Ontem a noite, o History Channel levou um documentário sério e bem explicativo sobre o movimento Haight Ashbury, o Flower Power, o LSD e tudo que fez a maioria silenciosa da Califórnia eleger Ronald Reagan governador, como resposta a “licensiosidade” de costumes da utopia pregada pela tribo que queria construir a sociedade livre de tudo.
O depoimento mais elucidativo de todos os referenciados no documentário é o de um historiador do qual eu não lembro o nome que assinalou que a mídia que noticiava os hippies não era hippie. Era feita por pessoas mais velhas, que só pegavam as fotos agressivas , de nus , de doidões e de caricatos para ilustrar as matérias onde tudo era descrito como se fosse uma orgia em Roma dos Bórgia.
Na verdade, a sociedade livre de tudo era uma ameaça a clichês e padrões estabelecidos, onde todas as coisas boas e mazelas eram suportadas capitalísticamente, sobrando para todos algum do rico dinheirinho investido, fato que nunca iria ocorrer numa sociedade livre de tudo. Num português claro, poderia-se resumir a ópera naquela estrofe de “Nepal”(Som Imaginário) que diz: “No Nepal existe uma praça/ com um monte cheio de dinheiro/quem precisa pega lá um pouco/quem não precisa bota lá de novo”. Isso seria uma sociedade livre de tudo, pois estar livre do padrão monetário e não estar preso a mais nada, não é mesmo?
Saindo do particular e indo para o geral, é essa a relação entre quem ocupa funções na mídia e Metaleiros,Darks, Hackers & Outras Tribos. O integrante da mídia não tem noção do que é a vida de um integrante da tribo que vai reportar “jornalísticamente”. O que serve para o seu show é aquilo que causa impacto e sempre de modo generalizante. Exemplo? Não existe o cracker, o lammer ou o scriptkiddie. Existe o Hacker! Não existe o gótico ou o melancólico. Existe o Dark.
Xtrapolando a coisa e invertendo a posição, o jornalismo não admite particularidades, pois isso é sinônimo de segmentação e não é bem isso o que a mídia necessita para sobreviver de publicidade. A mídia necessita de universos. E quanto mais eles puderem ser abertos, melhor para ela. É assim que a desconsideração e a falta de respeito começam a alimentar pautas e questionários, cuja recíproca é obrigatória, pois não se admite a falta de retorno.
E se não existem respostas, elas são inventadas. A “Veja” é um grande exemplo dessa fabricação de conteúdo. A versão dela se comparada a verdade dos fatos é bem diferente da realidade. O respeito e a consideração a Hippies, Metaleiros, Darks, Hackers e Outras Tribos esbarra na verdade de seus patrocinadores. Lá a verdade é venal. Diogo Mainardi manda lembranças.
Outros criadores de verdade absolutas residem no jornalismo da Rede Globo de Televisão. Lá o show não pode parar, seja notícia, sejam apresentadores, que misturam seriedade com aparições na revista “Caras” e outras publicações sobre vips, chiques e famosos.
Se a sociedade livre de tudo podia ser resumida na letra de “Nepal”, o jornalismo global pode ser resumido na estrofe de um samba de Dona Ivone Lara(“Eu/Tenho a Minha Verdade”).- É mentira, Terta?!
E são esses os repositores de informação da nossa maioria silenciosa, que, por uma fatalidade bem caída, não acredita muito naquilo que lê e vê, para felicidade dos Hippies, Metaleiros, Darks, Hackers e Outras Tribos. Se acreditasse um pouco, o presidente não teria 80% de popularidade,todos nós seríamos uns coitadinhos, o país estaria quebrado e Paulo Henrique Amorim num Manicômio.

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Comentário de Sérgio Troncoso em 28 fevereiro 2009 às 19:12
Gostei Luiz Sérgio,texto enxuto com o qual eu me identifico. Um abraço,Sérgio.

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