Águas subterrâneas: essenciais para o abastecimento público

Principal fonte de água doce disponível no mundo, as águas subterrâneas são abundantes no Brasil, mas requerem uso racional e medidas de preservação para continuarem a atender às demandas de abastecimento no país, pois atendem a 53% dos municípios

 

As interações ambientais e geológicas que ocorrem entre solo, rochas e águas subterrâneas afetam diretamente o ambiente em que vivemos. No que se refere aos recursos hídricos, segundo a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), a maioria das pessoas desconhece que a água própria para consumo humano é escassa. O planeta tem 1 bilhão e 370 milhões de km3 de água. Do total de água disponível 97,5% é salgada e apenas 2,5% doce. Do total de água doce disponível 68% encontram-se nas calotas e geleiras, 30% nos aquíferos e menos de 2% nos rios. Ou seja, 98% do total de água doce disponível é subterrânea. De acordo com a ABAS, somente 28 litros em cada 1 milhão de litros de água do planeta correspondem à água doce, o equivalente a 2,5 litros em uma piscina olímpica.  Desse total, apenas 0,1 litro (pouco mais que um cafezinho) está disponível para consumo imediato nas águas superficiais de rios, lagos, represas e açudes. No entanto, 6,17 litros (ou 17 latinhas de refrigerante) estão disponíveis sob o solo: são as águas subterrâneas.
“Na verdade, fontes alternativas de abastecimento são as águas superficiais”, enfatiza Everton de Oliveira, presidente do II Congresso de Meio Ambiente Subterrâneo (II CIMAS) que acontecerá de 4 a 6 de outubro, em São Paulo (SP). (Veja abaixo). Ele explica que “no Estado de São Paulo, 75% dos municípios são total ou parcialmente abastecidos por águas subterrâneas, atendendo a uma população de mais de 5,5 milhões de habitantes, sendo que em torno de 50% dos municípios são abastecidos exclusivamente por águas subterrâneas”. Segundo ele, na maioria das cidades, no país e no mundo, o abastecimento público usa das águas subterrâneas. Para se ter uma ideia, a estimativa é que cidade de São Paulo tenha cerca de 4 mil poços abastecendo indústrias, condomínios, shoppings, escolas etc. As cidades paulistas de Ribeirão Preto, Bauru, Araraquara e São José do Rio Preto têm o abastecimento urbano baseado nas águas subterrâneas. 

 

REALIDADE DO ABASTECIMENTO NACIONAL
De acordo com a Gerência de Águas Subterrâneas da Agência Nacional de Águas (ANA), no Brasil, 47% dos municípios são abastecidos exclusivamente por mananciais superficiais, enquanto 39% das sedes municipais (2.153 municípios) são integralmente abastecidos por água subterrânea e outros 14% são abastecidos tanto por água superficial como por água subterrânea (ANA, 2010). Entre as capitais estaduais Maceió, Natal e Belém possuem grande parte do abastecimento por águas subterrâneas.
A vazão média dos cursos superficiais é de 179.516 m3/s, o equivalente a 5.661 km3/ano (ANA, 2011).  Já a reserva renovável estimada dos aquíferos é de 1.530 km3/ano (ANA, 2011) e a reserva permanente 112.000 km3, considerando uma profundidade de até 1.000 metros, com um volume de reabastecimento (recarga) de 3.500 km3 anuais (Aldo Rebouças, 1997).

 

BRASIL: ABUNDANTE TAMBÉM EM RECURSOS SUBTERRÂNEOS
Segundo a ANA, cerca de metade dos 8,5 milhões de Km2 do Brasil são formados por materiais rochosos que originam excelentes aquíferos, como por exemplo, nas bacias sedimentares da região amazônica (Bacias do Amazonas, Solimões e Acre); na Bacia Sedimentar do Paraná – onde se alojam os Sistemas Aquíferos Guarani e Bauru, por exemplo; na Bacia Sedimentar do Maranhão, onde os aquíferos Serra Grande e Cabeças são importantes exemplos.
O número de aquíferos em si depende da escala em que os mesmos são estudados. Dados preliminares da ANA (2011), indicam que cerca de duzentos aquíferos possuem importância local e regional elevadas. No estado de São Paulo, podem ser destacados os Aquíferos porosos Guarani, Bauru, Taubaté, São Paulo e Tubarão, como importantes, além dos aquíferos fraturados Serra Geral e dos Terrenos Cristalinos.
A água no Brasil é um bem público, de dominialidade dos Estados federados (rios localizados em um único estado e águas subterrâneas) e da União (lagos e rios que corram mais de um estado ou país, ou sirvam de limites entre estes). E, por ser o principal fator limitante para o desenvolvimento econômico, especialmente nos setores agrícola e industrial, pode tornar-se um bem cobiçado.

 

II CIMAS – PARA DEBATER AS ÁGUAS E O MEIO AMBIENTE SUBTERRÂNEOS
Todo este complexo ambiente estará em discussão, com a presença de especialistas nacionais e internacionais, no II Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo. Promovido pela Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, a primeira edição do Congresso, em 2009, reuniu mais de 500 especialistas do Brasil e do Mundo, além de profissionais e estudantes de 22 dos 27 estados brasileiros. Para Everton Oliveira, “esta interatividade é fundamental para a valorização e preservação dos recursos naturais subterrâneos, que afetam o meio ambiente como um todo. Pois, a gestão adequada para uso e proteção do solo e da água subterrânea no Brasil precisam ser discutidas e apresentadas para a sociedade, por isso estamos realizando a segunda edição do evento, que pretende ser ainda maior”, ressalta Oliveira, que também é secretário executivo da ABAS, professor do Instituto de Geociências da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Rio Claro (SP) e da Universidade de Waterloo, no Canadá. Acompanhe a programação completa do evento acessando o link:   http://www.abas.org/cimas/pt/index.php


SERVIÇO

II CONGRESSO INTERNACIONAL DE MEIO AMBIENTE SUBTERRÂNEO
Local: Centro Fecomércio de Eventos, em São Paulo, Capital
Realização: Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS)
Informações: (11) 3868-0726 / cimas@abas.org
Inscrições: www.abas.org/cimas


Atendimento à imprensa:
Marlene Simarelli, Isabella Monteiro e Larissa Stracci
marlene@artcomassessoria.com.br
isabella@artcomassessoria.com.br
larissa@artcomassessoria.com.br
Telefones: (19) 3237.2099 / (19) 8172.3185
Twitter: @cimas_abas

 

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Comentário de Terezinha Souto em 30 setembro 2011 às 20:20

Marlene,

boa tarde!

penso que as questões relativas ao acesso à água são mais complexas que os números apresentados pela ANA, ABAS e MMA.

Parece-me que o Banco Mundial sabe muito mais de nossas águas que Nós próprios. O que é uma pena, pois sem controle da Sociedade, estamos vulneráveis.

Ainda assim, os numeros são importantes indicadores.

Veja o conflito de àgua de um pequeno Distrito no Norte de Minas Gerais, acessando:

http://aquiondeeumoro.wordpress.com/2011/09/25/comunidade-de-cacare...

 

Abraços, Terezinha Souto

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