. Gratuitos e ilegais, dirão as notícias de jornais.

Notícias que, quem sabe, poderão ser lidas num tablet através de um arquivo de jornal do dia, superatualizado, e baixado gratuitamente.

 

Texto originalmente postado no Blog Ponte da Passagem:

http://pontedapassagem.wordpress.com/2011/03/30/fim-da-pirataria-ja...

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Comentário de Valter Maniga em 31 março 2011 às 21:41
Já vi a cena do trator várias vezes. Observo que as autoridades estão mais preocupadas em assustar os piratas do que cuidar da natureza. O CD ou DVD tem três ou quatro tipos de matérias primas recicláveis; Papel, Polietileno, Poliestireno e Policarbonato. Antes de esmagá-los, deveriam separar os itens, a fim de facilitar a reciclagem. Inclusive seria possível ganhar alguns reais e ajudar uma instituição de caridade, por exemplo.
Comentário de Guilherme Cardoso de Sá em 21 outubro 2011 às 17:21

Pirataria: Ilegal mas não imoral....

a favor da democratização da produção humana, afinal que pode ser dono da matéria prima do Planeta, e se tudo dela provém, que pode negar à alguem o asceso?

saudações

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