GRANDES VOZES APRESENTOU JUAN PONS - RECITAL NO TEATRO SÃO PEDRO/SP

O ciclo Grandes Vozes já está no seu quinto ano de atividades. O público teve a rara oportunidade de ver por estas bandas, através do patrocínio da Companhia Energética de São Paulo e com entrada franca, cantores como Evgeny Nestrenko, Fiorenza Cossoto, Niza de Castro Tank, Elena Obraztsova, Bruna Baglioni, Maria Pia Piscitelli e outros.
Pelo projeto, se apresentou no Theatro São Pedro de SP o barítono espanhol Juan Pons. O currículo desse artista é invejável e dispensa apresentações. Cantou em grandes teatros e atuou ao lado dos grandes cantores de sua época. Uma fera do canto lírico, de quem constam em meu acervo inúmeras gravações. Destaco: Il Pagliacci, de Leoncavallo, ao lado de Pavarotti e Stratas; Il Tabarro, de Puccini, com Domingo e Stratas; Nabucco, de Verdi, com Ramey, ambas do Metropolitan Opera House de Nova York; Aida, de Verdi, com Pavarotti e Chiara no Scala de Milão, entre muitas outras.
Sua voz, em vídeo, sempre foi grande, possante, com graves cheios e agudos fáceis, técnica apurada e uma incorporação única dos personagens que interpreta. Vendo-o ao vivo notamos que o vídeo não mente. Sua voz, apesar da idade, continua a mesma, perdeu um pouco do brilho de outrora, mas o restante está lá.
A primeira e segunda parte do programa foram dedicadas a Espanha. Zarzuelas e canções românticas para todo gosto. Francesco Paolo Tosti foi o compositor em destaque, pelas canções de amor , aquelas que tocam a alma. Mas o melhor estaria reservado para o final: Joana Pons, sua filha, que o acompahava no piano, interpreta o Intermezzo da ópera Cavalleria Rusticana, de Mascagni. Adoro essa ópera, nunca tinha ouvido essa versão no piano, ficou lírica, maravilhosa.
Juan Pons nos brindou com Cortigiani, vil razza, ária da ópera Rigoletto , L'Onore da ópera Falstaff, ambas de Verdi .De Giordano tivemos Nemico della patria, da ópera Andrea Chénier. Todas elas interpretadas com maestria. No bis, o espanhol fecha com chave de ouro, o Credo, da ópera Otello, mais uma do Verdi. Apesar do aparente cansaço, consegue dar brilho e uma visão pessoal para uma ária complexa, que mostra o caráter de Iago.
Não posso deixar de parabenizar, mais uma vez, a iniciativa de Paulo Abrão Esper de trazer essas feras da ópera mundial. Enquanto o Teatro Municipal de São Paulo está em uma eterna reforma e sua orquestra brigando com o regente, Paulo Abrão Esper arregaça as mangas e trabalha.

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