Fotos que Retratam a História do Carnaval

Um dos mais importantes historiadores da nossa música brasileira, José Ramos Tinhorão, ao ser indagado sobre quem inventou o Carnaval, respondeu simplesmente: “Ninguém”. (Revista Nossa História, ano 2, n.16, fev 2005, p.40).

Segundo o pesquisador Felipe Ferreira, o carnaval foi inventado pela Igreja católica.

”No ano 604, o papa Gregório I ordenou que, durante um determinado período, os fiéis deixassem de lado as satisfações, a vidinha cotidiana de pecados e prazeres do corpo e se dedicassem ao enriquecimento do espírito.

O período de abstenção, chamado de Quaresma, duraria 40 dias. Séculos depois (1901), a Igreja resolveu precisar a data da Quaresma. Como havia o costume de se marcar a testa dos fiéis com as cinzas de uma fogueira em sinal de penitência, deu-se o nome de Quarta-feira de Cinzas ao início do período do abandono dos prazeres, um ciclo de meditação sobre Jesus e sua ressurreição – que seria festejada 40 dias depois, no domingo de Páscoa. Isso fez com que a sociedade católica se organizasse para aproveitar ao máximo os últimos dias de prazeres mundanos antes de dar o ‘adeus à carne’.

Ao criar a Quaresma, a Igreja católica instituiu o carnaval”. (O livro de ouro do carnaval brasileiro, p. 25).

Selecionei algumas fotos antigas e convido a todos para um Desfile Fotográfico pelas diversas formas de brincar o carnaval, criadas ao longo dos tempos.



O Entrudo, nossa primeira forma de Carnaval trazida para cá por imigrantes portugueses, é caracterizado pela brincadeira de sujar uns os outros.



O Zé Pereira é caracterizado por tocadores de bumbos enormes que acompanhavam as procissões na região do Minho, em Portugal. É provável que o personagem tenha sido introduzido no carnaval pelo sapateiro português José Nogueira, cujo sobrenome o povo alterou para Pereira.



O pai dos ranchos do Rio de Janeiro, Hilário Jovino, cercado por filhos.


"O Macaco é Outro", rancho criado por Tia Ciata, após brigar com Hilário Jovino.



Segundo a historiadora do carnaval Eneide de Moraes, o Corso aconteceu pela primeira vez, no Rio de Janeiro, na av Central no ano de 1908. Antes da inauguração da Avenida, em 1905, o carnaval era festejado na estreita e elegante Rua do Ouvidor.



Cordão no carnaval do Rio. Ao centro, agachado, de camisa branca e gravata, o compositor Sinhô (para saber detalhes desse compositor, clique aqui.


Fantasiar-se de mulher era comum nos bolcos e cordões. Como Pixinguinha e seu grupo, no Carnaval de 1921.


"A Lira de Sapho", carro da Sociedade "Os Fenianos", em desfile no carnaval de 1913.


O carro intitulado "Five O'Clock Tea" (chá das cinco), do Tenentes do Diabo, no desfile das grandes sociedades no carnaval de 1913.


Desfilar a cavalo era comum no início do século, como o Bloco Resistentes da Piedade, também no carnaval de 1913.


Puxado por burros, o carro do Democráticos, em 1920, era uma "linda melancia" fatiada, com uma bela morena no seu interior.


Bloco Fala Meu Louro, com a figura do compositor Sinhô ("alto, magro e feio", como descrito por seus rivais) ao centro.


O carro-chefe dos Argonautas dá a ideia do luxo e do capricho com que desfilavam as grandes sociedades.


Nas mãos que aparecem no canto direito da foto, pode-se ver vidros de lança-perfume, artigo indispensável na época.


Os concursos movimentavam os preparativos com antecedência no estado de São Paulo. O "Cordão Amor e Mocidade" venceu o carnaval de 1936, em Ituverava.


Bloco da Baianas Paulistas fotografado como desfilava: maioria de mulheres, os homens na bateria. Foi ele o núcleo do qual surgiu a primeira escola de samba paulista, a Lavapés.


Fontes: - Almanaque do Carnaval, de André Diniz. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.
- Os Grandes Sambas da História. (fascículos Ed. Globo, 1998).
- Site: Agenda do Samba e do Choro (http://www.samba-choro.com.br/).

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Comentário de Gregório Macedo em 4 fevereiro 2009 às 2:28
Belo trabalho.
Parabéns!
Beijos.
Comentário de Cafu em 4 fevereiro 2009 às 12:16
Lindas fotos. Ah os velhos carnavais!
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 4 fevereiro 2009 às 19:59
Oi, Lúcio.
Seu excelente comentário enriqueceu bastante o post com as informações baseadas no livro de Hiram Araújo. (Já anotei a dica bibliográfica, valeu!)
Concordo plenamente com você que existem divergências quanto a origem dessa festa. Acredito que a bibliografia na área seja vastíssima, instigando pesquisadores do mundo todo a gerarem inúmeras teses sobre o assunto.
O autor que citei, Felipe Ferreira, assim como Hiram Araújo, também faz referência a..."celebrações similares na Grécia antiga, no Egito e em Roma, como as festas luperciais, dionísicas e saturnais, cheias de exageros e transgressões...".

Minha amiga Helô, aqui do Portal, está editando uma série de posts bem interessantes sobre o carnaval. Vale a pena conferir.
E eu ainda vou continuar com essa temática por mais duas semanas.
O "Túnel do Tempo" (não sei se você já viu algum), onde tento resgatar nomes e histórias da música, também cairá na folia :).
Um grande abraço.
Comentário de Roberto Luis em 23 fevereiro 2009 às 12:10
Laura,
aqui em Salvador, à época do corso, (no qual se introduziu sorrateiramente a fobica de Dodô e Osmar em 1950 e o nosso carnaval nunca mais foi a mesma "coisa") haviam as chamadas "pranchas", que eram conduzidas através dos trilhos do bonde. Busquei alguma informação, sem sucesso. Algumas dessas fotos, mostrando os "carros", me sugerem o que poderiam ser as tais "pranchas": foliões, com suas fantasias e alegorias, desfilando sobre largos tablados. Se você ou algum nobre usuário do blog conseguirem qualquer material a respeito, ficarei imensamente carnavalizado!
Abraços, parabéns!
Roberto Luis

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