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Se alguém ainda tinha dúvida sobre o perfil político de Sérgio Cabral Filho, essa dúvida se desfez na manhã do último sábado quando o governador fluminense ordenou que o BOPE – o mesmo grupo especial da polícia que leva a presença do Estado em forma de terror às favelas cariocas e cujo carro blindado tem a alcunha de “Caveirão” – invadisse o Quartel Central do Corpo de Bombeiros, no centro do Rio, onde ao menos 500 bombeiros realizavam um protesto por melhores condições de trabalho e aumento salarial.
Na autoritária e fascista visão cabralina, os bombeiros em greve praticaram ato de vandalismo ao ocuparem o quartel da corporação, então, fez-se desnecessário o uso do diálogo uma vez que a força é mais persuasiva nessas condições.
"Esses 440 irresponsáveis vão responder a processos administrativa e criminalmente. A abertura do processo disciplinar já foi determinada, a criminal cabe ao Ministério Público", jactou em tom de histeria o glorioso Cabral Filho. Antes o governador fez chacota das reivindicações dos bombeiros fluminenses dizendo que o salário de R$950,00 (!!!) não é tão baixo.
Não bastasse o apartheid social idealizado e levado a cabo por sua gestão quando sitia comunidades inteiras debaixo do argumento da crise de segurança pública (que deveria, em última instância, ser garantida pela próprio Estado, oras!); a recusa em receber representantes da ONU vindos ao Brasil a fim de averiguar denúncias de arbitrariedades praticadas pelo Estado do Rio de Janeiro contra os direitos humanos; ser complacente – complacente aqui é eufemismo – com a polícia fluminense quando essa ceifa vidas e veste do preto de luto famílias esquecidas para além do limite entre pobreza e miséria, agora vemos o glorioso, probo, generoso e homem de bem Sérgio Cabral fazer chacota, criminalizar, perseguir, agredir e mandar prender funcionários públicos em greve.
Leiam o que a deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ), que estava presente durante a invasão do BOPE, declarou na tarde de sábado:
“Foi terrível o que aconteceu lá dentro. O Bope [Batalhão de Operações Especiais] invadiu por trás, jogando bombas de gás e disparando balas de verdade. Tem carros dos bombeiros lá dentro arrebentados a bala. Se os bombeiros não estivessem em movimento pacífico e ordeiro poderia ter ocorrido uma tragédia”, afirmou a deputada, exibindo cápsulas deflagradas de fuzil e pedaços de bomba de efeito moral.
“Essas pessoas que estão sendo penalizadas são as mesmas que salvam vidas em incêndios e nas praias do Rio. Ganham o pior salário da categoria no Brasil. Quero saber se o governador (Sérgio) Cabral, responsável por essa operação, consegue se alimentar em Paris com os R$ 950 que são pagos a esses homens e mulheres.”
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