Com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo regida pelo maestro John Neschling, a Biscoito Fino está lançando o CD Heitor Villa-Lobos, Choros Nº 1, 4, 6, 8 e 9, tendo como convidados especiais, Fábio Zanon (violão), Linda Bustani e Ilan Rechtman (piano).

"Nos anos de 1920 Villa-Lobos desenvolve seu grande projeto de composição com a série dos Choros. Para ele, é a descoberta da Europa, e lá, da sedução que provocava um certo sabor de barbárie nas artes. Villa-Lobos percebe que uma imagem exótica do Brasil pode ser explorada com sucesso diante do público europeu. Ela também lhe serve de extraordinário impulso criativo.

Um ano antes de morrer, em 1958, Villa-Lobos deu uma palestra sobre os Choros em Paris. Dá então uma importância mais que inaugural ao Choros nº 1, quando o toma como primeira experiência, a partir da qual os outros poderão ser elaborados. É obra breve, escrita para violão, um delicioso convite à escuta, que retoma o clima da música urbana do tempo: Ernesto Nazareth foi homenageado com a dedicatória da obra.

Choros nº 4, para três trompas e um trombone, com seu ritmo claudicante, talvez possa mesmo evocar 'a aura de uma banda pequena e pobre trazendo diversão para algum lugar, num domingo à tarde, numa cidade sem nome da América do Sul: meio lembrado, meio ouvido, e se desenvolvendo livremente’, como escreveu Simon Wright num livro sobre o compositor brasileiro.

Escrito em 1926 e criado no Rio em 1942, o Choros nº 6 foi o primeiro para orquestra, que incorpora camisão pequeno e grande, coco, roncador, tamborim de samba, tambu-tambi, cuíca, reco-reco. Assim Villa-Lobos se referiu a ele: 'O clima, a cor, a temperatura, a luz, os pios dos pássaros, o perfume do capim melado entre as capoeiras, e todos os elementos da natureza do sertão serviram de motivos de inspiração para esta obra que, no entanto, não representa nenhum aspecto objetivo nem tem sabor descritivo'. À natureza do sertão, evocada pelo compositor, acrescenta-se, graças a uma valsa, a evocação de cidadezinhas caipiras.

Talvez o Choros nº 8 seja o que melhor encarna a idéia de Choros para o compositor. Uma estrutura que se sustenta pelo sentido de organização, pela invenção nevrálgica no conjunto, transformando aquilo que poderia ser uma rapsódia ou uma fantasia em obra construída. Um modo de construção intuitivo, ultrapassando as leis que presidem as convenções das arquiteturas sonoras. Composto para orquestra e dois pianos, o Choros nº 8 foi chamado pelo compositor de Choros da Dança, empregando grande número de instrumentos brasileiros de percussão, entre eles o caracaxá.

O Choros nº 9, escrito em 1929 e estreado no Rio em 1942, foi concebido, assim como o nº 6, para orquestra sinfônica, e acrescenta à orquestra instrumentos inusitados de origem popular. Mas, ao contrário desse nº 6, com seu sabor de poema sinfônico, o nº 9 se quer pura organização musical, fortemente baseado em ritmos (com numerosas mudanças de compassos). Um jogo poderoso que alterna langores e ritmos imperiosos". (Site Biscoito Fino).


David Russel interpreta "Choro nº 1", de Heitor Villa-Lobos.
(Para conhecer um pouco mais sobre David Russel, clique aqui).

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Comentário de Carlos Henrique Machado em 21 dezembro 2008 às 21:54
Que presente de natal que você nos dá Laura!!
Que maravilha esta luz que você joga no universo do Choro Brasileiro!
Essa linguagem tão rica e diversa vem ganhando espaço num pensamento mais nacional plural a cada dia com narrativas como essa sua.

A história do choro e sua representatividade parece que agora vem sendo lapidada depois de se libertar de um regionalismo e estética de um só conceito. Esta alma tão ampla em todas as curvas que compõem a dinâmica do choro acompanham o Brasil há bem mais tempo que a codificação feita bravamente por Joaquim Callado e Chiquinha Gonzaga que pode, se tratada de forma tão ampla como você tratou aqui, ser o principal ativo cultural para se estabelecer conexões multilaterais com outras nações a que o Brasil se propõe no novo pensamento estratégico. Aliás, este trabalho de vocês, Laura e Nassif, no caminho da valorização do choro tem modificado a paisagem do entendimento da sociedade sobre suas próprias linguagens culturais.

Maravilha saber da parceria da Orquestra Sinfônica de São Paulo com a Biscoito Fino, na certificação da linguagem orquestral dos choros de Villa Lobos. Sonho que isso se estenda a outros grandes do período nacionalistas ou pós-nacionalistas como, Lourenzo Fernandez, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Radamés, que tiveram como adubo para as suas obras a linguagem universal do choro brasileiro.

Abraços e obrigado por este brinde especial de natal.
Comentário de Laura Macedo em 22 dezembro 2008 às 0:25
Carlos Henrique, grata pelo amável comentário.

Os CDs Choros de Villa-Lobos, editados pela Biscoito Fino/OSESP, já somam três volumes. O que cito no post acima (vol 2), e mais dois - capas abaixo - (vol 1 - choros nº 5, 7 e 11 / vol 3 - choros nº 2, 3, 10 e 12).


Henrique, concordo plenamente quando você cita grandes músicos e diz que eles "tiveram como adubo para suas obras a linguagem universal do choro brasileiro".

Quanto ao seu sonho, parte dele já foi realizado.
Encontra-se disponível no site da Biscoito Fino o CD Triplo com as Sinfonias de Camargo Guarnieri.
Primeiro CD - Sinfonias nº 1 e nº 4 e a Abertura Festiva.
Segundo CD - Sinfonias nº 2 e nº 3 e a Abertura Concertante.
Terceiro CD - Sinfonias nº 5 e nº 6 e a Suíte Vila Rica.

Do Francisco Mignone: CD Maracatu de Chico Rei - Festa das Igrejas - Sinfonia Tropical.

No início do mês de novembro publiquei um post sobre o Chorinho Piauiense. Para acessar mais rápido, clique aqui.

Não desapareça por tanto tempo. Sempre que tiver novidades, CDs, shows e outras mídias, dê uma passada aqui na Comunidade para divulgar, ok?

Um grande abraço e sucesso sempre.
Comentário de Laura Macedo em 22 dezembro 2008 às 0:33
No comentário acima adicionei as duas caps de CD mas só saiu uma . A verdade é que sou super atrapalhada com o uso da tecnologia.
Essa é a do Vol 1 e a outra acima, obviamente, é a do Vol 3.
Abraços.
Comentário de Carlos Henrique Machado em 22 dezembro 2008 às 1:14
Oi Laura
Dentro de alguns dias vou postar aqui na comunidade uma reflexão sobre esse momento mágico da música brasileira com a construção do Espaço Cultural do Choro em Brasília que está em pleno vapor, e tudo o mais que envolve este inédito acontecimento, a sua importância para a história da música brasileira.
Mais uma vez obrigado pelas ricas informações
Abraços.
Carlos Henrique Machado

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