Glaucia Nasser canta a terra de onde vem - No Solar de Botadofo/RJ

Em 2008, inaugurei o blog bilingue «Arte e Músicas Populares Brasileiras», que virou este site em 2011. Naquela época, o programa Tropicália (que deu origem ao nome deste espaço associado à sigla «MPB») já emendava sua quinta temporada na Rádio Judaica Bélgica. Mas pela primeira vez, eu havia estabelecido uma classificação dos álbuns do ano, baseado nos pedidos regulares dos ouvintes. [...]

A difusão regular de Sambista bom, Amor Fugaz, e Vida em cena, três faixas do álbum de Glaucia Nasser, « A vida num segundo», fez do disco um dos "vinte" mais solicitados da temporada radiofônica.

Pela produção e arranjos de "A Vida num segundo", podíamos pensar que Glaucia era uma cantora oriunda do rico cenário de São Paulo, mas foi somente após uma entrevista que tomei conhecimento que ela vinha de Patos de Minas (MG), e que havia migrado para a capital paulista, após ter abandonado uma vida de empresária bastante brilhante.

O álbum que veio em seguida «Vambora» (2010), mesmo que ele não tenha realmente me convencido, demonstrava uma real vontade da cantora de se reconectar com suas raízes de Minas Gerais.

Na realidade, a verdadeira dimensão do álbum «Vambora» só se expressa no palco, como pude constatar no Solar de Botafogo (RJ), no dia 20 de novembro.

A força da instrumentação percussiva, que traz uma identidade regional, impõe uma potência orgânica, mais discreta no álbum. E uma certa grandiloquência, que incomoda no disco, encontra, ao vivo, sua verdadeira identidade.

Se Glaucia Nasser parece ainda ter que se impor no mundo brasileiro povoado de cantoras, ela o deve mais a um plano de difusão junto ao público e à imprensa, do que às suas qualidades inegáveis de intérprete. Sem falar de um carisma em cena, uma das maiores lacunas de muitos de seus contemporâneos homens e mulheres.

Claro que podemos ter algumas reticências sobre certas composições de «Vambora», mas não sobre as qualidades de intérprete de Glaucia.

Ela ataca as notas diretamente, sem os efeitos «subterfúgios» na forma americana, que são utilizados geralmente devido à falta de fôlego na última nota.

E retomar Mais uma vez, de Renato Russo (incluído em «Vambora»), em uma versão rítmica que a deixa quase regional, ou Lamento Sertanejo (Dominguinhos/Anastácia), com uma precisão e uma emoção contida, prova que Glaucia merece mais atenção do público no futuro, pelo menos como intérprete…

Aliás, se trata de seu papel no seu próximo álbum que será consagrado aos grandes compositores de Minas Gerais, do qual ela deu alguns primeiros indícios no Rio, neste 20 de novembro…

Daniel Achedjian - blog bilíngue (francês / português) «Art et Musique Populaire Brésilienne»

Fonte: http://www.tropicalia.be/pt/2012/11/Glaucia_Nasser_canta_a_terra_de...

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