Histórias das Canções de Chico Buarque (I)

Sempre tive um fascínio por livros que relatam os bastidores de como canções, famosas ou não, foram compostas e o que as inspirou.

Em 1º de maio de 2009 iniciei, aqui no Portal, a série batizada de “A Canção no Tempo”, totalmente baseada no livro, “A Canção no Tempo – 85 Anos de Música Brasileira”, de Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo, revelando, justamente, o que chamo de bastidores e/ou ‘causos’, por traz das canções.

Final de outubro de 2009, passeando com minha grande amiga Herbênia (de Fortaleza), fomos conferir as novidades na livraria Universitária. Lá, deparei-me com o livro de Wagner Homem, “Histórias de Canções: Chico Buarque”. A empatia foi imediata, mas pudera, o título já me conquista de cara. Li de um fôlego só. Uma delícia!



Wagner Homem (ao lado), curador do site oficial de Chico Buarque, selecionou uma centena de histórias relacionadas às suas composições.
Engraçadas, tristes, reveladoras ou simplesmente curiosas, essas histórias descortinam o universo em que as canções aparecem e os fatos que a elas se ligam.
Num texto enxuto o leitor poderá conhecer não apenas as histórias por trás das canções, mas também (embora não seja o objetivo principal da obra) um pouco da história recente do Brasil e da personalidade, processo criativo e hábitos dos personagens envolvidos.




Para: Wagner Homem
De: Chico Buarque
Data: Sexta-feira, 30 de janeiro de 2009 18:24
Gostei da leitura, flui muito bem. Fiz algumas correções, até de erros de digitação, e assinalei-as com asteriscos. Enquanto lia, eu pensava, tenho uma história boa para contar ao Cachorrão. Mas à medida que o livro avançava, todas essas histórias apareciam. Vou pensar mais um pouco, procurar alguma anedota inédita, mas acho que você as conhece todas, melhor que eu.

Um grande abraço,
Chico Buarque





Reorganizando minha pauta para 2010, decidir incluir essa nova série – Histórias das Canções de Chico Buarque -, que iniciamos agora e, se aprovada pelos amigos, terá vida longa a exemplo da série “A Canção no Tempo”. A sistemática será a mesma, ou seja, não seguirei a ordem cronológica do livro, face as possíveis dificuldades para postagem do áudio e/ou vídeo correspondente.


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"Tem Mais Samba" (1964)
Chico Buarque
Para o musical Balanço de Orfeu, de Luiz Vergueiro

Chico considera essa canção o marco zero da sua carreira profissional. Foi uma encomenda feita pelo produtor Luiz Vergueiro para o show Balanço de Orfeu, que estreou dia 7 de dezembro no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo.

Em depoimento para o jornalista e escritor Humberto Werneck, Luiz conta que a música funcionaria como uma espécie de moral da história para o confronto entre a Bossa Nova e a Jovem Guarda. A canção seria cantada no final do espetáculo, por todo o elenco, numa mais que esperada vitória da Bossa Nova.

A primeira sugestão de Chico não satisfaz o diretor, e a música só ficou pronta na véspera da estreia. Era "Tem mais samba" - que, além de marco inicial, indicaria "uma das constantes em seu trabalho: a criação por encomenda [aquela foi a primeira], contra o relógio, mas nunca em prejuízo da beleza e do prazer de criar", segundo Werneck.



TEM MAIS SAMBA



Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer

Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver


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FONTE:





Histórias de Canções: Chico Buarque, de Wagner Homem. São Paulo: Leya, 2009.






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Exibições: 134

Comentário de moacir oliveira em 7 janeiro 2010 às 16:30
Estarei aqui lendo e ouvindo tudo.
Comentário de Laura Macedo em 7 janeiro 2010 às 17:40
E eu aguardando, sua participação, com todo prazer.
Beijos.

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