(...) "ver o mundo que podia ser, que vai ser Glauber, que há de ser"

Darcy Ribeiro: (...) "uma vez, eu não vou esquecer nunca, Glauber passou uma manhã abraçado comigo e chorando, chorando, chorando convulsivamente, eu custei a entender, ninguém entendia, que Glauber chorava a dor, que nós deviamos chorar, a dor de todos os brasileiros, o Glauber chorava as crianças com fome, o Glauber chorava o país que nào deu certo, o Glauber chorava a brutalidade, o Glauber chorava a estupidez, a mediocridade, a tortura, que ele não suportava, chorava, chorava, chorava. Os filmes do Glauber são isso. É um lamento, é um grito, é um berro. Essa é a herança que fica de Glauber. Fica de Glauber pra nós a herança de sua indignação, ele foi o mais indignado de nós, indignado com o mundo tal qual é, assim, indignado, porque mais que nós também Glauber podia ver o mundo que podia ser, que vai ser Glauber, que há de ser. Glauber viveu entre a esperança e o desespero, como um pêndulo louco ...

 

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